O Museu Histórico Nacional (MHN) é um museu dedicado à história do Brasil, localizado na praça Marechal Âncora, no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Foi criado em 1922 pelo presidente Epitácio Pessoa como parte das comemorações do Centenário da Independência do Brasil. Seu primeiro diretor foi o advogado e jornalista Gustavo Barroso.

O museu é uma das unidades museológicas do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) — autarquia federal ligada ao Ministério da Cultura — e possui um acervo constituído por mais de 300 mil itens arquivísticos, bibliográficos e museológicos. São manuscritos, iconografia, mobiliário, armaria, esculturas, indumentária, entre outros itens.

História O conjunto arquitetônico miniaturadaimagem|221x221px|O Morro do Castelo, no seu sopé direito o Forte de São Tiago, atual Museu, por Richard Bate, em 1809.|esquerda O local onde se encontra o museu era uma ponta de terra que avançava sobre as águas da baía de Guanabara, entre as praias de Piaçaba e de Santa Luzia. Nessa ponta, os portugueses ergueram, em 1603, o Forte de São Tiago da Misericórdia, ao qual se acrescentou a Prisão do Calabouço (1693) — destinada a escravizados faltosos —, a Casa do Trem (1762) — depósito do "trem de artilharia" (armas e munições) —, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (1764) e o Quartel (1835).

Na Casa do Trem teria sido esquartejado o corpo de Tiradentes, após sua execução no Campo de Lampadosa (atual Praça Tiradentes), no final do século XVIII. Por sua localização estratégica para a defesa da cidade, então capital, a ponta e as instalações nela mantidas foram área militar até 1908, quando o Arsenal de Guerra foi transferido para a ponta do Caju.miniaturadaimagem|Arco no pátio dos Canhões, do antigo Forte São Tiago, no Museu Histórico Nacional.|esquerdaminiaturadaimagem|Panorama da Exposição Internacional de 1922: embaixo o Pavilhão das Indústrias, atual Museu, e do lado direito o Pavilhão de Festas.Na década de 1920 a Ponta do Calabouço foi aterrada e reurbanizada para acolher a Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência. Para integrar o evento, as edificações do antigo Arsenal de Guerra foram ampliadas e embelezadas, com decoração característica da arquitetura neocolonial. Do primitivo forte de São Tiago e da prisão do Calabouço restam apenas as fundações. Subsistem até aos nossos dias os edifícios da Casa do Trem (totalmente recuperado na década de 1990), do Arsenal de Guerra (onde se destaca o imponente pátio da Minerva), e do pavilhão da exposição de 1922, atualmente ocupado pela Biblioteca. O museu Criado em agosto de 1922, visando dotar o país de um museu voltado para a história do Brasil, as novas instalações foram abertas ao público em 12 de outubro, compreendendo o pavilhão das Grandes Indústrias, um dos mais visitados da referida exposição, e duas galerias do Museu Histórico Nacional. Em 1940 essas galerias abertas ao público já somavam vinte e duas.

Atualmente, o museu ocupa todo o conjunto arquitetônico da antiga Ponta do Calabouço, constituindo-se em um dos mais importantes museus históricos do país e um centro gerador de conhecimento nas áreas da museologia e do patrimônio cultural. miniaturadaimagem|Exposição Internacional de 1922: ao fundo a demolição do Morro do Castelo e o Pavilhão das Indústrias, atual Museu, à direita.O museu abrigou o primeiro curso de Museologia do país, criado em 1932. Ele funcionou em suas dependências até 1977, tornando-se uma referência para a constituição de outros importantes museus brasileiros. Outra importante instituição que começou no Museu Histórico Nacional foi a Inspetoria dos Monumentos Nacionais, criada em 1934, e que se transformou mais tarde no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em 2009 o conjunto arquitetônico e as coleções do MHN foram tombados pelo Iphan.

