Eliane Teresinha Giardini (Sorocaba, 20 de outubro de 1952) é uma atriz e diretora brasileira. Graduada na Universidade de São Paulo, tornou-se mais conhecida por suas interpretações marcantes na televisão a partir da década de 1980, onde foi elogiada por sua versatilidade. Giardini é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios APCA, três Prêmios Qualidade Brasil e dois troféus do Festival de Gramado, além de ter sido nomeada a um Prêmio Grande Otelo e dois Prêmios Guarani.
Fez sua estreia profissional como atriz nos palcos em Boca de Ouro (1972), uma adaptação do clássico de Nelson Rodrigues. Entretanto, viria a se destacar mais nas encenações de Cerimônia para um Negro Assassinado (1977), pela qual recebeu seu primeiro Prêmio APCA, e Na Carreira do Divino (1979), que lhe deu aclamação crítica e a fez viajar o país em turnê de apresentação. Logo recebeu seu primeiro convite para telenovelas e fez sua estreia como uma das protagonistas de Ninho da Serpente (1982), na Band. Nos anos seguintes, teve personagens importantes em Vida Roubada (1984), Uma Esperança no Ar (1985) e Helena (1987).
Giardini teve seu primeiro grande papel de repercussão em Renascer (1993) onde deu vida a Dona Patroa. Daí em diante, passou a interpretar uma sequência de papéis de relevância na televisão, sobretudo na TV Globo, com destaque nas novelas Explode Coração (1995), A Indomada (1997), O Clone (2001), América (2005), Caminho das Índias (2009), Tempos Modernos (2010), Avenida Brasil (2012), Amor à Vida (2013), Êta Mundo Bom! (2016), O Outro Lado do Paraíso (2017), Órfãos da Terra (2019), Terra e Paixão (2023) e Mania de Você (2024).
No cinema, fez seu primeiro trabalho no drama O Salário da Morte (1971), produzido por seu tio Waldemar José Solha, mas ganhou maior reconhecimento no romance O Amor Está no Ar (1997), pelo qual recebeu o prestigiado prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado. Giardini é reconhecida por sua versatilidade, tendo atuado nos mais diversos gêneros, com destaque em Sonhos Tropicais (2001), Olga (2004), sendo indicada ao Grande Otelo por esse último, Chatô, o Rei do Brasil (2015), A Fera na Selva (2017) e Deslembro (2019), pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival do Rio.
Primeiros anos miniatura|Vista parcial de uma região de Sorocaba, cidade natal da atriz
Nascida em Sorocaba, interior de São Paulo, seu pai era dono de uma oficina mecânica de carros e sua mãe dona de casa. Eliane Giardini é descendente de italianos por parte de seu pai e descendente de portugueses por parte de sua mãe. Desde a sua infância, descobriu seu ofício como atriz, frequentando ensaios de teatro amador a convite do pai de uma amiga da escola. Nesta época, ela estudava em um colégio de freiras, o qual ela relata que foi muito importante para construir alguns personagens a partir de suas vivências na instituição.
Na juventude, Eliane cogitou cursar filosofia ou letras na faculdade, mas mudou de ideia aos 17 anos com uma visita de seu tio, Waldemar José Solha, que estava de viagem em Sorocaba. Ele estava de viagem à São Paulo para comprar equipamentos necessários para as filmagens de seu novo projeto cinematográfico. Ele então a convidou para interpretar um personagem no filme e ela aceitou, viajando para a Paraíba para as gravações de O Salário da Morte (1971). Ao regressar para São Paulo, com status de atriz de cinema, foi logo convidada para ingressar em um grupo de teatro, o Artes, onde conheceu o ator Paulo Betti, no início dos anos 1970, com quem iniciou um namoro e viria a se casar.
