Floresta é um bairro da zona norte da cidade de Porto Alegre, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Foi criado pela Lei 2.022 de 7 de dezembro de 1959, tendo seus limites geográficos alterados pela Lei 12.112 de 22 de agosto de 2016.
É um dos bairros imediatamente limítrofes ao Centro Histórico, além de ser margeado pela orla do Guaíba. Faz divisa, também, com os bairros Independência e Moinhos de Vento ao sul e com os bairros São João e São Geraldo a leste e a nordeste. Com suas alterações de limites em 2016, a Floresta começou a abrigar uma parte do extinto bairro Marcílio Dias, aumentando sua área.
Em 2019, o bairro contava com: 11.596 habitantes, distribuídos por seus 186,7 hectáres, com uma densidade populacional de 6.211,03 hab./km². A taxa de analfabetismo do bairro era de 1,31%, menor que o índice geral de Porto Alegre que era de 3,86%. A renda média era de 4,82 salários mínimos por domicílio. O seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,866, levemente elevado em comparação o índice de 0,805 da cidade.
O bairro Floresta tem como principais logradouros as avenidas Presidente Castello Branco, Farrapos, Cristóvão Colombo e a Rua Voluntários da Pátria, que são importantes vias de transporte da região central até o Aeroporto Salgado Filho e à Rodoviária de Porto Alegre, além de serem relativamente paralelas entre si.
Atualmente, a Floresta apresenta grande potencial de desenvolvimento em razão dos planos para a revitalização do chamado "4º Distrito" de Porto Alegre, que engloba além da Floresta os bairros São Geraldo, Navegantes, Humaitá e Farrapos, devido aos inúmeros imóveis sub-utilizados, à possibilidade de verticalização, à beleza de seus edifícios de arquitetura do passado industrial com influência alemã e à proximidade com a orla do Guaíba - o que gera discussões e críticas em relação a consequências como a especulação imobiliária e a gentrificação. Porém, ao mesmo tempo, a Floresta apresenta muitos desafios, tais como a presença de comunidades que vivem sob condições de vulnerabilidade social, a falta de moradia digna e acessível, os índices de criminalidade e insegurança, a prostituição, o tráfico de drogas e a degradação do patrimônio público e histórico, além da infraestrutura urbana precária ou limitada. Durante a enchente de 2024, o bairro foi fortemente afetado pelas águas que ultrapassaram o sistema de muros e de diques de contenção.
Histórico Século XVIII No século XVIII, durante o Brasil Colônia, a área do bairro Floresta fazia parte da sesmaria Sant'Anna concedida em 1740 pela Coroa Portuguesa ao madeirense Jerônimo de Ornelas (1691-1771), cuja sede se situava bem afastada do território do atual bairro, no Morro Santana. Mesmo com o pequeno povoamento dos imigrantes açorianos que fundaram o "Porto dos Casais" em 1752 e com a transferência, a partir de 1773, do governo da Vila de Viamão para lá devido ao comércio e à navegação, a região da Floresta continuou inóspita.
Por volta de 1778, devido à ameaça de invasões espanholas, começaram a ser construídas as Fortificações de Porto Alegre, que iniciavam da costa do Guaíba na altura da atual Rua Pinto Bandeira (então na beira do rio) e iam em direção à Santa Casa de Misericórdia e à antiga Ponte de Pedra, de modo que a vila cresceu quase constrita no perímetro da trincheira, fora da área do atual bairro Floresta.
Século XIX
Em 1835, os farrapos liderados por Bento Gonçalves atacaram Porto Alegre (então uma vila com 14 mil habitantes) pelo chamado "Caminho Novo" (a atual Rua Voluntários da Pátria), que ficava à beira do Guaíba a leste da fortificação, após desembarcarem da escuna "Farroupilha" e do iate “Onofre". Com o final da Revolução Farroupilha em 1845, a função da fortificação perdeu sentido e foi destruída, o que possibilitou que a cidade se expandisse mais tarde, inclusive com aterros sobre o Guaíba.
