A Fibrasil Infraestrutura e Fibra Ótica S.A., comercialmente conhecida como FiBrasil, é uma empresa brasileira de infraestrutura de telecomunicações que atua como operadora de uma rede neutra de fibra ótica por atacado.

Fundada como uma joint venture entre o Grupo Telefónica — por meio da Telefônica Brasil (dona da marca Vivo) e da Telefónica Infra — e o grupo de investimento global canadense Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ), a companhia foi estabelecida para construir, desenvolver e operar uma rede de acesso aberto com tecnologia Fiber-to-the-Home (FTTH).

A estrutura de governança da FiBrasil é baseada em um modelo de co-controle, no qual o Grupo Telefónica e o CDPQ detêm, cada um, 50% de participação. A estratégia de mercado da empresa concentra-se na implantação de infraestrutura de fibra ótica em cidades de médio porte em todo o Brasil, com exceção do estado de São Paulo, visando acelerar a digitalização e a conectividade em regiões com menor densidade de redes de alta velocidade.

A FiBrasil iniciou suas operações em julho de 2021 com um portfólio de 1,6 milhão de domicílios passados (homes passed - HPs) e, até o final de 2024, estabilizou sua rede em 4,6 milhões de HPs, atendendo a 151 cidades. A Telefônica Brasil figura como sua cliente âncora, um elemento fundamental para a viabilidade e o crescimento inicial do negócio, garantindo uma demanda previsível e de longo prazo para a infraestrutura da rede.

História

Fundação e Joint Venture A criação da FiBrasil foi formalmente anunciada em março de 2021, resultado de um acordo estratégico entre o Grupo Telefónica e a Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ) para estabelecer uma nova operadora de rede neutra e independente no Brasil. Embora o anúncio tenha ocorrido em 2021, a empresa foi legalmente constituída em 8 de dezembro de 2020. A transação marcou um movimento significativo no setor de telecomunicações brasileiro, alinhado a uma tendência global de separação de ativos de infraestrutura por parte das grandes operadoras.

A estrutura do negócio foi desenhada para alavancar as competências complementares de seus sócios. A Telefônica Brasil contribuiu com um portfólio inicial de ativos de fibra ótica, correspondente a uma rede que já cobria 1,6 milhão de domicílios (HPs) em cidades de médio porte. Essa transferência de ativos formou a base operacional da nova empresa. Em contrapartida, o CDPQ comprometeu-se a um investimento total de até R$ 1.8 bilhão, incluindo pagamentos primários e secundários, para adquirir sua participação de 50% na joint venture. Este aporte de capital foi crucial, pois forneceu um plano de negócios totalmente financiado para cumprir a meta inicial de expansão da rede para aproximadamente 5.5 milhões de HPs em um prazo de quatro anos, acelerando a migração de clientes para a fibra e fomentando o desenvolvimento tecnológico do país.

A formação da FiBrasil representa um pivô estratégico fundamental para o Grupo Telefónica, que adotou um modelo de negócios "asset-light" (com menos ativos físicos). A expansão de redes de fibra ótica é uma atividade de capital intensivo, exigindo investimentos massivos (CAPEX) que pressionam o balanço financeiro de uma operadora de varejo e podem desviar recursos de áreas como inovação em serviços e experiência do cliente. Ao criar uma entidade de infraestrutura separada, a Telefônica efetivamente transferiu essa carga de investimento para uma empresa especializada. A entrada de um parceiro financeiro como o CDPQ, que busca retornos estáveis e de longo prazo em ativos de infraestrutura, injetou o capital necessário para uma expansão agressiva que talvez não ocorresse no mesmo ritmo se dependesse exclusivamente dos recursos da Telefônica. O resultado é uma estrutura otimizada: a Telefônica Brasil pode se concentrar em seu negócio principal de serviços e na sua marca, enquanto a FiBrasil se dedica exclusivamente à construção e operação de uma infraestrutura de fibra de alta performance, beneficiando-se de uma gestão focada e de um financiamento robusto.

