Nami ibne Abede Almotalibe (; Meca, ? – ) foi um xarife e emir de Meca em 1632. Filho de Abede Almotalibe ibne Alhaçane e neto de Alhaçane ibne Abi Numai, pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Após se aliar a soldados otomanos amotinados provenientes do Iêmem, Nami participou da invasão do Hejaz e da derrota dos emires Maomé ibne Abedalá e Zaíde ibne Mucine. Foi proclamado emir depois da ocupação de Meca e associou ao governo seu primo Abedalazize ibne Idris. Uma expedição enviada pelo governador otomano do Egito restaurou Zaíde poucos meses depois. Nami retirou-se para , onde foi capturado e posteriormente levado a Meca e executado.

Vida

Nami nasceu em Meca e era filho de Abede Almotalibe ibne Alhaçane e neto do emir Alhaçane ibne Abi Numai. Pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era irmão de Amade ibne Abede Almotalibe, que havia governado Meca em 1628–1629. Após a morte de Amade, Nami retirou-se para o Iêmem. As fontes o descrevem como corajoso e resoluto. Em 1041 A.H. (1632), soldados otomanos amotinados no Iêmem rebelaram-se contra e partiram em direção ao Hejaz. Ao chegarem a Alcunfuda, encontraram Nami, que os convenceu a marchar contra Meca e se associou à expedição. Entre os comandantes das tropas rebeldes estava . Quando o exército alcançou , os emires Maomé ibne Abedalá e Zaíde ibne Mucine saíram da cidade com suas forças para enfrentá-lo.

Seguiu-se um combate no qual as forças dos emires foram derrotadas. Maomé morreu juntamente com vários membros da casa xarifal, enquanto Zaíde e os sobreviventes retiraram-se em direção a Marre Azarã. Nami entrou então em Meca com as tropas rebeldes e foi proclamado emir. Associou ao governo seu primo Abedalazize ibne Idris a quem atribuiu um quarto das receitas do emirado, embora o nome deste não fosse mencionado na cutba. A ocupação foi acompanhada por desordens e violência. As tropas rebeldes saquearam propriedades em Meca, enquanto Nami confiscou bens de alguns mercadores e mandou matar , comandante das tropas otomanas que haviam combatido ao lado dos emires anteriores. Os rebeldes estenderam ainda seu controle a Gidá. A tomada das cidades sagradas e a perturbação da segurança do Hejaz provocaram a reação das autoridades otomanas no Egito.

Depois de receber notícias dos acontecimentos, o governador do Egito organizou uma expedição para restaurar Zaíde. Foram mobilizados cerca de três mil soldados, e uma veste de investidura foi enviada a Zaíde, que se encontrava em Medina. O xarife seguiu para Iambo, onde se reuniu às forças enviadas do Egito, e marchou com elas em direção a Meca. Ao saber da aproximação do exército, Nami abandonou Meca em 4 de Dulrija de 1041 A.H. (22 de junho de 1632), acompanhado pelos soldados rebeldes e por seu irmão Saíde. Seguiram para , onde procuraram resistir. Dois dias depois, Zaíde entrou em Meca com as forças otomanas e retomou o emirado. Em Moarrão de 1042 A.H., Zaíde e as tropas otomanas marcharam contra Turba. A localidade foi atacada e os soldados rebeldes encontrados ali foram mortos ou capturados. Em 10 de Moarrão, Nami, seu irmão Saíde e Cor Mamude foram feitos prisioneiros e conduzidos a Meca. Nami e Saíde foram enforcados em , em Meca, na quinta-feira, 18 de Moarrão de 1042 A.H. (5 de agosto de 1632). Cor Mamude foi submetido a execução separada. Segundo a cronologia preservada por Āl Bassām, o governo de Nami durou 101 dias, número que a fonte relaciona ao valor numérico das letras de seu nome.

Bibliografia

Categoria:Catádidas Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Xarifes de Meca