Hafez al-Assad (حَافِظُ ٱلْأَسَدِ, Qardaha, 6 de Outubro de 1930 — Damasco, 10 de Junho de 2000) foi um político sírio que serviu como presidente da Síria, de 1971 até 2000, ano de sua morte. Foi sucedido por seu filho Bashar al-Assad,The New Encyclopedia of Islam by Cyril Glasse, Altamira, 2001, p.36–7 que governou por vinte e quatro anos até ter sido deposto em 2024, encerrando o governo da Família Assad.
De família humilde, após os estudos primários, foi formado na academia militar e, em seguida, enviado para completar sua formação com militares soviéticos. Ingressou no Partido Baath em 1946 e se opôs ativamente à unificação entre Síria e Egito. Ao fracassar a unificação em 1961, seu prestígio ascendeu, sendo nomeado chefe das Forças Aéreas em 1964. Enquanto ocupava este cargo, a Síria sofreu uma humilhante derrota com a perda de quase toda sua força aérea e parte de seu território na Guerra dos Seis Dias. Apesar desta derrota, aumentou a instauração do regime militar em 1963. Em 1970, aproveitou sua posição para dar um golpe de Estado.Olmert, Yosef (1986). In Shaked, Haim; Dishon, Daniel. Middle East Contemporary Survey 8. The Moshe Dayan Center. ISBN 9789652240064.
Assad desradicalizou o governo Ba'ath quando ele tomou o poder, dando mais espaço para a iniciativa privada e fortalecendo as relações exteriores do país com países que seu antecessor havia considerado "reacionários". Ele se aliou a União Soviética durante a Guerra Fria em troca de apoio contra Israel, e, embora ele tenha abandonado a política macro do conceito de pan-arabismo de unificar os povos do mundo árabe em uma única nação, Assad procurou fazer da Síria a defensora dos interesses árabes contra os israelenses. Quando chegou ao poder, ele organizou os serviços estatais em linhas sectárias (os sunitas se tornaram líderes das instituições políticas, enquanto os alauitas tomaram o controle das forças armadas, órgãos de inteligência e do aparato de segurança). Os poderes anteriormente colegiados de tomada de decisões Baathistas foram restringidos e transferidos para o presidente. O governo sírio deixou de ser controlado pelo partido, num sistema único, no sentido normal da palavra, e se tornou uma nação presidencialista com um poder central forte. Para manter esse sistema, um grande culto de personalidade foi erguido ao redor de Assad e sua família, que passou a controlar o aparato estatal e as finanças do país.Wedeen, Lisa. Ambiguities of domination: Politics, rhetoric, and symbols in contemporary Syria. University of Chicago Press, 2015.Peter Beaumont No longer the pariah President. The Observer, 16 de novembro de 2008Halla Diyab All in the family: Building the Assad dynasty in Syria, Al-Arabiya Friday, 28 de novembro de 2014 Assad ordenou uma intervenção no Líbano em 1976, o que resultou na ocupação síria de quase trinta anos do território libanês.Winslow, Charles (2012). Lebanon: War and Politics in a Fragmented Society. Routledge. ISBN 978-1-134-76240-8. Durante seu governo, seu regime reprimiu uma revolta islamista liderada pelos rebeldes da Irmandade Muçulmana síria por meio de uma série de repressões que culminaram no massacre de Hama, levando à destruição de dois terços da cidade.Hinnebusch, Raymond (2001). Syria: Revolution from Above (1ª edição). Routledge. ISBN 978-0-415-26779-3. Seu regime foi acusado de inúmeras violações dos direitos humanos, incluindo a criação de campos de extermínio em prisões, como a prisão de Sednaya, que foi apelidada de "Açougue Humano".
Tendo se tornado a principal fonte de iniciativa dentro do governo sírio, Assad começou a procurar um sucessor. Sua primeira escolha era seu irmão Rifaat, mas este tentou tomar o poder para si em 1983–84 quando a saúde de Hafez declinou temporariamente. Rifaat foi exilado quando seu irmão se recuperou. A próxima escolha de Hafez para sucede-lo se tornou seu filho mais velho, Bassel. Contudo, Bassel morreu em um acidente de carro em 1994, o que forçou o presidente a apontar seu outro filho, Bashar, para ser seu sucessor. A escolha era arriscada pois Bashar al-Assad, na época, não tinha experiência política. A mudança para nomear um membro de sua própria família como seu sucessor foi recebida com críticas em alguns setores da classe dominante síria, mas Assad persistiu com seu plano e rebaixou vários funcionários públicos que se opunham a sua decisão. Hafez morreu em 2000, de um ataque cardíaco, após quase três décadas no poder. Conforme seus desejos, foi sucedido na presidência pelo seu filho, Bashar al-Assad.Seddon, David (2004). A Political and Economic Dictionary of the Middle East. Taylor & Francis. ISBN 9781857432121.
A dinastia al-Assad durou vinte e quatro anos após a morte dele, quando seu filho Bashar foi deposto após uma violenta guerra civil (2011-2024). Em 11 de dezembro do mesmo ano, foi relatado que rebeldes incendiaram o túmulo de Hafez.
Ver também Família al-Assad Revolução Corretiva na Síria de 1970 Queda do regime de Bashar al-Assad
Ligações externas
Presidente Hafez Al-Assad CV
Assad Categoria:Família Assad Categoria:Militares da Síria Categoria:Primeiros-ministros da Síria Categoria:Governantes que tomaram o poder por golpe de Estado Categoria:Totalitarismo