The Spirit é um fictício herói de histórias em quadrinhos estadunidenses criado pelo cartunista Will Eisner e publicado pela primeira vez em 2 de junho de 1940 no suplemento dominical de 16 páginas conhecido informalmente como "The Spirit Section",distribuído para 20 jornais pelo Register and Tribune Syndicate com uma tiragem combinada que alcançava 5 milhões de exemplares a cada publicação e que continuou até 5 de outubro de 1952. Eisner trabalhou como editor, mas também escreveu e desenhou a maioria das histórias. Outros artistas que colaboraram sem créditos com o trabalho foram Jules Feiffer, Jack Cole e Wally Wood, que respeitaram a visão singular do autor para com o personagem. Entre as décadas de 1960 e 1980, o herói foi publicado pela Harvey Comics, e recebeu muitas republicações da Warren Publishing e Kitchen Sink Press. Nas décadas de 1990 e 2000, Kitchen Sink Press e DC Comics publicaram novas histórias do Spirit, de autoria de outros artistas.

The Spirit era um dos nomes de Denny Colt, um detetive policial que fora considerado morto, mas que na verdade vivia secretamente como um anônimo lutador no mundo do crime, apoiado pelo seu velho amigo e chefe da polícia de Central City, Comissário Nolan. Sua base era no cemitério da cidade. As histórias abordavam uma larga variedade de situações: crime, romance, mistérios, horror, comédia, drama e humor negro.

As histórias de The Spirit tinham sete páginas cada. As 16 páginas da seção do jornal normalmente incluíam mais duas tiras com quatro páginas cada (inicialmente Mr. Mystic e Lady Luck). A história mostrava semelhanças com Batman e Dick Tracy, com vilões coloridos e era contada em sequência rápida. Sua origem e a máscara negra lembra o popular Lone Ranger.

História da publicação

Ao final de 1939, Everett M. "Busy" Arnold, editor das histórias em quadrinhos da Quality Comics, percebeu que muitos jornais norte-americanos começaram a explorar o filão das revistas de histórias em quadrinhos. Dois meses antes do surgimento de The Spirit Section, o Chicago Tribune lançara a revista Chicago Tribune Comic Book. Arnold preparou uma peça de apresentação com o material da Quality Comics. Um editor do The Washington Star gostou da história de The Clock de George Brenner mas não do trabalho artístico, preferindo os desenhos de Lou Fine. Arnold, preocupado com a meticulosidade e com o cumprimento de prazos daquele ilustrador, afirmou que era trabalho de Eisner, o chefe de Fine do Estúdio Eisner & Iger, de quem Arnold adquirira os quadrinhos de forma terceirizada.

Pouco antes do natal de 1939, Eisner foi chamado para uma conversa. Ele assim citou o encontro (em tradução livre, assim com as demais desse artigo): Panels #1 (verão de 1979), "Art & Commerce: An Oral Reminiscence by Will Eisner", pp. 5-21, citado em "Arnold veio até mim e disse que os jornais de domingo estavam procurando um jeito de aproveitarem o "boom" das revistas em quadrinhos (comic book) que ocorria no país". Em entrevista de 2004, Eisner detalhou a conversa:

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Eisner negociou e concordou com os direitos para a sindicalização de The Spirit para Arnold mas "Foi escrito no contrato que eu tinha com 'Busy' Arnold — e este contrato é a base para minha propriedade do direito de autor (copyright);— que ele concordava com a minha propriedade. Eles concordaram que se nós nos separássemos de qualquer forma, a propriedade reverteria para mim na data em que ocorresse. Meu advogado procurou 'Busy' Arnold e família, e eles assinaram o acordo em que abriam mão da propriedade". E esse documento também alcançou as histórias secundárias "Mr. Mystic" e "Lady Luck."

Vendendo a sua participação da firma para Iger, que continuou a aceitar quadrinhos sob encomenda com o nome de S. M. Iger Studio e Phoenix Features até 1955, por 20.000 dólares,Kitchen, Denis. "Annotations to The Dreamer, in Eisner, Will, The Dreamer (W.W. Norton & Company, New York, 2008), p. 52. ISBN 978-0-393-32808-0 Eisner iniciou a criação de The Spirit. "Eles me deram uma audiência adulta", disse o autor em 1997, "e eu queria escrever coisas melhores do que super-heróis. As revistas em quadrinhos tinham sido um gueto. Eu vendi minha parte da empresa para meu sócio e então comecei The Spirit. Eles queriam um personagem heroico e uniformizado. E perguntaram se teria um disfarce. Eu coloquei uma máscara nele e disse: "Sim, ele tem um disfarce!".