Um mapa de 1837 sem autoria conhecida, chamado "Planta da Cidade de Porto Alegre Capital da Província", situa a região do bairro Floresta ao lado da cidade fortificada, com muitas árvores demarcadas e poucas construções de chácaras. Já o mapa de L. P. Dias de 1839 demarca o "Caminho Novo" (hoje Rua Voluntários da Pátria) e do "Beco do Chico Pinto" (hoje Avenida Cristóvão Colombo).
No período da industrialização de Porto Alegre (1889-1943), sucessivos aterros foram feitos na área do Centro Histórico e da Floresta para a construção do cais Mauá e do cais Navegantes do seu Porto.
Século XX thumb|left|250px|Antigo prédio da Cervejaria Brahma, que hoje compõe o Shopping Total. O bairro teve início pela Estrada da Floresta (atual Avenida Cristóvão Colombo), que ligava o centro a um longínquo morro coberto de densa vegetação arbustiva, verdadeira mata virgem. Com o tempo, esta floresta proveu lenha para os fogões domésticos ou serviu de matéria-prima para madeireiras da região. Assim, à medida que morro foi sendo desflorestado e a estrada habitada, o bairro foi se desenvolvendo.História dos bairros de Porto Alegre
Em dezembro de 1849, no topo do morro ainda então bastante arborizado, foi inaugurado um hospital, a Casa de Saúde Bela Vista. Mais de cinquenta anos depois, em 1903, o hospital foi adquirido pelo Exército, tornando-se o atual Hospital Militar de Porto Alegre, mas que atualmente não pertence mais aos limites do bairro, pois está situado no vizinho bairro Auxiliadora.
Em 1883 foi construído o prédio da Sociedade Florida na Rua Comendador Azevedo, 444.Pertenceu a antiga Sociedade com o mesmo nome da Praça e que comandava diversos eventos do bairro floresta. A Sociedade teve o seu apogeu na primeira metade do século passado, com campeonatos de “Bolão”, modalidade esportiva de origem germânica, muito aceita pelos gaúchos. Nos anos 50 e 60 a Sociedade formou apoiou equipes de vôlei e basquete. Hoje a Sociedade está totalmente desmobilizada e o prédio é utilizado por Lojas Maçônicas para os seus encontros semanais.http://www.portoalegre.travel/site/contdetalhes.php?idConteudo=16226
Em 1888 foi fundada a Igreja de São Pedro, com cuja construção, em terreno doado por Dona Carmen, uma senhora muito religiosa, a urbanização da região tomou novo impulso. Em 2016, com a nova Lei de bairros, a Igreja passou a pertencer ao Bairro Moinhos de Vento.
Com o passar do tempo, observou-se a tendência industrial da região, abrigando, entre outras, as cervejarias Bopp, Sasse, Ritter e Cia. Ltda. e a Cervejaria Brahma. Nas redondezas das fábricas, os funcionários foram construindo suas casas, tendo como exemplo o prédio à Rua Comendador Coruja, que foi projetado pelo arquiteto teuto-brasileiro Theo Wiederspahn.
O Palacinho foi construído pelo engenheiro italiano Armando Boni. A construção do palacete, que destinava-se a hospedar o Conde Galezzo Ciano foi encomendada pelo comerciante Santo Meneghetti em 1926. Em janeiro de 1954 o imóvel foi desapropriado por decreto pelo Governador do Estado, para sediar o Departamento Estadual do Serviço Público. Mais tarde passou a ser a residência oficial do Vice-governador, sendo hoje conhecido como Palacinho.
Em 1939 começou a ser erguido o Moinhos Germani. Localizado na Rua 7 de Abril esquina com rua Emancipação. Empreendimento do italiano Aristides Germani, grande promotor do plantio de trigo no Brasil, líder comunitário e uma das personalidades da colônia italiana no Estado, na primeira metade do século passado. O prédio possui mais de quatro mil metros de área construída. Atualmente, o prédio pertence à construtora Ivo Rizzo e encontra-se abandonado.
