Luiz Baú (Itatiba do Sul, 21 de junho de 1939 - desaparecido em 30 de junho de 1980) foi um assassino em série brasileiro, tendo alcançado notoriedade na década de 1970 ao cometer cinco assassinatos nos municípios de Erechim e Itatiba do Sul, fato que o levou a ser conhecido como "O Monstro de Erechim".

Nascido no distrito de Sete Lagoas, interior da cidade de Itatiba do Sul, Luiz Baú era um trabalhador do campo que conciliava as atividades na agricultura com trabalhos de benzimento e curandeirismo. Após divorciar-se de sua esposa, supostamente por ter contraído caxumba e se tornado estéril, Luiz Baú passou a viver na comunidade de Linha Jubaré, no interior de Itatiba do Sul, na casa de uma mulher viúva que possuía dezessete filhos. Ele desenvolveu uma relação de proximidade com um desses filhos e, em 1975, após descobrir que ele iria se mudar para a cidade de Garibaldi para estudar em um seminário, Luiz Baú o assassinou com requintes de crueldade. Foi diagnosticado com "esquizofrenia simples" pelo Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) Maurício Cardoso e sentenciado a cumprir pena no Presídio Estadual de Erechim.

Considerado um preso exemplar, Luiz Baú surpreendeu policiais e agentes penitenciários quando fugiu em janeiro de 1980, fato que não chamou a atenção da mídia dado o seu temperamento visto como tranquilo. No período entre 12 e 16 de fevereiro, Luiz Baú cometeu quatro assassinatos, de três meninos nas comunidades do Rio Toldo e do Rio Tigre, e de um chacareiro no bairro Aeroporto. Em todas elas, o criminoso apresentou o mesmo modus operandi e esfaqueou as vítimas. A violência dos crimes fez com que as comunidades de Erechim e da região se mobilizassem para prendê-lo.

Foi finalmente detido no dia 21 de fevereiro, na Rodovia Transbrasiliana, após engajar em luta corporal com o policial-chefe da cidade. Devido ao receio de que fosse linchado por parte da comunidade erechinense, Luiz Baú foi novamente transferido para o IPF. Lá permaneceu por cinco meses, fugindo novamente em 30 de junho de 1980, e desde então não se teve mais informações concretas a respeito do seu paradeiro.

Biografia Luiz Baú nasceu em 21 de junho de 1939, filho do casal de agricultores Florindo e Vitória, no distrito de Sete Lagoas, município de Itatiba do Sul, onde viveu até alcançar vinte e oito anos de idade. Oriundo de uma família pobre, destacou-se como trabalhador do campo por mostrar uma grande força física. Luiz conciliava essa atividade com a ocupação de curandeiro, ofício que realizava por meio de benzimentos com ervas e chás.

Após o falecimento de seu progenitor, Luiz entrou em desavenças com o seu irmão João, com quem disputava o controle da propriedade familiar Estas discussões resultaram em um conflito no qual João agrediu Luiz com golpes de martelo, o qual revidou com tiros de espingarda que atingiram um olho, um braço e uma perna de João, que carregou sequelas no caminhar para o resto da sua vida.

Após esse episódio, Luiz Baú passou a residir na cidade de Chapecó, no estado de Santa Catarina, onde trabalhou em uma chácara de seu tio Júlio. Ali, casou-se com uma das empregadas do local, chamada Nilde Pinto de Quadros, em 7 de outubro de 1967. Não há mais informações sobre a vida de Luiz enquanto casado, mas sabe-se que em 1972 os dois não estavam mais em união estável e que nesse período Luiz foi acusado dos crimes de agressão e furto. Suposições afirmavam que Luiz teria contraído caxumba neste período e, por esse motivo, se tornado estéril, fato que teria feito com que a sua esposa decidisse por deixar o relacionamento que tinha com ele.