Características esquerda|miniaturadaimagem|267x267px|Balangandã baiano, de prata. Século XVIII. O museu se caracteriza como um museu de história, com ênfase na história do Brasil, abrangendo desde o período pré-cabralino até sua história contemporânea. Seus espaços expositivos abertos à visitação pública fazem parte de um conjunto arquitetônico que se distribui por uma área útil total de 14.540 m², a qual se somam os 3.212 m² de seus pátios internos (pátio Epitácio Pessoa, conhecido como pátio dos Canhões, pátio da Minerva, pátio de Santiago e pátio Gustavo Barroso).

No pavimento térreo encontram-se o pátio dos Canhões, que apresenta uma coleção de canhões do período colonial e a exposição de longa duração "Do móvel ao automóvel", com um grande número de carruagens do século XIX. Nesse pavimento encontra-se a Reserva Técnica da instituição, localizada no pátio Gustavo Barroso, e algumas galerias utilizadas para exposições temporárias. miniaturadaimagem|"Combate Naval do Riachuelo", de Victor Meirelles. 1872. O segundo pavimento apresenta o circuito de longa duração do museu, com as seguintes galerias: "Oreretama" (dedicada aos primeiros povos que viveram no Brasil e aos índios que até hoje povoam o país); "Portugueses no Mundo" (mostrando as trajetórias dos navegantes portugueses no período das grandes navegações e o processo de colonização no Brasil); "A Construção do Estado" (abrangendo a Independência e o período imperial); e "A Construção da Cidadania" (que aborda desde a Proclamação da República até a história contemporânea). Neste pavimento localiza-se também a Biblioteca do museu no pátio de Santiago.

No terceiro pavimento encontram-se o Arquivo Institucional, o Laboratório de Conservação e Restauração, o acervo de numismática (Casa do Trem) e as áreas técnicas e administrativas do museu.

Acervo

miniaturadaimagem|Revista militar no Largo do Paço. Pintura de Leandro Joaquim, por volta de 1790.|esquerdaA formação do acervo do Museu Histórico Nacional teve início a partir da transferência de itens de outras instituições que já existiam à época de sua fundação. Vários itens e peças vieram do museu do Arquivo Nacional e do gabinete de numismática da Biblioteca Nacional. Também colaboraram para a formação inicial do acervo a Casa da Moeda, o Museu Nacional de Belas Artes, o Ministério do Exército e o Ministério da Marinha. Ajudaram a compor o acervo do museu, em seu período inicial, a doação de colecionadores particulares, como a do senador baiano Miguel Calmon du Pin e Almeida, a da família Guinle e a da museóloga Sophia Jobim. Outra importante coleção adquirida nos primeiros anos do museu foi a de esculturas religiosas em marfim do empresário e colecionador Souza Lima, arrematadas pelo presidente Getúlio Vargas em um leilão promovido pela Caixa Econômica Federal em 1940.miniaturadaimagem|Carruagem de gala trazida ao Brasil por Dom João VI, que foi utilizada pelos imperadores Dom Pedro I e Pedro II.

Atualmente, o acervo do museu se divide em arquivístico, bibliográfico, museológico e aquele de suas próprias publicações. O acervo arquivístico está dividido em dois: o Arquivo Histórico e o Arquivo Institucional.

O Arquivo Histórico é formado por coleções, em sua maioria de caráter originalmente particular, que abriga cerca de 62 mil documentos iconográficos e manuscritos.

Destacam-se as coleções do fotógrafo Juan Gutierrez, que documentou a Revolta da Armada no Rio de Janeiro, as de Augusto Malta e Marc Ferrez, a de Carlos Gomes, composta de partituras, epistolário, libretos e fotografias, bem como a Coleção Família Imperial, com gravuras, documentos e outros objetos referentes a D. Pedro I, D. Pedro II e familiares.

Já o Arquivo Institucional é fonte de pesquisa sobre a história do próprio museu e da história política e administrativa da cultura no país. miniaturadaimagem|Canhão El Cristiano, troféu da Guerra do Paraguai. O acervo bibliográfico, com cerca de 65 mil itens, encontra-se preservado na Biblioteca do Museu Histórico Nacional e disponibiliza obras do século XVI ao XXI. Ele é composto por livros, folhetos, periódicos e outros tipos de publicação que abrangem temas como Arte Decorativa, Numismática, Filatelia, Indumentária, História do Brasil, História do Rio de Janeiro, História de Portugal, Heráldica, Genealogia, Sigilografia, Gastronomia e Museologia.

