thumb|252px|Flores de Ochna serrulata. thumb|252px|Sauvagesia erecta (sul do Brasil). thumb|252px|Frutos de Ochna mossambicensis. thumb|253px|Flor de Campylospermum schoenleinianum. thumb|252px|Tribo Luxembergieae: Luxemburgia octandra, ilustração thumb|252px|Tribo Ochneae: Campylospermum serratum thumb|252px|Tribo Ochneae: Ouratea floribunda thumb|252px|Tribo Sauvagesieae: Sauvagesia erecta thumb|252px|Subfamília Medusagynoideae: Medusagyne oppositifolia. Ochnaceae, ou ocnáceas, é uma família de plantas com flor, pertencente à ordem Malpighiales,Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. (2007). ISBN 978-1-55407-206-4. que na circunscrição taxonómica que lhe é dada no sistema APG IV (de 2016) agrega 33 géneros e cerca de 550 espécies, principalmente de árvores e arbustos, raramente herbáceas, com distribuição pantropical, embora com algumas espécies nas regiões subtropicais.Rhizophoraceae no APWebsite. Descrição No sistema APG III de classificação das angiospérmicas, a família Ochnaceae foi definida de forma alargada, passando a ter uma circunscrição taxonómica que abrange 550 espécies,Maria do Carmo E. Amaral & Volker Bittrich. 2014. "Ochnaceae". pp. 253-268. In: Klaus Kubitzki (editor). 2014. The Families and Genera of Vascular Plants volume XI. Springer-Verlag: Berlin, Heidelberg,, Germany. (print). (eBook). passando a integrar os agrupamentos taxonómicos que alguns taxonomistas têm tradicionalmente tratado como as famílias separadas Medusagynaceae e Quiinaceae, (agora geralmente consideradas como subfamílias). Num estudo de filogenética publicado em 2014, a família Ochnaceae foi reconhecida em sentido alargado (lato sensu),Julio V. Schneider, Pulcherie Bissiengou, Maria do Carmo E. Amaral, Ali Tahir, Michael F. Fay, Marco Thines, Marc S.M. Sosef, Georg Zizka & Lars W. Chatrou. 2014. "Phylogenetics, ancestral state reconstruction, and a new infrafamilial classification of the pantropical Ochnaceae (Medusagynaceae, Ochnaceae s.str., Quiinaceae) based on five DNA regions". Molecular Phylogenetics and Evolution 78:199-214. . mas pelo menos dois trabalhos publicados depois da adopção do sistema APG III mantiveram as famílias Medusagynaceae e Quiinaceae.Zhenxiang Xi, Brad R. Ruhfel, Hanno Schaefer, André M. Amorim, Manickam Sugumaran, Kenneth J. Wurdack, Peter K. Endress, Merran L. Matthews, Peter F. Stevens, Sarah Mathews, and Charles C. Davis. 2012. "Phylogenomics and a posteriori data partitioning resolve the Cretaceous angiosperm radiation Malpighiales". PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America) 109(43):17519-17524. . Estas famílias não foram aceites pelo sistema APG IV de (2016), pelo que o presente verbete utiliza o termo «Ochnaceae» para designar a circunscrição taxonómica alargada da família, agrupamento que nalgumas publicações aparece designado por «Ochnaceae sensu lato» ou por «ochnoides».
A família compreende principalmente arbustos e pequenas árvores, já que apenas o género Sauvagesia inclui algumas poucas espécies herbáceas. A maioria são árvores de pequenas dimensões (microfanerófitos), com um único tronco curto e erecto. As Ochnaceae distinguem-se pelas sua folhas pouco usuais, frequentemente brilhantes, com nervuras paralelas pouco espaçadas, margens dentadas e estípulas foliares bem distintas. A maioria das espécies é polinizada por vibração.Paul A. De Luca and Mario Vallejo-Marin. 2013. "What's the buzz about? The ecology and evolutionary significance of buzz pollination". Current Opinion in Plant Biology 16(4):429-435. . Em oito dos géneros da tribo Sauvagesieae, a morfologia da flor é modificada após a ântese (abertura), através da proliferação celular que ocorre nos tecidos internos da flor. Morfologia Os membros da família Ochnaceae são árvores de pequeno a médio porte, arbustos ou, raramente, herbáceas (com ocorrência restrita ao género Sauvagesia), hermafroditas, com folhas alternas, coreáceas, com margens conspicuamente serradas, simples ou raramente pinaticompostas (no género Krukoviella e na subfamília Quiinoideae) ou pinadas (no género Rhytidanthera), frequentemente com numerosas nervuras secundárias paralelas. Excepto no género Medusagyne, estão presentes estípulas foliares, frequentemente laciniadas. Em múltiplas espécies ocorrem folhas compostas lobadas nas plântulas e nas plantas juvenis.