Os dois participaram juntos de um festival de teatro amador, onde encenaram O Pagador de Promessas, em 1971, e foram premiados como Prêmio Governador do Estado. Com o prêmio, conquistaram uma bolsa de estudos e foram aprovados na Escola de Arte Dramática da USP (EAD). No início, Eliane continuou morando em Sorocaba, devido às instabilidades financeiras do casal na capital. Durante dois anos, ela fazia o percurso de viagem entre sua cidade natal e São Paulo para estudar. A sua mãe, que era costureira, fazia uma peça de roupa de encomenda, vendia e dava o dinheiro para a Eliane comprar a passagem. Depois conseguiu se mudar para São Paulo. Na EAD, receberam aulas de interpretação com Celso Nunes, conhecido também como pai do ator Gabriel Braga Nunes, e se integraram a um grupo teatral. Eventualmente, Celso contratou o grupo para colaborar na criação de uma escola de teatro para os estudantes da Unicamp, em Campinas. Esse período foi descrito pela atriz como muito produtivo, em uma escola que seguia diferentes diretrizes e ideias.
Carreira Primeiros trabalhos e avanços (1972–1989) Em 1972, aos 19 anos, Giardini ingressou em seu primeiro projeto profissional no teatro, uma montagem do espetáculo Boca de Ouro, de autoria de Nelson Rodrigues e direção de Emílio Di Biasi, com Paulo Betti também no elenco. No ano seguinte, com praticamente o mesmo elenco, esteve sob a direção de Sylvio Zilber na peça O Inspetor Geral, uma comédia de Nikolai Gogol que satiriza a corrupção dos funcionários do estado. Ainda em 1973, estreou na peça O Doente Imaginário, um texto de Molière, na qual foi dirigida por Antônio Mercado. Prosseguiu sua carreira nos palcos, sendo 1974 um ano muito prolífico em sua carreira, atuando em três de peças: Fora, Diante da Porta, dirigida por Fausto Fuser; Rasto Atrás, direção de Jonas Bloch; e, uma adaptação de Victor, ou As Crianças no Poder, de Roger Vitrac e direção de Celso Nunes.
Em 1979, ganhou maior destaque no espetáculo Na Carrera do Divino, sob direção de Paulo Betti e autoria de Carlos Alberto Soffredini. Excursionou por vários lugares com o espetáculo, que reunia um grupo de amigos de teatro que queriam contar suas próprias histórias, visto que a maioria dos integrantes vinham do interior. A peça foi um sucesso de crítica e público e trouxe maior estabilidade na vida do casal Eliane e Paulo, que à época já tinham uma filha. Em 1981, estrelou o espetáculo Aurora da Minha Vida, onde interpretou uma gama de personagens: a Mãe; a Professora Primária e de Ciências; a Aluna Adiantada; a Freira, e a Professora de Canto Orfeônico. O premiado espetáculo tinha autoria e direção de Naum Alves de Sousa.
Durante uma breve passagem pela TV Tupi, ela conheceu o diretor e ator Antônio Abujamra. Após o fechamento da emissora, Abujamra a convidou para interpretar o papel principal em Ninho da Serpente, de Jorge Andrade, na TV Bandeirantes em 1982. Segundo ela, Abujamra a escolheu para o papel protagonista da novela, apesar das resistências devido ao fato de ser uma atriz de teatro desconhecida e não se encaixar nos padrões habituais de protagonistas de televisão. Ela então foi aprovada no elenco e desempenhou o papel da mocinha Lídia, herdeira de uma família cheia de preconceitos sociais que se envolve com o humilde enfermeiro Mateus (Kito Junqueira). Em sua estreia na televisão, atuou ao lado de grandes nomes: sua personagem era filha de Beatriz Segall, neta de Cleyde Yaconis e sobrinha-neta de Carmem Silva.
