miniatura|Moeda de R$ 1, com a Efígie da República. Uma efígie é uma representação, geralmente em relevo, "da imagem de um personagem real ou imaginário ou de uma divindade". O termo também é usado para os bonecos improvisados usados para punição simbólica em protestos políticos e para as figuras queimadas em certas tradições ao redor do Ano Novo, Carnaval e Páscoa. Nas culturas europeias, as efígies foram usadas no passado para punição na justiça formal quando o autor não podia ser apreendido, e em práticas de justiça popular de vergonha e exclusão social. Além disso, "efígie" é usado para certas formas tradicionais de escultura, nomeadamente efígies tumulares, efígies funerárias e efígies em moedas.

Há uma grande sobreposição e intercâmbio entre as formas efêmeras de efígies.Florian Göttke, "Burning Images: Performing Effigies as Political Protest", (Tese de doutorado, Universidade de Amsterdã, 2019), 54–55. Efígies tradicionais de feriados são muitas vezes carregadas politicamente, por exemplo, quando as figuras generalizadas Año Viejo (o Ano Velho) ou Judas na América Latina são substituídas pela efígie de um político desprezado. Formas tradicionais também são emprestadas para protestos políticos. Na Índia, por exemplo, efígies em protestos regularmente assumem a forma do rei demônio de dez cabeças Ravana, como figuram no tradicional Ramlila. No México e nos Estados Unidos, piñatas retratando um político são às vezes levadas a protestos e espancadas até virar pasta. Procedimentos de justiça formal e popular são apropriados quando a efígie de um político em um protesto figura em um julgamento simulado, execução simulado e funeral simulado.

Em todos os casos, exceto as efígies tradicionais, há uma ênfase nos aspectos sociais e políticos da pessoa retratada. Efígies tumulares e efígies funerárias exibem vestimentas e insígnias de cargo que indicam status social; efígies em moedas são sinais de soberania; a punição formal de uma efígie era sinônimo de morte social; a punição popular visava humilhar e excluir o retratado; efígies em protestos políticos ridicularizam e atacam a honra do político visado.Florian Göttke, Burning Images: Performing Effigies as Political Protest, (Tese de doutorado, Universidade de Amsterdã, 2019), 39–40.

Etimologia A palavra efígie é documentada pela primeira vez em inglês em 1539 e vem, talvez via francês, da forma singular do latim , significando "cópia, imagem, semelhança, retrato e estátua".Latdict, s.v. "effigies", http://www.latin-dictionary.net/search/latin/effigies Esta grafia foi originalmente usada em inglês para sentidos singulares: mesmo uma única imagem era "the effigies of ...". (Esta grafia parece ter sido posteriormente reanalisada como um plural, criando o singular effigy.) In effigie foi provavelmente entendido como uma frase latina até o século XVIII. A palavra ocorre em As You Like It de Shakespeare de 1600 (II, vii, 193), onde a escansão sugere que a segunda sílaba é para ser enfatizada, como na pronúncia latina (mas diferente da pronúncia inglesa moderna).

Efígies políticas Enforcar ou queimar a efígie de um inimigo político para ridicularizá-lo e desonrá-lo é uma prática muito antiga e muito difundida. É relatado que em 1328, as tropas do Imperador do Sacro Império Romano Luís IV, em sua campanha na Itália para depor o Papa João XXII, queimaram um boneco de palha do papa.Wolfgang Brückner, Bildnis und Brauch: Studien zur Bildfunktion der Effigies (Berlim: Erich Schmidt Verlag, 1966), 197–201. Queimar efígies em protestos políticos é especialmente difundido na Índia e no Paquistão. Nas Filipinas, a prática surgiu durante a bem-sucedida Revolução do Poder Popular contra o regime do Presidente Marcos. Desde então, os protestos com efígies contra os sucessivos presidentes se desenvolveram em espetáculos elaborados. O Presidente norte-americano George W. Bush e o Presidente Barack Obama foram queimados em efígie inúmeras vezes em protestos contra operações militares e ocupações do Afeganistão e Iraque nos países da região e em outros lugares. Durante a Primavera Árabe de 2011 em diante, efígies dos líderes dos países foram enforcadas no Egito, Líbia, Iêmen e Síria.Florian Göttke, "Burning Images for Punishment and Change", Trigger, Fotomuseum Antwerpen, BE, novembro de 2019.