A venação paralela atrás referida é frequentemente de aparência escalariforme (em forma de escada), com nervuras secundárias e terciárias muito próximas entre si. O pecíolo foliar está ausente (folhas sésseis) ou é muito curto, por vezes assemelhando-se a um pulvino.
Flores unissexuais são comuns no género Medusagyne e nas Quiinoideae (excepto Froesia), mas restritas a um clado de três géneros nas Ochnoideae. Flores unissexuais ocorrem em Schuurmansia, Schuurmansiella e em Euthemis. As flores são sempre unissexuais em Schuurmansiella. Em espécies polígamas, as flores são frequentemente consideradas como hermafroditas (bissexuais) apenas com base na sua morfologia. O pólen produzido por flores aparentemente hermafroditas tem-se revelado em alguns casos como inaperturado (sem poros), fazendo da flor uma estruturas funcionalmente feminina.
As flores ocorrem em inflorescências axilares, ou rácemos, cimeiras ou panículas terminais. As flores são actinomorfas, com (2–) 3–5 (–10) sépalas livres, imbricadas ou raramente contortas, muitas vezes desiguais, por vezes acrescentes. As pétalas são 4–5 (–10), livres ou conatas apenas na base, imbricadas ou contortas, por vezes reflexas sobre as sépalas. Os estames férteis são 5-10 ou numerosos, raramente apenas 1, livres, com filamentos por vezes persistentes, frequentemente estreitados junto à antera.
As anteras são basifixas a ligeiramente dorsifixas, biloculares, com deiscência longitudinal latrodorsal ou poricida por um ou dois poros apicais ou subapicais. Por vezes estão presentes estaminódios livres ou ocasionalmente fundidos, inseridos em 1–3 verticilos, por vezes petaloides e envolvendo os estames férteis, ou fundidos e formando um tubo em torno do ovário.
O ovário é súpero, inteiro a profundamente lobado, 1–10 (–15)-locular, frequentemente sobre um receptáculo com base engrossada. No género Medusagyne e na subfamília Quiinoideae o ovário apresenta nervuras longitudinais, mas sem quaisquer nervuras em Ochnoideae. Os estiletes são simples ou por vezes ausentes (como no género Cespedesia), apicais ou ginobásicos, com 1-5 estigmas. Nos géneros Medusagyne e na subfamília Quiinoideae ocorre um septo alargado a separar as tecas. Os carpelos são 2-15, ou até 25 em Medusagyne, completamente fundidos ou quase separados.
As flores não produzem néctar, sendo em geral a polinização feita por vibração.
Os frutos são cápsulas septicidas, por vezes aladas, raramente nozes ou carpelos que formam drupas carnudas separadas, semelhantes a bagas, geralmente negras na maturação, dispostas sobre um receptáculo acrescente alongado de coloração avermelhada. O número de sementes varia de apenas uma semente a numerosas sementes por fruto.
As sementes são albuminosas ou exalbuminosas, aladas ou não. O tegumento (casca) frequentemente inclui uma camada de células cristarque, um conjunto de esclereídes contendo cristais de oxalato de cálcio sob a forma de drusas.