Prédio construído entre os anos de 1946 e 1949, a Paróquia Santa Teresinha está localizada na Rua Ramiro Barcelos esquina com a Rua São Carlos. A fachada é austera, quase sem decoração, mas, no seu interior, é uma das mais bonitas de Porto Alegre, com uma interpretação típica das igrejas renascentistas. A Paróquia apresenta uma série de murais (1952) criados por Aldo Locatelli e Emílio Sessa, italianos de Bérgamo, responsáveis por grandes obras em Igrejas e Espaços Públicos no Estado, no século passado.
Em 1960, foi fundado no bairro, na Rua Almirante Barroso, nº 750, o Hospital Maia Filho, que acabou falindo em 2005 e demolido posteriormente.Correio do Povo: Serviço de demolição do Hospital Maia Filho está suspenso
Características atuais
O bairro possui muitos prédios antigos, em sua maioria das décadas de 1950, 1960 e 1970, tendo os mesmos pouca ou, às vezes, nenhuma conservação. Atualmente, o Floresta conta com grande variedade comercial, preservando ainda algumas de suas indústrias, mas não deixou de ser residencial. Outras igrejas foram erguidas, tanto católicas como protestantes, respeitando a homogeneidade de seus moradores.
Em algumas ruas do bairro, próximas a Av. Farrapos, onde se localizam diversas boates, existe alto índice de prostituição, além da chamada "prostituição de rua", à noite.
Muitos empreendimentos de grande porte, como o Shopping TotalShopping Total no Google maps (com a nova Lei de bairros de 2016 o Shopping Total passou a pertencer ao bairro Independência) e o Shopping Floresta (em construção),Shopping Floresta no Wikimapia bem como a migração de muitas empresas de médio porte, estão contribuindo de forma significativa para o melhoramento do bairro.
No bairro também está localizada a Secretaria de Segurança Pública e encontra-se em construção o Centro Regional de Excelência em Pericias Criminais do Sul, ao lado da Rodoviária.
Outro fator importante é a proximidade do bairro com o Centro da capital gaúcha, proporcionando às empresas e aos seus moradores facilidades no manejo e logística.
As praças do bairro são: Praça Bartolomeu de GusmãoPraça Bartolomeu de Gusmão no Google maps e Florida.
Quarto Distrito e a revitalização do bairro
O Bairro Floresta faz parte do chamado 4.º Distrito. Ainda que a atual divisão administrativa não delimite distritos, e exista divergências quanto a sua abrangência, o termo 4.º Distrito é usado para denominar a área compreendida pelos bairros Navegantes, São Geraldo, Floresta, Humaitá e Farrapos.
Como parte de uma série de medidas de revitalização do Quarto Distrito, há reduções de impostos municipais para empresas de base tecnológica, inovadoras e de economia criativa instaladas nesses bairros.
Destaca-se no bairro Floresta, como parte dos avanços de revitalização, o Vila Flores. O Vila Flores é um complexo arquitetônico formado por 3 edificações e um pátio listados no Inventário do Patrimônio Cultural de Bens Imóveis do Bairro Floresta, classificadas como imóveis de Estruturação e situadas em Área de Interesse Cultural de Porto Alegre.Atualmente, o espaço abriga diversas funções: local para a realização de atividades socioculturais (coordenadas pela Associação Cultural Vila Flores), espaço de trabalho de artistas e empreendedores criativos (os residentes) e ambiente de aprendizado.
Também merece destaque as ações do Projeto Distrito C. O Distrito C é Polo de Economia Criativa, Economia do Conhecimento e da Experiência, constituído no momento por 82 artistas, em sua maioria no bairro Floresta. Esse projeto de inovação social foi criado pela Urbs Nova Porto Alegre - Barcelona, que é uma agência de design social.
Cultura A Floresta possui espaços culturais variados e crescentes, tanto privados como públicos.