Crimes Assassinato em Linha Jubaré Durante o inverno de 1974, Luiz Baú chegou a uma propriedade na Linha Jubaré, no município de Itatiba do Sul. Ali ele conheceu a família de Maria Zarpelon, que era viúva e mãe de dezessete filhos, e, graças às suas habilidades de trabalho no campo, foi acolhido pela família. Seu trabalho como curandeiro fez com que ele mantivesse uma relação mais próxima com Francisco Zaperlon, o décimo segundo filho do casal, que possuía asma. Ele teria passado a trata-lo por essa época, quando Francisco tinha doze anos de idade.

A relação com Francisco tornou-se muito próxima, e Luiz Baú envolveu-se em discussões com o professor da escola e o ministro da paróquia local, ocasiões em que demonstrou um sentimento de posse pelo menino. Após o retorno de um dos dezessete irmãos, que estava cumprindo o serviço militar obrigatório, foi levantada a suspeita de que ambos estavam mantendo uma relação homossexual e a família passou a desconfiar das atitudes de Luiz, que estava em companhia de Francisco em matos e rios durante todo o dia, retornando apenas ao anoitecer. Com isso, a família tomou a decisão de enviar Francisco para estudar no Seminário da Igreja Católica da cidade de Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Essa atitude deixou Luiz Baú extremamente descontente, que passou a culpar o professor e o ministro pelo ocorrido.

No dia 26 de fevereiro de 1975, Francisco foi enviado por sua mãe para buscar farinha de milho em um moinho perto de sua residência. Ele foi a cavalo, e deveria passar na casa de alguns parentes. Nesse mesmo dia, Maria contou a Luiz Baú sobre a decisão de enviar Francisco para estudar no Seminário de Garibaldi. Luiz respondeu que sairia da residência e que deixaria o dinheiro recebido nos seus trabalhos para Francisco levar consigo. No entanto, Francisco não retornou à casa da mãe e a família começou a buscar por Luiz Baú, que também desaparecera sem deixar sinais.

No dia seguinte, os familiares foram à casa de seus parentes esperando encontrar Francisco, pois suspeitavam que o menino poderia ter pernoitado lá. No caminho encontraram Luiz Baú, que negou saber de qualquer informação a respeito do jovem desaparecido; entretanto, o dono de uma mercearia próxima comunicou que ele fora visto na companhia de Francisco na tarde do dia anterior. Ao retornar para a residência, um dos irmãos encontrou o cavalo utilizado por Francisco troteando sozinho, com marcas de sangue nos arreios, fato que fez a comunidade se mobilizar para iniciar as buscas pelo jovem.

A polícia da cidade de Aratiba conduziu as buscas junto com os moradores da Linha Jubaré. Dois dias depois eles encontraram um corpo enrolado num pano de malhar feijão, na horta do presidente da capela da comunidade. O corpo encontrado era de Francisco e apresentava sinais de agressão física. O processo-crime apontou que:

A prisão de Luiz Baú aconteceu durante as buscas pelo corpo de Francisco. Ele colocara o corpo perto da casa do presidente da capela por ter desavenças com este e por pretender incriminá-lo sobre o acontecido. A imprensa de toda a região noticiou o crime como um dos mais bárbaros da época; o jornal A Voz da Serra trouxe na capa de sua edição de 6 de março a manchete "A Fera de Itatiba", e o Zero Hora também fez menção ao fato na sua capa. Luiz Baú foi levado ao Instituto Psiquiátrico Forense Maurício Cardoso, de Porto Alegre, para que especialistas traçassem um parecer sobre o seu comportamento e constituíssem o processo criminal contra ele. No laudo, constatou-se que ele era portador de uma "esquizofrenia simples". Em 28 de junho de 1979, sua sentença foi deferida e foi condenado a cumprir uma pena de prisão de quatro anos e sete meses.

Fuga do Presídio de Erechim Enquanto encarcerado no Presídio Estadual de Erechim, na maior parte do tempo Luiz Baú se ocupava da horta do local, cuja produção era usada no sustento dos detentos e dos próprios policiais. Além disso, os policiais da época afirmavam que a convivência com ele era extremamente pacífica, sendo que ele possuía acesso livre a qualquer parte do ambiente.

