Uruguaiana é um município brasileiro situado na extremidade ocidental do estado do Rio Grande do Sul, junto à fronteira fluvial com a Argentina e Uruguai, a uma altitude de 66 metros acima do nível do mar. A cidade tem grande importância estratégica comercial internacional, tendo em vista que está localizada equidistante de Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires e Assunção; bem como devido à importância na produção agropecuária nacional, ostentando a liderança na produção de arroz.IBGE Informações sobre a safra 2006 Governo Estadual Produção É o terceiro maior município gaúcho e também da Região Sul em área, com mais de 5.700 quilômetros quadrados.
Geminação Uruguaiana possui três cidades-irmãs: Paso de Los Libres, Argentina. (Desde 2007) Beitunia, Estado da Palestina. (Desde 2018) Port Chester, Estados Unidos. (Desde 2025)
História Ocupação ameríndia e missões jesuítas Toda a região do pampa gaúcho, na qual está contido o atual município, era ocupada, até o século XVI, predominantemente pelos indígenas charruas.KENT, M. e SANTOS, R. V. Os charruas vivem nos gaúchos: a vida social de uma pesquisa de resgate genético de uma etnia indígena extinta no sul do Brasil. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832012000100015&script=sci_arttext. Acesso em 6 de janeiro de 2013.
Dentro do contexto das missões jesuíticas na América, em 1657 foi criada a Estância Santiago (localizada no atual distrito de São Marcos) como parte do grande complexo da Redução de Japeju (Yapeyú), fundada em 1626 e situada do outro lado do rio Uruguai. Até a dissolução das missões, outros postos de gado foram erguidos na região de Uruguaiana para servir à Redução de Japeju, com algumas ruínas existindo até hoje. Posteriormente, a região passou a fazer parte do Reino de Portugal que, a partir de 1814, começa a distribuir sesmarias na região, e muitos desses novos proprietários utilizaram as antigas instalações das estâncias jesuítas.
Fundação e emancipação
No início do século XIX, a 30 quilômetros de Uruguaiana, existia uma localidade chamada Capela de Santana, onde funcionavam um posto fiscal e um acampamento militar e onde existiam alguns ranchos com moradores. No local, as tropas e os comerciantes costumavam atravessar o rio Uruguai. No ano de 1840, o povoado foi destruído por uma violenta inundação.
Por causa da inundação e procurando um local melhor para estabelecer-se, em 24 de fevereiro de 1843 a povoação foi restabelecida e refundada pelo governo farrapo no seu local atual. É a única cidade originada do movimento farroupilha. Sua emancipação ocorreu mais tarde, em 29 de maio de 1846, quando se desvinculou do município de Alegrete, ao qual anteriormente pertencia. Perto de sua emancipação, alguns viajantes da época relatam ter encontrado, no local, não uma cidade brasileira, mas sim uma hispano-francesa em suas relações de vida e comércio, apoiadas naquele tempo mais em Buenos Aires e Montevidéu do que Porto Alegre.
Ao emancipar-se e desenvolver-se, do outro lado da costa do rio Uruguai também se emancipou Paso de los Libres, município localizado na província de Corrientes, na Argentina.
Brasão
As duas lanças de ouro situadas no primeiro quadrante do brasão da cidade simbolizam a fundação de Uruguaiana no contexto da Guerra Farroupilha. No segundo quadrante, a Medalha da Rendição representa a rendição das tropas paraguaias na cidade durante a Guerra da Tríplice Aliança. No terceiro, há uma corrente partida, significando a libertação dos escravos no município, ocorrida quatro anos antes da Lei Áurea. Por fim, no quarto quadrante, três faixas ondeadas de prata representam o Rio Uruguai, que deu nome à cidade..
Escravidão
Uruguaiana, como demonstrado no seu brasão, orgulha-se de ter sido uma das primeiras cidades do Brasil a libertar seus escravos. Em 31 de dezembro de 1884, antecipando-se à proclamação da Lei Áurea (1888), efetuou a abolição da escravatura no território municipal, conforme Ata da Sessão Extraordinária Comemorativa da Redenção dos Escravos da Cidade e Município de Uruguaiana.