O acervo museológico do Museu Histórico Nacional conta com cerca de 172 mil itens e é formado por coleções de objetos que datam desde a Antiguidade até os dias atuais. Faz parte deste acervo a área de Numismática, responsável pelas coleções de moedas, cédulas, selos, carimbos, sinetes, medalhas e ordens honoríficas de Brasil e Portugal, totalizando mais de 150 mil itens. A qualidade do acervo faz da coleção de numismática a mais expressiva da América do Sul.

esquerda|miniaturadaimagem|Pena dourada usada pela Princesa Isabel na assinatura da Lei Áurea. Nela há várias peças raras, como a moeda Peça da Coroação, com tiragem de apenas 64 exemplares, cunhada a mando do Imperador D. Pedro I para comemorar sua coroação em 1822, a medalha de homenagem a Louis Pasteur, bulas dos Papas Clemente VI (século XIV) e Júlio II (séculos XV e XVI) e a Insígnia Imperial Ordem da Rosa, criada para perpetuar a memória do segundo casamento de Dom Pedro I com Dona Amélia de Leuchtenberg. miniaturadaimagem|291x291px|Pintura de Pedro II presente no Senado Imperial. Foi perfurada por uma espada durante a Proclamação da República em 1889.O acervo museológico inclui ainda a Reserva Técnica do museu, com mais de 22 mil itens datados dos séculos XVI ao XXI. Nela estão presentes itens de diversos tipos de materiais, como madeira, metal, marfim, vidro, mármore, ouro, porcelana e gesso, além de quadros, joalheria, cestaria, esculturas, brinquedos, armaria e têxteis.

O Museu Histórico Nacional também preserva um acervo sobre suas publicações, pois desde a sua criação ele se dedica à produção e à divulgação de conhecimento nas áreas de História, Patrimônio e Museologia. Desde 1940 a instituição publica seus Anais, periódico de caráter científico, e a partir de 1999 passou a publicar em livro as apresentações do Seminário Internacional que começou a promover na década de 1990.

Visitação

Desde dezembro de 2024 o circuito expositivo permanece fechado para obras de modernização. Com reabertura parcial em novembro de 2025, quando as galerias de exposição temporária serão ocupadas até 1º de março de 2026, o MHN prevê a reabertura oficial para 2026.


Entre as exposições do circuito de longa duração estão:

No pátio dos Canhões está a coleção de canhões do museu e reúne exemplares de Portugal, Inglaterra, França, Holanda e do Brasil. Foi a primeira exposição do país a ter legendas em braile; "Do Móvel ao automóvel: transitando pela História" mostra 29 peças como cadeirinhas de arruar, carruagens e berlindas. Uma das raridades dessa exposição é o carro Protos, pertencente ao barão do Rio Branco enquanto Ministério das Relações Exteriores, e um dos dois únicos existentes no mundo; O pátio Gustavo Barroso apresenta esculturas de diversos autores brasileiros - com destaque para os conjuntos escultóricos de Eduardo de Sá; O pátio da Minerva apresenta uma coleção de escudos com a representação heráldica de portugueses ilustres do período colonial; "Îandé: aqui estávamos, aqui estamos" é dedicada à presença dos povos originários no país, desde o passado mais remoto até os dias atuais; "Portugueses no Mundo" mostra o processo de colonização e seus desdobramentos econômico-culturais, compondo-se de peças ligadas à navegação, às culturas de cana-de-açúcar e café, à mineração, à chegada da corte portuguesa no Brasil; "A Construção do Estado" procura retratar a Independência do Brasil, o período imperial e à imigração do século XIX, entre outros assuntos relacionados à essa época; "Cidadania" apresenta um panorama da história recente do país, desde a proclamação da República até a história contemporânea. miniaturadaimagem|Reconstituição da "Pharmácia Homeopática Teixeira Novaes", que foi fundada em 1847.