Nesta família, especialmente nos géneros Ochna e Campylospermum, ocorrem árvores que acumulam matéria orgânica em decomposição em cavidades nos seus troncos e ramos (pelo que são por vezes designadas por trash basket trees). Distribuição A família Ochnaceae, seja definida em sentido estrito ou lato, tem distribuição natural do tipo pantropical, com apenas algumas espécies cultivadas fora da sua área de distribuição natural. A família apresenta maior biodiversidade na região neotropical, com um segundo centro de diversidade na região afro-tropical. Usos Algumas espécies do género Ochna são cultivadas como plantas ornamentais.Anthony Huxley, Mark Griffiths, and Margot Levy (1992). The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening. The Macmillan Press,Limited: London. The Stockton Press: New York. ISBN 978-0-333-47494-5 (set). A espécie Ochna thomasiana provavelmente é a mais frequentemente plantada, mas é por vezes mal identificada na literatura hortícola.Warren L. Wagner, Derral R. Herbst, and Sy H. Sohmer. Manual of the Flowering Plants of Hawaii, Revised Edition, 1999. Bishop Museum Press: Hololulu
A madeira de duas espécies arbóreas das florestas equatoriais da África Ocidental é comercializada nos mercados internacionais, quase sempre a partir de árvores silvestres abatidas nas florestas naturais. Essas espécies são: Lophira alata Banks ex CF Gaertn., cuja madeira é comercializada sob os nomes de Azobé e de Bongossi (em inglês Red Ironwood), uma espécie que produz árvores com mais de 30 m de altura e 1,5 m de diâmetro, cuja madeira do tipo tropical, isto é sem anéis de crescimento anuais, é considerada resistente a fungos e térmitas e usada como madeira de construção em obras externas, engenharia hidráulica e construção pesada; Testulea gabonensis Pellegr., cuja madeira é comercializada sob o nome de Izombe, uma madeira tropical muito apreciada pela coloração e durabilidade.
As folhas das espécies do género Cespedesia chegam a atingir 1,0 metro de comprimento, sendo usadas na construção de telhados de colmo.
A espécie ruderal Sauvagesia erecta, com distribuição pantropical, é utilizada na preparação de uma tisana (chá de ervas) conhecida como «chá crioulo».
Filogenia e sistemática Até aos anos finais do século XX, as Ochnaceae eram consideradas uma família bastante estranha, difícil de colocar com elevado grau de certeza em qualquer das ordens de angiospérmicas. Mesmo nos anos iniciais do século XXI, alguns autores consideraram o género Strasburgeria como o parente mais próximo das Ochnaceae, e alguns até colocaram aquele género dentro desta família.Armen L. Takhtajan (Takhtadzhian). Flowering Plants second edition (2009). Springer Science+Business Media. . . Apenas o advento das técnicas de filogenética molecular permitiram esclarecer as relações desta família com os grupos próximos, o que levou o sistema APG III a agrupar o género Strasburgeria com o género Ixerba para formar a família Strasburgeriaceae na ordem de rosídeas Crossosomatales.Peter F. Stevens (2001 onwards). "Ochnaceae" At: Angiosperm Phylogeny Website. At: Missouri Botanical Garden Website.
Embora com menor aceitação entre os sistematas, alguns autores consideraram que o género Diegodendron era próximo de Strasburgeria e Ochnaceae. Contudo, os estudos filogenéticos moleculares têm suportado fortemente a inclusão de Diegodendron na ordem Malvales, sendo aí por vezes tratado como um monoespecífico.Clemens Bayer. 2003. Diegodendron. pages 175-177. In: Klaus Kubitzki (editor). 2003. The Families and Genera of Vascular Plants volume V. (volume editors: K. Kubitzki and C. Bayer). Springer-Verlag: Berlin, Heidelberg,, Germany. (print) (eBook). . Presentemente aquele género está colocado na família Bixaceae, embora haja motivos para suspeitar que possa estar mais próximo de Sphaerosepalaceae.
Todos os géneros mencionados acima, bem como os restantes membros das Ochnaceae, foram considerados por muito tempo como taxa anómalos de afinidade incerta. Todos foram colocados, uma vez ou outra, entre as Ochnaceae e perto das Theaceae, uma família agora incluída nas Ericales, uma ordem basal de asterídeas.