Nas colônias britânicas na Nova Inglaterra, as performances de efígies ganharam destaque como uma ferramenta eficaz nos protestos contra o Lei do Selo de 1765, levando à Revolução Americana e à fundação dos Estados Unidos da América. Depois disso, tornou-se uma forma estabelecida de expressão política na política dos EUA, e quase todos os presidentes dos EUA foram queimados em efígie em algum ponto de suas carreiras.

O exemplo britânico mais conhecido de uma efígie política é a figura de Guy Fawkes, um dos conspiradores da Conspiração da Pólvora que tentou assassinar o Rei Jaime I em 1605 explodindo a Câmara dos Lordes. Já um ano depois, o 5 de novembro foi declarado feriado para celebrar a sobrevivência do rei e foi comemorado com fogueiras. Logo depois, efígies de Guy Fawkes foram queimadas. Tradicionalmente, as crianças fazem efígies de roupas velhas cheias de palha para pedir "um centavo para o Guy", e as comunidades constroem suas próprias fogueiras. Atualmente, Lewes, na costa sul da Inglaterra, tem as celebrações mais elaboradas da Noite de Guy Fawkes. Sociedades de fogueiras concorrentes fazem efígies de figuras importantes e impopulares nos assuntos atuais e as queimam junto com efígies de Guy Fawkes e do Papa.

Em Porto Said, Egito, o al-Limby (anteriormente conhecido como Allenby) é queimado durante o Festival da Primavera. A tradição começou após a Primeira Guerra Mundial, quando manifestantes queimaram uma efígie do Comissário Britânico para o Egito Lord Allenby durante um protesto contra a presença de tropas britânicas na cidade.Mériam N. Belli, An Incurable Past: Nasser's Egypt Then and Now (Gainesville: University Press of Florida, 2013), 75–162. Na segunda metade do século XX, tornou-se costume retratar inimigos contemporâneos do Egito como o al-Limby. Durante a Primavera Árabe, efígies do Presidente Mubarak e de outros políticos egípcios foram exibidas e queimadas como o al-Limby.Trevor Mostyn, "Will militant Islam hijack Egypt’s beautiful revolution?", weblog Planetary Movement, 21 de abril de 2011, http://www.planetarymovement.org/index.php?option=com_content&task=view&id=536&Itemid=61

Efígies tradicionais alt=Fotografia colorida de um grande boneco de palha com múltiplas cabeças, segurando estrelas fumegantes, em uma área urbana à noite.|vertical=1.2|miniaturadaimagem|Efigie de Ravana, uma figura do Ramáiana, com fogos de artifício fumegantes, em Manchester, Inglaterra, em 2006 A queima de efígies é parte de muitos rituais para marcar a mudança das estações, realizados em toda a Europa em tradições localmente distintas. As figuras geralmente personificam forças adversas da vida (inverno, o ano velho, a bruxa, Judas Iscariotes) e sua queima marca e celebra o ciclo anual de vida — morte e renascimento, a derrota do inverno e o retorno da primavera. A maioria das tradições é encenada ao redor do Ano Novo, no final do Carnaval ou na semana antes da Páscoa.

