Arsaviro I Camsaracânio (; ) foi um nobre armênio do , membro da família Camsaracânio, ativo no reinado dos reis , e .

Nome

Arsaviro () é a grafia latina do armênio Arxavir (, Aršawir). O nome deriva do iraniano antigo aršan ("homem, varão") e vira ("homem, pessoa"), o que implica que significa "homem viril, homem corajoso". Na tradução armênia do Livro de Daniel, ocorre no lugar de Assuero (, Axašvaroš). No Cáucaso, é encontrado na forma corrompida Artavil. Também foi registrado em grego como Arsaber (, Arsabḗr).

Vida

Origens e primeiros anos

Arsaviro nasceu em data incerta. Segundo Moisés de Corene, era o filho mais velho de Camisares, o ancestral epônimo da família Camsaracânio, e irmão de . Em 325, pouco dias após sua conversão, Camisares faleceu. Para consolá-lo por sua perda, o rei elevou a família de Arsaviro à nobreza (nacarar), nomeou-o como sucessor de seu pai como senhor de Drascanacerta e Siracena e lhe concedeu Eruandaxata e seu distrito circundante. Arsaviro apreciou muito o novo distrito que recebeu e o batizou Arsarúnia em referência a si. Em data incerta, casar-se-ia com uma filha de , cujo nome não foi registrado. Segundo Christian Settipani, esse casamento deve ter ocorrido por volta de 320.

Comandante-em-chefe

thumb|upright=1.05|esquerda|Dinar de esquerda|thumb|upright=1.05|Soldo de

Em 339, segundo Moisés, o rei iniciou um conflito contra o xainxá do Império Sassânida ao tomar ciência de que havia apoiado os insurgentes, bem como os invasores estrangeiros, que causaram tumultos no reino durante seu reinado. O rei, no entanto, morreu pouco depois disso. O patriarca reuniu os nobres armênios e seus exércitos e instalou Arsaviro como comandante-em-chefe antes de partir para Constantinopla, capital do Império Romano, ao lado de Tigranes, filho de Cosroes, para que o imperador o nomeasse rei. Esse relato é pouco credível, pois não há precedentes de outros patriarcas nomeando algum oficial à função de comandante-em-chefe no lugar do governante. A esse respeito, o relato de Fausto, o Bizantino contradiz Moisés. Segundo Fausto, Cosroes III e Vertanes nomearam como chefe da família Mamicônio e asparapetes, em sucessão a seu falecido pai Vache I. No entanto, por conta da menoridade de Artavasdes, a responsabilidade de comandar as tropas recaiu sobre Arsaviro e , aos quais Vertanes incumbiu pessoalmente de cuidar de Artavasdes até que atingisse a maioridade e pudesse liderar as tropas.

Moisés afirma que, na ausência de Tigranes e Vertanes, Sapor II enviou seu irmão Narses com um exército contra a Armênia com a intenção de torná-lo rei. Arsaviro enfrentou o invasor na planície de Merrul, a noroeste de Satala. Apesar das muitas baixas, o exército armênio foi vitorioso e o país foi defendido até o retorno do rei. Fausto ignora a embaixada à nomeação de Tigranes e afirma que ele simplesmente sucedeu ao pai, mas é possível que ele seja o rei armênio anônimo que Constâncio supostamente instalou no trono por volta de 338, segundo o Panegírico de Juliano, o que confirmaria o relato de Moisés. Por conseguinte, Fausto coloca o ataque de Narses em outro contexto, décadas depois. Segundo o cronista, em 348, Arsaviro esteve entre os nobres convocados por Tigranes VII para conduzir Farnarses até Cesareia Mázaca, na Capadócia, para ser ordenado patriarca da Armênia.

Em 450, Tigranes VII foi traído por Pisagas Siuni, que instigou o marzobã Barsabores contra ele. Depois de cegar Tigranes, Barsabores e suas tropas se apressaram rumo ao Assuristão, à capital de Ctesifonte, para entregar o rei ao xainxá. Os nacarares e oficiais militares armênios se reuniram e caçaram-nos, mas não conseguiram salvar o rei, e decidiram pilhar e capturar territórios do Império Sassânida como retaliação. Sapor (Fausto menciona o xainxá , 262–270) respondeu conduzindo uma expedição em grande escala na Armênia. Os armênios enviaram como emissários Arsaviro e Antíoco II para Constantinopla e pediram ajuda de Constâncio II, que concordou em ajudar. O exército romano parou em Satala antes de marchar ao campo persa em Oscai, onde o exército armeno-romano derrotou Sapor decisivamente. Arsaviro e Antíoco, que lutaram ao lado dos romanos, foram deixados como supervisores do reino na falta de um rei e foram honrados com muitos presentes.

Últimos anos

Arsaviro foi mencionado pela última vez em 353, durante o reinado de , filho de Tigranes VII, quando foi um dos nobres incumbidos com a escolta de Narses para ser ordenado patriarca da Armênia em Cesareia Mázaca. É incerto quando Arsaviro morreu depois desse evento. Tanto Fausto quando Moisés não mencionam-no ao comentarem a respeito do expurgo da família Camsaracânio conduzido por Ársaces II anos mais tarde (o episódio é narrado em Fausto após a descrição da execução de , que é estimada em 365), o que indica que já pudesse estar morto. Cyril Toumanoff propôs que tenha morrido por volta de 355. Moisés de Corene afirma que Arsaviro era pai de , que tornar-se-ia chefe da família após o expurgo. Fausto confirma a posição de Esfendadates, sem afirmar que era filho de Arsaviro.

Bibliografia

Categoria:Armênios do século IV Categoria:Partas do século IV Categoria:Naapetes da família Camsaracânio Categoria:Oficiais de Tigranes VII Categoria:Generais de Cosroes III da Armênia