Sobre o personagem e o tipo de histórias, Eisner contou em 1978 que fora derivado de seu desejo de

O nome do personagem, conforme Eisner disse naquela entrevista, veio de Arnold: "'Busy' Arnold me ligou e sugeriu um tipo de fantasma ou alguma espécie de personagem metafísico. Ele disse: "Que tal uma coisa chamada the Ghost? e eu respondi: 'Não, não é nada bom' e ele continuou: 'Bem, então chamamos de Spirit; nada existe em volta'. Eu disse: 'Bem, eu não sei o que isso significa'. E ele retrucou: 'Bem, isso é com você—Eu apenas gosto das palavras "the Spirit"'. Ele estava telefonando de algum bar, eu pensei... E,na verdade, quanto mais eu pensava sobre aquilo mais eu achava que não me importava com o nome"."Will Eisner Interview", The Comics Journal #46 (maio de 1979), p. 37. Entrevista entre 13 e 17 de outubro de 1978

The Spirit tinha inicialmente oito - e depois sete - páginas de uma série de um vigilante urbano contra o crime, acompanhado inicialmente das aventuras de "Mr. Mystic" e "Lady Luck", completando as 16 páginas do suplemento dominical (informalmente chamado de "The Spirit Section"), distribuído em 20 jornais cuja circulação combinada alcançava 5 milhões de exemplares.Eisner, The Dreamer, "About the Author", p. 55 O lançamento foi em 2 de junho de 1940, e continuou até 5 de outubro de 1952.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, Eisner foi convocado pelo exército, com apenas seis meses para resolver suas coisas. Na ausência do artista, o syndicate que comercializava seus quadrinhos passou a usar escritores e artistas fantasmas para continuar a história, entre eles Manly Wade Wellman, William Woolfolk e Lou Fine. Porém, muitos fãs acreditam que as melhores histórias são aquelas que Will Eisner escreveu e desenhou. O amarrotado e corajoso herói mascarado, que tinha sua base sobre a tumba de sua identidade de Denny Colt, supostamente morto,detalhava o cenário da cidade grande, refletindo e influenciando os filme noir da década de 1940. Em algumas aventuras o herói aparecia pouco, quase de forma incidental, enquanto a narrativa principal desenvolvia um drama da vida real passado nas ruas, nos cortiços dilapidados e nos quartos esfumaçados. Ainda que violento e passional, The Spirit trazia humor, sutil ou ostensivo. Ele era metralhado, feito de bobo, machucado, muitas vezes espantado e próximo da imobilidade e constantemente enganado por mulheres bonitas.

Eisner desenvolveu um estilo cinematográfico; com o uso de sombras e ângulos diferentes de visão (inspiração tirada de Film noir). E desenhava de forma que o leitor se identificasse com o personagem. O título "The Spirit" era normalmente integrado ao fundo ou a paisagem da primeira página de cada série.

O editor do The Comics Journal Gary Groth escreveu: "Ao final da década de 1940, a participação de Eisner nas tiras tinha evoluído para um maior papel de supervisão. ... Eisner contratou Jerry Grandenetti e Jim Dixon para ocasionalmente arte-finalizarem seus desenhos. Em 1950, [Jules] Feiffer escrevia a maioria das histórias e Grandenetti, Dixon e Al Wenzel cuidavam dos desenhos " — Grandenetti desenhava como um artista-fantasma, seguindo o estilo de Eisner. Disse em 2005 que antes de demiti-lo, Eisner "tentava de tudo". Tinha me dado o desenho de 'The Spirit'. Mais tarde foi Wally Wood", quem desenhou os últimos trabalhos

The Spirit parou de ser publicado em meados dos anos cinqüenta, quando começou "Trip to the Moon " por Eisner e Wally Wood.