alt=Fotografia em preto e branco de um grande boneco de palha suspenso sobre uma fogueira em uma rua, com multidão ao redor.|miniaturadaimagem|Queima de Judas Iscariotes, Brasil, 1909 Muitas dessas tradições foram exportadas quando as pessoas migraram para outros países. Colonos europeus trouxeram suas tradições para as colônias, onde podem ter se fundido com tradições locais. Nos países da América Latina, a tradição espanhola de queimar o Año Viejo (Ano Velho) na véspera de Ano Novo e Judas na Sexta-Feira Santa é amplamente praticada. Judas também é queimado nas Filipinas. No México, uma figura dura de papel-machê representando o diabo era usada — representando Judas depois que ele traiu Jesus; e a figura não era apenas queimada, mas era estilhaçada no curso de uma exibição de fogos de artifício.Translated by Content Engine, L. L. C. (16 de abril de 2022). Fiery holy week ‘Burning Judas’ tradition was almost killed by the PRI. CE Noticias Financieras. Recuperado de https://www.proquest.com/docview/2651635920

A tradição de queimar Guy Fawkes foi trazida para a Nova Inglaterra, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e outras colônias britânicas.

Em 1971, professores da Universidade Estadual do Lago Superior criaram um clube no campus chamado Unicorn Hunters (Caçadores de Unicórnio), que estabeleceu uma nova tradição de queimar um boneco de neve no primeiro dia da primavera. A inspiração para a tradição é descrita no site da universidade:

O ritual Marzanna representa o fim dos dias escuros do inverno, a vitória sobre a morte e o acolhimento do renascimento da primavera. Marzanna é uma deusa eslava da morte, associada ao inverno. O rito envolve queimar uma efígie feminina de palha ou afogá-la em um rio, ou ambos. É um costume popular na Polônia, Eslováquia e República Tcheca, ocorrendo no dia do equinócio vernal.

Efígies funerárias Efígies funerárias feitas de madeira, pano e cera desempenharam um papel nos rituais funerários reais no início da França e Inglaterra modernas.Ernst H. Kantorowicz, The King's Two Bodies: A Study in Mediaeval Political Theology (Princeton: Princeton University Press, 1957), 419–37. Seguindo a doutrina europeia medieval do duplo corpo do rei, essas efígies representavam a realeza imortal e divina.Ernst H. Kantorowicz, The King's Two Bodies: A Study in Mediaeval Political Theology (Princeton: Princeton University Press, 1957), 382–84. A efígie era vestida com as regalias reais e tratada como se estivesse viva, enquanto os restos físicos do monarca permaneciam escondidos no caixão. Após a coroação do novo rei, essas efígies eram armazenadas. O museu da Abadia de Westminster tem uma coleção de efígies reais inglesas de cera que remonta a Eduardo III de Inglaterra, que morreu em 1377. No século XVIII, também outras personalidades importantes foram homenageadas com uma efígie funerária, por exemplo o primeiro-ministro britânico Pitt, o Velho, o herói naval Horatio Nelson, o imperador francês Napoleão, e Frances Stewart, Duquesa de Richmond, que também teve seu papagaio empalhado e exibido a seu próprio pedido e custo.

A partir do tempo do funeral de Carlos II em 1685, as efígies não foram mais colocadas no caixão, mas ainda eram feitas para exibição posterior. A efígie de Carlos II foi exibida sobre seu túmulo até o início do século XIX, quando todas as efígies foram removidas da abadia. A efígie de Nelson foi uma atração turística, encomendada no ano seguinte à sua morte e seu enterro na Catedral de São Paulo em 1805. O governo havia decidido que grandes figuras públicas com funerais de Estado deveriam no futuro ser enterradas na Catedral de São Paulo. Preocupada com sua receita de visitantes, a Abadia decidiu que precisava de uma atração rival para os admiradores de Nelson.Abadia de Westminster, "Horatio, Visconde Nelson".

Efígies tumulares

alt=Fotografia colorida de duas esculturas de pedra em tamanho real de um cavaleiro e uma dama reclinados em uma tumba, dentro de uma igreja.|vertical=1.3|miniaturadaimagem|Efígies tumulares duplas ou , Josselin, Bretanha, França; século XV