Com o fim de Ninho da Serpente, logo foi contratada para integrar o elenco de Campeão (1982), outra produção da TV Bandeirantes, dessa vez em um papel coadjuvante, como Cris. Em 1984, retorna aos palcos na peça Com a Pulga Atrás da Orelha, com a direção de Gianni Ratto. Neste ano, também, foi contratada pelo SBT para atuar na novela Vida Roubada, estrelada por ela e Suzy Camacho. Na trama, interpreta Hilda, jovem rebelde que não vê sua família desde os seis anos de idade quando foi morar em um internato após a morte da mãe. Ela e sua amiga Alice (personagem de Camacho) resolvem fugir do internato, mas Hilda acaba morrendo em um acidente de carro. Alice, sozinha no mundo, decide assumir a identidade da amiga e retorna às fazendas da família dela. Também realizou uma participação especial na novela Meus Filhos, Minha Vida (1984), no papel de "Isabel Montenegro".
Em 1985, estrela a novela Uma Esperança no Ar, também no SBT, no papel de Débora, uma jovem que possui um passado misterioso e desenvolve um romance com Edgar, um político mau-caráter que abandona a grande chance de ascensão política para render-se aos encantos da mulher amada. Após esse trabalho, encerrou o contrato com a emissora e mudou-se para o Rio de Janeiro, visto que seu marido, Paulo Betti, estava contratado pela TV Globo. Lá, foi trabalhar na TV Manchete, atuando na novela Helena (1987), atuando como Joana Mendonça, par romântico de Elias Andreato.
Atriz de projeção nacional (1990–1999) Em sua passagem pela Manchete, conheceu os diretores Denise Saraceni e Luiz Fernando Carvalho. Com a volta de Denise para a TV Globo, ela convidou Eliane para o elenco da minissérie Desejo, onde interpretou Lucinda. Após esse trabalho, logo foi convidada para atuar em sua primeira novela na emissora, sendo escalada para a trama do horário das seis Felicidade, de Manoel Carlos. Sua personagem, Isaura, é uma mulher elegante e dona de um confecção de roupas clandestina, que coordena um grupo de jovens autônomas. Ela é amiga da protagonista Helena, papel de Maitê Proença. A atriz também protagonizou a peça A Fera na Selva (1991) e esteve presente no episódio "Verdades e Mentiras" do programa Você Decide, em 1992, onde o público decidia os rumos que os personagens tomariam por meio de ligações enquanto a trama ia ao ar.
No entanto, foi na novela das nove Renascer, escrita por Benedito Ruy Barbosa, que alcançou o grande público e tornou-se realmente conhecida na televisão, no papel de Dona Patroa. Sua personagem como uma mulher subjugada pelo marido, o Coronel Teodoro (Herson Capri) um coronel que trazia mulheres para dentro de casa. Apesar das dificuldades, ela abraçou o papel com determinação, pedindo permissão ao autor para adicionar suas próprias expressões, inspirada por Guimarães Rosa. Renascer foi um marco em sua carreira, não apenas pelo desafio do papel, mas também pela colaboração com Luiz Fernando Carvalho, com quem compartilhava uma profunda afinidade artística desde os tempos da Manchete. O papel lhe rendeu diversas críticas positivas e seu nome foi citado como uma das mulheres mais belas do país, e também representou para Eliane um crescimento significativo em sua jornada artística e lhe alçou a postos maiores na televisão.
Em 1994, esteve na minissérie Incidente em Antares, baseada no romance homônimo de Érico Veríssimo, que tem um contexto de realismo fantástico e político muito forte e em uma greve geral, sete mortos são impedidos de serem enterrados e, revoltados, vão ao centro da cidade exigir que sejam enterrados. Em 1995, fez uma participação especial na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados e, já no final de 1994, começou a gravar a novela Irmãos Coragem, que estreou na TV Globo em janeiro de 1995. Na trama, interpreta Estela, a esposa de Coronel Pedro Barros (interpretado por Cláudio Marzo), descrita como bonita e vaidosa, insatisfeita com a vida em Coroado. Ela foi obrigada pelo pai a se casar para quitar uma dívida de jogo e não tem afeto por seu marido, a quem considera um homem rude, sujo e violento. Ela frequenta casas de jogos, onde acumula dívidas, e é infiel ao marido, de quem não gosta. Também esteve no episódio "A Casa dos Quarenta" de A Comédia da Vida Privada.