Levando em consideração as características atuais, The Spirit foi publicado por muitos anos. Kitchen Sin Press publicou reimpressões extensas da série, primeiro em formato grande e preto e branco e como os tradicionais livros que eram vendidos no comércio. Antes mesmo do falência da editora, uma nova série de The Spirit passou a ser produzida por muitos talentos dos quadrinhos. A DC Comics relançou a série.Superherohype.com

Outras fases das publicações dos quadrinhos

1960s

Uma história de cinco páginas de Spirit, ambientada na cidade de Nova Iorque, apareceu como parte de um artigo de 6 de janeiro de 1966 no New York Herald Tribune.

Harvey Comics republicou muitas histórias de Spirit em dois álbuns gigantes, em outubro de 1966 e março de 1967, com novas capas de Eisner.

A primeira dessas revistas de 60 páginas abriu com uma nova história de sete páginas recontando a origem de Spirit por Eisner (com a arte-finalização com ajuda de Chuck Kramer). Também novo foi o texto "An Interview With the Spirit", creditado a Marilyn Mercer; e duas páginas escritas e desenhadas por Eisner com o título "Spirit Lab: Invincible Devices". Sete tiras de 1948-1949 foram republicadas.

A segunda revista abriu com uma história de sete páginas inédita escrita e desenhada por Eisner, "Octopus: The Life Story of the King of Crime", narrando pela primeira vez a origem do nêmesis de Spirit, The Octopus, bem como revelando seu nome (Zitzbath Zark). Também inédito foi o texto de duas páginas com o título "The Spirit Answers Your Mail", e duas páginas escritas e desenhadas por Eisner com o título de "The Spirit Lab: The Man From MSD". Foram republicadas sete aventuras do Spirit, de 1948-50.

1970s Warren Publishing e mais tarde Kitchen Sink Press de Denis Kitchen republicaram muitas aventuras, primeiro em revistas de tamanho grande, em preto e branco (com eventualmente uma seção colorida), depois em formato trade paperback. As revistas receberam novas capas de Eisner.

Duas novas aventuras foram escritas durante esse período: "The Capistrano Jewels", história de quatro páginas publicada na segunda revista da Kitchen Sink republicada em 1972; e "The Invader", com 5 páginas (republicada em The Will Eisner Color Treasury). A revista 30 da série da Kitchen Sink trouxe "The Spirit Jam", com um roteiro de Eisner a arte-finalização de algumas páginas, mais a contribuição de outros 50 artistas.

1980s Kitchen Sink Press republicou o trabalho de Eisner depois da guerra, em quadrinhos coloridos. Foi começada outra série para republicação das histórias iniciais; mas foram lançadas apenas 10 edições.

1990s e depois Kitchen Sink também publicou uma série inédita de Spirit entre 1996-1997, incluindo contribuições de Alan Moore, Dave Gibbons, Paul Chadwick, Neil Gaiman, Joe R. Lansdale e Paul Pope.

Em meados da década de 2000, DC Comics começou a republicar The Spirit cronologicamente, em tamanho menor do que as publicações de Kitchen Sink e Warren.

A última aparição de The Spirit (produzida por Eisner) está em um número recente de The Escapist, publicação da Dark Horse Comics.

DC Comics A DC Comics lançou o exemplar único (one-shot) Batman/The Spirit em janeiro de 2007, com texto de Jeph Loeb e arte de Darwyn Cooke e J. Bone, que introduziu Spirit no Universo DC, apesar de uma breve aparição em Batgirl: Year One. A primeira revista da série The Spirit, escrita e desenhada por Cooke e arte-finalizada por J. Bone, estreou no mês seguinte. A publicação foi até o número 32 (agosto de 2009), com aventuras de 22 páginas em sua maioria. A série atualizou alguns conceitos, como a habilidade de Ellen com a Internet ajudando a resolver um caso, e Ebony White despojado de seus estereótipos raciais. Mark Evanier e Sergio Aragones foram os artistas regulares da série, e Mike Ploog e mais tarde Paul Smith providenciaram a arte-finalização.

Em 2009, a DC licenciou o personagem novamente para o evento The First Wave, faziam parte desse universo: Doc Savage, Batman, Canário Negro, Falcões Negros, O Vingador, Rima, entre outros.

IDW Publishing