Em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X (nascido Malcolm Little), adepto muçulmano afro-americano e ativista que participou do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, foi assassinado no distrito de Manhattan, cidade de Nova York. Enquanto se preparava para fazer um discurso no bairro de Washington Heights, Malcolm foi baleado diversas vezes, morrendo pouco tempo depois no hospital.
Três membros da Nação do Islã, Muhammad Abdul Aziz (Norman Butler), Khalil Islam (Thomas Johnson) e Thomas Hagan (Talmadge Hayer), foram acusados, julgados e condenados pelo assassinato e receberam penas de prisão perpétua. Porém, em novembro de 2021, as sentenças de Abdul Aziz e Khalil Islam foram revertidas.
Especulações sobre o assassinato persistiram por décadas após o tiroteio: com teorias de que ele foi concebido ou auxiliado por líderes e diferentes membros da Nação do Islã, ou por agências estatais. Este assassinato foi uma das quatro mortes de personalidades norte-americanas durante a década de 1960 nos Estados Unidos, ocorrendo dois anos após o assassinato do presidente em exercício John F. Kennedy (1963), três anos antes do ativista Martin Luther King Jr. e do senador Robert F. Kennedy (1968).Shahid M. Shahidullah, Crime Policy in America: Laws, Institutions, and Programs (2015), p. 94.
Ameaças de morte e intimidação pela Nação do Islã Ao longo de 1964, o conflito de Malcolm X com a Nação do Islã se intensificou, culminando em ameaças constantes. Em fevereiro, um líder do Templo Número Sete ordenou o fuzilamento do carro de Malcolm X.Karim, pp.159–160. Em março, Elijah Muhammad, líder da Nação do Islã, disse ao ministro de Boston, Louis Farrakhan, que "hipócritas como Malcolm deveriam ter suas cabeças cortadas";Kondo, p.170. Em abril, a 10ª edição do jornal Muhammad Speaks (órgão de imprensa oficial da Nação do Islã entre 1960 e 1975) apresentou um desenho representando a cabeça decepada de Malcolm X saltitando.Friedly, p.169.
Em 8 de junho, a vigilância do FBI gravou um telefonema no qual Betty Shabazz foi informada de que seu marido estava "praticamente morto".Carson, p.473. Quatro dias depois, um informante do FBI recebeu a denúncia de que "MalcolmX será eliminado."Carson, p.324. A edição de setembro de 1964 da revista Ebony dramatizou o enfrentamento de Malcolm X a essas ameaças ao publicar uma fotografia dele segurando uma carabina M1 enquanto olhava pela janela. Em 18 de fevereiro, Malcolm X relatou em entrevista que era um homem marcado, referindo-se ao rompimento de seus laços com a Nação do Islã, e de que modo isso seria o motivo de sua morte. Ele afirmou múltiplas vezes: "Ninguém pode sair sem problemas, e isso comigo será resolvido com morte e violência".
Em 15 fevereiro de 1965, MalcolmX disse ao entrevistador Gordon Parks que a Nação do Islã estava efetivamente tentando matá-lo.
Assassinato miniaturadaimagem| O palco Audubon Ballroom após o assassinato, com buracos de bala marcados por círculos miniaturadaimagem| Assassino Thomas Hagan sendo contido por um policial no hospital para onde foi levado após o assassinato. Em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm estava iniciando uma palestra para a Organization of Afro-American Unity no Audubon Ballroom de Manhattan, quando alguém na plateia de 400 pessoas gritou: "Negro! Tire sua mão do meu bolso!"Karim, p.191.Evanzz, p.295. Enquanto MalcolmX e seus guarda-costas tentavam acalmar a confusão, um homem avançou e atirou uma vez no peito dele com uma espingarda de cano serrado,Marable, MalcolmX, pp.436–437.Perry, p.366. enquanto dois outros homens atacaram o palco disparando revólveres. MalcolmX foi declarado morto às 15:30, pouco depois de chegar ao Columbia Presbyterian Hospital. A autópsia identificou 21 ferimentos de bala no peito, ombro esquerdo, braços e pernas, incluindo dez ferimentos de bala do tiro inicial de espingarda.Marable, MalcolmX, p.450.
Les Payne e Tamara Payne, em sua biografia vencedora do Prêmio Pulitzer, The Dead Are Arising: The Life of Malcolm X, afirmam que os assassinos eram membros da mesquita de Newark, Nova Jersey, da Nação do Islã: William 25X (também conhecido como William Bradley), foi quem disparou a espingarda.
O atirador membro da Nação do Islã, Talmadge Hayer, foi espancado pela multidão antes da chegada da polícia.Perry, pp.366–367. Testemunhas identificaram os outros atiradores como membros do grupo, Norman 3X Butler e Thomas 15X Johnson.Kondo, p.97. Os três foram condenados por assassinato em março de 1966 e sentenciados à prisão perpétua. Durante o julgamento, Hayer confessou sua participação no assassinato, porém recusou a identificar os outros agressores, exceto para afirmar que não eram Butler e Johnson.Kondo, p.110. Em 1977 e 1978, ele assinou declarações reafirmando a inocência de Butler e Johnson, nomeando quatro outros membros da Nação do Islã, pertencente à Mesquita nº 25 de Newark, como participantes do assassinato ou de seu planejamento.Friedly, pp.112–129. Em 2020, a série documental da Netflix Who Killed Malcolm X? explorou o assassinato e lançou uma nova revisão do caso.