Considerado preso exemplar pelos agentes penitenciários, Luiz Baú não recebia visitas de parentes e amigos, mas se encontrava com os familiares dos outros presos. Em um desses encontros, Luiz ameaçou a família de um outro detento que também havia cometido um homicídio em Itatiba do Sul naquela época, prometendo queimar a residência desse indivíduo, fato que deixou a comunidade da Linha Jubaré em alerta por alguns meses. Ainda assim, era considerado um dos melhores presidiários e recebeu o direito de trabalhar em uma colônia penal no bairro Frinape, a cerca de dez quilômetros do presídio, bem como de ajudar em uma chácara pertencente ao diretor do presídio, no bairro Aeroporto, distante oito quilômetros do presídio.

No dia 20 de janeiro de 1980, Luiz Baú estava a trabalhar na chácara do diretor do presídio quando desapareceu por volta do meio-dia. Mesmo após a fuga, não houve mobilização por parte da polícia para recapturá-lo, sendo que somente vinte e três dias depois do acontecido a mídia local e estadual começou a noticiar que o "psicopata de Erechim" (Correio do Povo) havia desaparecido. Durante os dias em que esteve desaparecido, Luiz Baú vagou por diversas comunidades do interior de Erechim, Gaurama, Áurea e Getúlio Vargas. Foi avistado no dia 9 de fevereiro daquele ano no Povoado Argenta, no interior de Erechim, com uma mochila nas costas e de pés descalços.

Assassinatos em Erechim Ao adentrar a comunidade Rio Toldo, por volta do dia 12 de fevereiro, Luiz Baú cometeu o seu segundo assassinato, com o mesmo modus operandi do primeiro, na Linha Jubaré. Jandir Cardoso, que na época possuía doze anos, era filho de um casal que, por volta das dezesseis horas daquele dia, o havia enviado para comprar velas e fósforos em um armazém. Não havendo retornado à casa, a família então decidiu ir até o armazém e constatou que o rapaz havia feito a compra e saído do estabelecimento, confirmando assim o seu desaparecimento e mobilizando a comunidade em suas buscas.

No dia seguinte, às quinze horas da tarde, o corpo de Jandir foi localizado por moradores que observaram pingos de sangue em uma plantação de milho. Foi encontrado um facão em cima de pés de capim e, sob esse facão, o corpo estava enterrado dentro de um buraco, de cabeça para baixo. O laudo da necropsia do Hospital de Caridade de Erechim confirmou que Jandir havia sofrido ruptura do esfíncter anal e amputação total do pênis.

Após esse acontecido, as suspeitas sobre o crime recaíram sobre Luiz Baú, que teve a prisão preventiva declarada pela Polícia de Erechim. Foram iniciadas as buscas pelo sujeito, que então havia retornado para Erechim e alcançado outra vila, a comunidade de Rio Tigre, onde cometeria mais dois assassinatos.

No dia 15 de fevereiro, Gelson Ribeiro, de onze anos, e Paulo Grando, de oito anos, estavam conduzindo vacas de sua vizinha a cerca de um quilômetro de distância da residências onde moravam, e não retornaram para casa. Esse fato deixou os pais dos meninos aflitos, que decidiram iniciar as buscas, juntamente com as outras vinte famílias que residiam na comunidade. Os corpos foram encontrados na manhã do dia seguinte, próximos à área em que os meninos costumavam apascentar o gado da vizinha. As características dos assassinatos eram as mesmas da morte de Jandir, confirmadas pelas necrópsias do Hospital de Caridade.

Luiz Baú tentou fazer uma quinta vítima no dia seguinte, 16 de fevereiro, quando chegou no Povoado Argenta e se aproximou de Lindomir Truylia, na época com onze anos de idade, e começou a correr atrás dele dentro de uma olaria. O menino conseguiu fugir até onde estava seu pai e escapar ileso. Mostrada uma fotografia de Luiz Baú, Lindomir o identificou como o indivíduo que o perseguiu naquele dia.