Aprovações Regulatórias A concretização da joint venture dependia da aprovação de importantes órgãos reguladores no Brasil e no exterior. O processo foi concluído com sucesso em meados de 2021, pavimentando o caminho para o início das operações.

Em abril de 2021, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a operação sem restrições. A decisão do órgão antitruste, publicada no Diário Oficial da União, foi um marco importante. Em sua análise, o CADE concluiu que a criação da FiBrasil não apenas não apresentava preocupações concorrenciais, mas também poderia gerar efeitos pró-competitivos no mercado de telecomunicações. A justificativa foi que o modelo de rede neutra promove uma "desverticalização" parcial da operação do Grupo Telefónica, ao disponibilizar uma infraestrutura de atacado para outras operadoras e provedores de internet (ISPs). Isso permite que mais empresas ofereçam serviços de banda larga ao consumidor final sem a necessidade de construir suas próprias redes, fomentando a competição no varejo.

Posteriormente, em junho de 2021, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concedeu sua anuência prévia, a última etapa regulatória necessária no Brasil antes do início das atividades. A transação também estava sujeita à aprovação da autoridade de concorrência da União Europeia, dado que a Telefónica Infra, uma das acionistas, tem sede na Espanha.

Início das Operações e Expansão Inicial Com as aprovações regulatórias em mãos, a FiBrasil iniciou oficialmente suas operações em 2 de julho de 2021. A empresa partiu de uma base de 1,6 milhão de HPs distribuídos em 34 cidades, herdada da Vivo.

Demonstrando uma estratégia de crescimento agressiva desde o início, a FiBrasil anunciou, já em agosto de 2021, a aquisição da Fiberty 1 (anteriormente conhecida como Phoenix Fiber do Brasil), uma empresa de fibra que pertencia à Blackstone. A Fiberty 1 já possuía uma rede com 170 mil HPs e um pipeline de desenvolvimento para mais 310 mil HPs em 18 cidades adicionais, localizadas nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás. A Telefônica Brasil já era a cliente âncora da rede da Fiberty 1, o que tornou a aquisição uma sinergia natural para a FiBrasil.

Essa aquisição foi um movimento estratégico para acelerar a expansão e consolidar sua posição no mercado. Em vez de depender apenas do crescimento orgânico (construção de novas redes, ou greenfield), a FiBrasil optou por uma aquisição que não só adicionou HPs de forma imediata, mas também eliminou um potencial concorrente em regiões estratégicas. Como resultado direto dessa transação, a FiBrasil aumentou sua meta de expansão de quatro anos, elevando o objetivo de 5,5 milhões de HPs para 6,0 milhões de HPs. Essa ação, realizada apenas um mês após o lançamento oficial, sinalizou ao mercado que a estratégia da empresa envolvia tanto a construção orgânica quanto fusões e aquisições oportunistas para alcançar escala rapidamente.

Mudança de Liderança A liderança inicial da FiBrasil foi confiada a André Kriger, nomeado CEO em agosto de 2021. Kriger era um executivo experiente, vindo da própria Telefônica Brasil, onde ocupou cargos de alta gestão por 12 anos, incluindo o de Chief Information Officer (CIO) e Vice-Presidente de Atendimento ao Cliente. Sua nomeação foi estratégica para a fase inicial da empresa, pois sua profunda experiência operacional e conhecimento da cultura da Telefônica foram fundamentais para conduzir a complexa separação dos ativos (carve-out) e estruturar a nova companhia de forma eficiente. Kriger liderou a FiBrasil por quase quatro anos, um período marcado pela rápida construção da rede e pelo estabelecimento do seu modelo operacional no mercado.

