Coprofilia é um interesse sexual associado às fezes. Pode envolver excitação sexual relacionada à observação, ao cheiro ou à manipulação de fezes, incluindo fantasias sobre essas atividades. A coprofagia, que designa a ingestão de fezes, pode ocorrer como uma manifestação da coprofilia, embora os dois termos não sejam sinônimos.Arnone, Jacqueline M.; Conti, Richard P.; Preckajlo, Joseph H. (2024). “Coprophilia and Coprophagia: A Literature Review”. Journal of the American Psychiatric Nurses Association, 30(1), pp. 8–16. Publicado online em 4 de dezembro de 2023. DOI: https://doi.org/10.1177/10783903231214265. PMID: 38050323. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38050323/
Na classificação psiquiátrica, um interesse parafílico não implica, por si só, um transtorno mental. A distinção entre parafilia e transtorno parafílico considera a presença de sofrimento, prejuízo funcional ou dano ou risco de dano a outras pessoas.American Psychological Association (15 de novembro de 2023). “Paraphilia”. APA Dictionary of Psychology. https://dictionary.apa.org/paraphilia. Consultado em 23 de setembro de 2026.
Terminologia
O termo é formado pelo elemento grego kópros, que significa excremento ou fezes, e pelo sufixo -filia.Priberam. “Coprofilia”. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. https://dicionario.priberam.org/coprofilia. Consultado em 23 de setembro de 2026. Também pode designar uma preocupação com fezes ou com objetos e palavras que as representam. A associação entre esse interesse e uma fixação na fase anal pertence à teoria psicanalítica clássica, e não constitui uma conclusão clínica contemporânea.American Psychological Association (19 de abril de 2018). “Coprophilia”. APA Dictionary of Psychology. https://dictionary.apa.org/coprophilia. Consultado em 23 de setembro de 2026.
Coprofagia e coprofilia podem ocorrer juntas, mas descrevem aspectos diferentes. Coprofagia se refere ao comportamento de ingerir fezes, que também aparece na literatura médica em contextos não sexuais.Istituto della Enciclopedia Italiana (2010). “Coprofagia”. Dizionario di Medicina. https://www.treccani.it/enciclopedia/coprofagia_(Dizionario-di-Medicina)/. Consultado em 23 de setembro de 2026. Esse comportamento foi registrado em alguns pacientes com coprofilia.
Em ambientes digitais, o termo também pode abranger redes informais de produção e consumo de mídia, vocabulário próprio e relações sociais entre pessoas interessadas no fetiche.“What Is Gay Scat Culture? A Guide to the Fetish, Community and Its Online History”. Scat Gay, 23 de setembro de 2026. https://scatgay.com/blog/what-is-gay-scat-culture-a-guide-to-the-fetish-community-and-its-online-history. Consultado em 23 de setembro de 2026.
Classificação clínica
O DSM-5 diferencia uma parafilia de um transtorno parafílico. Essa distinção separa o interesse sexual do sofrimento ou prejuízo associado a ele e considera também situações que envolvam dano ou falta de consentimento.Beech, Anthony R.; Miner, Michael H.; Thornton, David (2016). “Paraphilias in the DSM-5”. Annual Review of Clinical Psychology, 12, pp. 383–406. DOI: https://doi.org/10.1146/annurev-clinpsy-021815-093330. PMID: 26772210. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26772210/
A maioria das pessoas com interesses sexuais atípicos não apresenta transtorno mental. O sofrimento pessoal relacionado ao interesse é distinto daquele causado apenas pela desaprovação social.American Psychiatric Association (2013). Paraphilic Disorders. Material explicativo sobre o DSM-5, pp. 1–2. https://www.psychiatry.org/File%20Library/Psychiatrists/Practice/DSM/APA_DSM-5-Paraphilic-Disorders.pdf. Consultado em 23 de setembro de 2026.
A avaliação inclui desejos ou comportamentos que envolvam dano a outras pessoas ou pessoas que não consintam ou não possam consentir. A coprofilia e a coprofagia aparecem, em contexto clínico, entre os exemplos de interesses classificados como outros transtornos parafílicos especificados.
Pesquisa
Um estudo clínico sobre o tema foi publicado em 1955 no British Journal of Medical Psychology.Xavier, Cedric M. (1955). “Coprophilia—A Clinical Study”. British Journal of Medical Psychology, 28(2–3), pp. 188–190. DOI: https://doi.org/10.1111/j.2044-8341.1955.tb00893.x. PMID: 14389628. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14389628/
A literatura publicada entre 1990 e 2022 inclui relatos de caso e poucos estudos sobre coprofilia e coprofagia. Os tratamentos descritos combinaram, em alguns casos, medicamentos e psicoterapia, com resultados variados. Permanecem necessárias novas pesquisas sobre fatores associados, tratamento e resultados clínicos.
Saúde
Infecções entéricas
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) descrevem a transmissão de agentes infecciosos intestinais em atividades sexuais com exposição fecal, incluindo o contato oral-anal. Entre os agentes citados estão Shigella, Campylobacter, Salmonella, Escherichia coli e Giardia lamblia.Centers for Disease Control and Prevention (2021). “Proctitis, Proctocolitis, and Enteritis”. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines. https://www.cdc.gov/std/treatment-guidelines/proctitis.htm. Consultado em 23 de setembro de 2026.
A shigelose pode ser transmitida quando material fecal de uma pessoa infectada alcança a boca, inclusive por meio de dedos ou objetos contaminados. A bactéria pode permanecer nas fezes por até duas semanas após o desaparecimento da diarreia, e sua presença na pele não pode ser identificada apenas pela aparência.Centers for Disease Control and Prevention (2 de abril de 2024). “Preventing Shigella Infection Among Sexually Active People”. https://www.cdc.gov/shigella/prevention/preventing-shigella-infection-among-sexually-active-people.html. Consultado em 23 de setembro de 2026.
As diretrizes também descrevem proctocolite e enterite, que podem incluir diarreia e cólicas abdominais. Em sua terminologia de vigilância, a expressão “homens que fazem sexo com homens” descreve comportamento sexual e não determina a identidade sexual das pessoas.
Prevenção
Entre as medidas de prevenção estão evitar o contato com fezes durante a atividade sexual, utilizar barreiras e higienizar as mãos depois do contato com a região anal ou com materiais contaminados. Essas medidas são recomendações gerais de controle de infecções, diante da ausência de intervenções específicas para todos os agentes entéricos.
Para reduzir a transmissão de Shigella, recomenda-se lavar brinquedos sexuais depois de cada uso e evitar relações durante episódios de diarreia, aguardando pelo menos duas semanas após seu término.
A hepatite A também pode ser transmitida durante a atividade sexual. A vacinação é uma medida de prevenção, e homens que fazem sexo com homens estão entre os grupos para os quais a vacina é recomendada.Centers for Disease Control and Prevention (14 de maio de 2024). “Viral Hepatitis Among Sexually Active Adults”. https://www.cdc.gov/hepatitis/hcp/populations-settings/sexually-active.html. Consultado em 23 de setembro de 2026.
Ver também
Parafilia Coprofagia Sexo seguro Redução de danos Urofilia
Ligações externas
Material explicativo da Associação Psiquiátrica Americana sobre transtornos parafílicos (em inglês) Informações dos CDC sobre prevenção da transmissão sexual de Shigella (em inglês)
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