Conflitos
Guerra do Paraguai
thumb|300px|Capitulação dos paraguaios em Uruguaiana (P. Blanchard, L'Illustration, 1866).
Entretanto, como Uruguaiana é uma cidade encravada entre solos argentino e uruguaio, não foi tão fácil estabelecer as fronteiras do Brasil, tampouco manter-se a cidade sobre eterna paz. A cidade foi invadida em 5 de agosto de 1865 por tropas paraguaias sob ordens do ditador Francisco Solano Lopes, que ordenou a invasão dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, em represália à intervenção militar brasileira no Uruguai. Era o início da Guerra do Paraguai, envolvendo tropas brasileiras, argentinas, uruguaias e paraguaias, tornando Uruguaiana eixo e palco de uma das batalhas mais importantes do conflito.
O desfecho ocorreu em 18 de setembro, com a rendição dos paraguaios, após 44 dias do sítio da cidade pelas forças da Tríplice Aliança. Na época a cidade contava com cerca de 2 500 habitantes. Após a invasão e rendição dos paraguaios, a cidade encontrou a maioria das residências e demais estabelecimentos destruídos, porém, aos poucos, a cidade foi se recuperando e, em 1900, a cidade já possuía cerca de 23 194 habitantes.
Desenvolvimento miniaturadaimagem|238x238px|Uruguaiana, s.d. Arquivo Nacional. Pelos anos de 1890 a 1900, a cidade era um ícone importante no comércio riograndense, sendo que, através de seus portos, circulavam materiais provindos da Europa. Os produtos vinham de Caseros e subiam o rio Uruguai via barcos, gerando um comércio alternativo ao de Porto Alegre.
Em 1892, a cidade aprovou sua primeira lei orgânica, sob o regime dos republicanos e, em 1896, foi nomeado o coronel Gabriel Rodrigues Portugal como seu primeiro intendente (prefeito).
História recente
Por ter sofrido várias incursões militares, se tornou uma importante peça no cenário militar da América Latina. É importante rota de cargas e tem bastante atividade turística. Atualmente, ostenta o título de maior porto seco da América Latina e terceiro maior do mundo.
Geografia
Uruguaiana é a maior cidade da região oeste do estado em população, e o terceiro maior município do estado em área territorial, atrás apenas de Alegrete e de Santana do Livramento, com uma área de 5 713 km²(pouco menor que a ilha de Chipre). A zona urbana do município ocupa uma área total de 45,3 km² e está dividida em 26 bairros. Sua população recenseada em 2022 era de 117.210.
Localizado no extremo Oeste do Estado do Rio Grande do Sul, a 29º 46' 55" de latitude Sul e 57º 02' 18" de longitude Oeste, na fronteira com a Argentina, com área urbana de 45,3 Km2, com 270 km de ruas.
Uruguaiana faz fronteira com a República Argentina e é muito próxima do Paraguai e do Uruguai, tendo as capitais Buenos Aires, Montevidéu, Assunção e Porto Alegre equidistantes, sendo ponto estratégico militar e econômico para o Mercosul.
A área urbana de Uruguaiana é ligada à cidade argentina "Paso de los Libres".
O limite se encontra exatamente no meio da Ponte Internacional, que possui dois nomes - "Getúlio Vargas" na metade brasileira e "Agustín Justo" na metade argentina.
Até meados dos anos 1990, Uruguaiana fazia fronteira com a cidade uruguaia de Bella Unión, através do distrito da Barra do Quaraí. Com a emancipação do distrito, em 1995, findou-se essa característica uruguaianense. Ainda assim, o município faz divisa com terras da República Oriental do Uruguai ao sul, sendo um dos poucos municípios brasileiros com tríplice fronteira.
Demografia Estima-se que haja, no município, 25 083 economias prediais e 6 044 terrenos não ocupados, com 25 habitantes por hectare.
Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Uruguaiana por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 10/01/2019 Julho 28/07/1960 Fevereiro 24/02/1983 Agosto 13/08/1971 Março 19/03/2002 Setembro 30/09/1953 Abril 15/04/1959 Outubro 24/10/1934 Maio 28/05/1967 Novembro 03/11/1982 Junho 05/06/1992 Dezembro 21/12/2014 Período: 1931-presente Uruguaiana possui a maior amplitude térmica do país, por isso as estações do ano são bem distintas, com verão quente, um pouco amenizado pelo efeito das águas do Rio Uruguai. No outono é temperado, com ocorrência de queda de folhas, mas também é nesse período que acontece o "veranico", época de calor comparado ao verão entre os meses de abril e maio. O inverno é frio, com temperaturas negativas nas partes mais altas do município, com ocorrência de geada e nevoeiro. A primavera é o início da floração. A partir do mês de outubro o calor começa novamente, com a proximidade do verão.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1931 a menor temperatura registrada em Uruguaiana foi de em 8 de junho de 2012 e a maior atingiu em 27 de fevereiro de 2022. Este foi o recorde de maior temperatura registrada no Rio Grande do Sul até 4 de fevereiro de 2025, quando a cidade de Quaraí, na fronteira com o Uruguai, registrou de máxima durante a tarde.
O maior acumulado de precipitação em 24 horas atingiu em 15 de abril de 1959. Outros acumulados iguais ou superiores a foram: em 10 de janeiro de 2019, em 5 de junho de 1992, em 24 de outubro de 1934, em 13 de outubro de 1997, em 28 de maio de 1967, em 12 de abril de 1992, em 24 de fevereiro de 1983, em 27 de janeiro de 1998 e em 5 de maio de 1983. Desde 1961, janeiro de 2019 foi o mês de maior precipitação, com .
Economia
Na economia uruguaianense, destacam-se a cultura de arroz (por ser o maior produtor da América Latina do grão), gado bovino de raças nobres europeias, gado ovino de corte e lã, gado bubalino de corte (município líder no estado); e o comércio exterior, este último devido à vasta infraestrutura portuária do maior porto seco da América Latina, situado na BR-290 (rodovia que liga Uruguaiana a Alegrete e, mais adiante, Porto Alegre).
Para se ter ideia, em 2006, passaram, pelo local, US$ 6,5 bilhões entre exportações e importações, transitando, por ali, 243 411 caminhões (média diária de 667 veículos).
Devido a tal movimento de cargas internacionais, Uruguaiana tem o maior porto seco da América Latina.
Setor secundário
A cidade orgulha-se de ser a pioneira no refino de petróleo no Brasil, pois, em 1932, foi construída a Refinaria Riograndense de Petróleo, idealizada e formada por comerciantes locais, impulsionou Uruguaiana a notoriedade internacional, devido a importância econômica, militar e social que esta refinaria representava na época.
Esta refinaria tornou-se o berço do atual gigante Grupo Ipiranga, que está espalhado por quase todas as cidades brasileiras, especialmente as das regiões Sul e Sudeste do Brasil.
O gás natural (gasoduto) proveniente da Argentina, o qual é uma fonte energética "limpa", sem desperdício e com alto rendimento permite a Uruguaiana gerar 639 MW, através da denominada AES Uruguaiana, primeira usina termelétrica a operar com gás natural no Brasil, que iniciou suas atividades no ano de 2000.
Infraestrutura Ao contrário da maioria das outras cidades, que iniciaram como uma aldeia ou sede de um clã e que, depois, cresceram lentamente e de maneira disforme, Uruguaiana teve sua área urbana projetada e sua localização estrategicamente escolhida, isto no século XIX, sendo que as fronteiras precisavam de vigilância constante e que demonstrassem uma imponência cultural perante aos países vizinhos.
Por esse motivo, todas as quadras das zonas centrais uruguaianenses possuem 110 metros de lado, e todas as outras medidas são padronizadas, sob uma planície estupenda, a beira do rio Uruguai. Também graças a esse planejamento, calçadas e ruas uruguaianenses são amplas e espaçosas, tornando-se um diferencial de Uruguaiana em comparação às outras cidades brasileiras.