Em março de 2025, foi anunciado que André Kriger deixaria o cargo de CEO em abril daquele ano. Após sua saída, o Conselho de Administração da FiBrasil implementou um modelo interino de co-liderança. Helcio Squillante, então Chief Financial Officer (CFO), e Atila Branco, então Chief Technology and Information Officer (CTIO), foram nomeados co-CEOs, reportando-se diretamente ao conselho.

Essa mudança na estrutura de liderança reflete uma transição no ciclo de vida da empresa e no próprio mercado de redes neutras. A primeira fase, sob o comando de Kriger, foi a de "construção", focada na expansão geográfica e na consolidação da infraestrutura física. Com a rede largamente estabelecida, a empresa entrou em uma nova fase, a de "otimização e monetização". A nomeação do CFO e do CTIO como co-líderes interinos alinha-se perfeitamente a essas novas prioridades. A liderança do CFO sinaliza um foco intensificado na disciplina financeira, na rentabilidade e na gestão da estrutura de capital, enquanto a liderança do CTIO aponta para a importância da superioridade tecnológica — como a migração para XGS-PON — e da otimização da rede para maximizar seu valor. Essa estrutura de gestão foi adaptada para o próximo capítulo da FiBrasil: extrair o máximo valor dos ativos que foram construídos.

Estrutura Corporativa e Acionária A FiBrasil é uma sociedade anônima de capital fechado, não listada em bolsa de valores. Sua estrutura de propriedade foi desenhada para combinar a expertise industrial de um dos maiores grupos de telecomunicações do mundo com a capacidade financeira de um investidor institucional de longo prazo.

A empresa opera sob um modelo de governança de co-controle, com o capital social dividido igualmente entre seus dois principais sócios:

Grupo Telefónica (50%): A participação do conglomerado espanhol é dividida em duas partes iguais de 25% cada: Telefônica Brasil S.A.: A operadora brasileira, que atua como cliente âncora e contribui com sua vasta experiência no mercado local e capacidade comercial. Telefónica Infra: A unidade de infraestrutura do Grupo Telefónica, sediada na Espanha, que gerencia participações em veículos de infraestrutura em nível global e aporta conhecimento técnico e estratégico em gestão de ativos. Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ) (50%): O fundo de investimento global canadense detém a outra metade da empresa. O CDPQ é um dos maiores investidores institucionais em infraestrutura do mundo, com um portfólio diversificado e um horizonte de investimento de longo prazo.

Essa estrutura acionária cria uma parceria simbiótica, fundamental para o sucesso do modelo de negócios da FiBrasil. De um lado, o Grupo Telefónica oferece o conhecimento industrial indispensável: a expertise técnica para implantar e operar redes de fibra de alta complexidade e, crucialmente, a garantia de um cliente âncora (Vivo) com um contrato de longo prazo. Esse acordo de dez anos não só proporciona uma receita previsível e estável, como também mitiga significativamente o risco do investimento inicial, tornando o projeto atrativo para um parceiro financeiro.

Modelo de Negócios e Operações

Rede Neutra de Atacado O modelo de negócios da FiBrasil é centrado na operação de uma rede de fibra ótica neutra e de acesso aberto, funcionando exclusivamente no mercado de atacado (wholesale). A empresa não oferece serviços diretamente ao consumidor final. Em vez disso, ela constrói, mantém e opera a infraestrutura de fibra até a casa do cliente (Fiber-to-the-Home - FTTH) e aluga a capacidade dessa rede para outras empresas de telecomunicações, como operadoras e provedores de internet (ISPs).

Este modelo permite que seus clientes, os ISPs, expandam sua cobertura e ofereçam serviços de banda larga de alta velocidade com um investimento de capital (CAPEX) significativamente menor e um tempo de chegada ao mercado (time-to-market) mais curto. Ao alugar a infraestrutura da FiBrasil, os provedores evitam os altos custos e a complexidade associados à construção de suas próprias redes físicas, podendo focar seus recursos em estratégias comerciais, marketing e atendimento ao cliente.

Estratégia de Mercado