Abdul Aziz (Norman Butler) recebeu liberdade condicional em 1985 e tornou-se o chefe da mesquita do Harlem em 1998, mantendo sua inocência. Na prisão, Khalil Islam (Thomas Johnson) rejeitou os ensinamentos da Nação do Islã e se converteu ao Islã sunita. Libertado em 1987, ele manteve sua inocência até sua morte em agosto de 2009.Marable, MalcolmX, p.474. Hayer, que também rejeitou os ensinamentos da Nação do Islã enquanto estava na prisão, converteu-se ao islamismo sunita, e depois ficou conhecido como Mujahid Halim.Rickford, p.489. Ele estava em liberdade condicional em 2010.Marable, MalcolmX, pp.474–475.
Funeral A exibição pública do corpo de Malcolm ocorreu de 23 a 26 de fevereiro na Unity Funeral Home, no Harlem, e contou com a presença de 14.000 a 30.000 pessoas em luto.Perry, p.374. Durante o serviço fúnebre, alto-falantes foram instalados para a multidão que transbordou o Templo da Fé da Igreja de Deus em Cristo,Rickford, p.252.DeCaro, p.291. e uma estação de televisão local transmitiu o culto ao vivo.
Entre os líderes dos direitos civis presentes estavam John Lewis, Bayard Rustin, James Forman, James Farmer, Jesse Gray e Andrew Young.DeCaro, p.290. O ator e ativista Ossie Davis fez o elogio fúnebre, descrevendo MalcolmX como "nosso príncipe negro brilhante, que não hesitou em morrer porque nos amou tanto".
MalcolmX foi enterrado no Cemitério Ferncliff em Hartsdale, Nova York e amigos pegaram as pás dos coveiros para completar o enterro.Rickford, p.255.
A atriz e ativista Ruby Dee e Juanita Poitier (esposa de Sidney Poitier) estabeleceram o Comitê de Mães Preocupadas, com propósito de arrecadar dinheiro para comprar uma casa para a família de Malcolm e para a educação de seus filhos.Rickford, pp.261–262.
Reações Em um telegrama para Betty Shabazz, Martin Luther King Jr. expressou sua tristeza pelo "chocante e trágico assassinato de seu marido".
Elijah Muhammad disse em uma convenção que "MalcolmX conseguiu exatamente o que pregou", mas negou qualquer envolvimento com o assassinato.Evanzz, p.301. “Não queríamos matar Malcolm e não tentamos matá-lo”, disse Muhammad, acrescentando: “Sabíamos que tais ensinamentos tolos e ignorantes o levariam ao seu próprio fim”.Clegg, p.232.
O escritor James Baldwin, que havia sido amigo deX, estava em Londres quando ouviu a notícia do assassinato. Ele respondeu com indignação aos repórteres que o entrevistaram, gritando: "Vocês conseguiram! É por causa de vocês - os homens que criaram esta supremacia branca - que este homem está morto. Vocês não são culpados, mas foram vocês que o fizeram… Seus moinhos, suas cidades, a vossa violação de um continente começaram tudo isso."DeCaro, p.285.
O New York Post escreveu que "mesmo seus críticos mais perspicazes reconheceram seu brilhantismo — selvagem, imprevisível e excêntrico, mas, no entanto, possuindo uma promessa que agora deve permanecer não realizada."Rickford, p.247. O New York Times descreveu MalcolmX como "um homem extraordinário e distorcido", que "transformou muitos talentos verdadeiros em propósitos malignos" e que sua vida foi "estranha e lamentavelmente desperdiçada". A revista Time o chamou de "um demagogo desavergonhado" cujo "credo era a violência".
alt=Grave site of Malcolm X (El-Hajj Malik El-Shabazz) and Betty Shabazz|miniaturadaimagem| Túmulo de Malcolm X Fora dos Estados Unidos, principalmente na África, a imprensa foi simpática.Rickford, p.248. O Daily Times da Nigéria escreveu que MalcolmX teria "um lugar no palácio dos mártires".Evanzz, p.305. O Ghanaian Times o comparou a John Brown, Medgar Evers e Patrice Lumumba, e o incluiu entre "uma multidão de africanos e americanos que foram martirizados pela causa da liberdade". Na China, o People's Daily descreveu MalcolmX como um mártir, assassinado por "círculos governantes e racistas". Nos Estados Unidos, seu assassinato, escreveu o jornal, demonstrou que "ao lidar com opressores imperialistas, a violência deve ser enfrentada com violência". O Guangming Daily, também publicado em Pequim, afirmou que "Malcolm foi assassinado porque lutou pela liberdade e pela igualdade de direitos".Evanzz, p.306; Em Cuba, El Mundo descreveu o assassinato como "mais um crime racista para erradicar pela violência a luta contra a discriminação".
Alegações de conspiração alt=Louis Farrakhan has been accused of complicity in the assassination.|miniaturadaimagem| Louis Farrakhan em 2005