Zaíde ibne Mucine (; proximidades de , – Meca, ) foi um xarife e emir de Meca, inicialmente em corregência com Maomé ibne Abedalá entre 1631 e 1632 e, após uma breve deposição, novamente de 1632 até sua morte em 1666. Filho de , pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Zaíde passou parte da juventude no Iêmem, para onde acompanhou o pai após a perda do emirado em 1628. Retornou ao Hejaz em 1631, quando Abedalá ibne Alhaçane o associou a seu filho Maomé no governo de Meca. Deposto no ano seguinte pela invasão dos rebeldes aliados a Nami ibne Abede Almotalibe, obteve apoio das autoridades otomanas do Egito e recuperou Meca em junho de 1632. Seu segundo governo, de aproximadamente 34 anos, caracterizou-se pela consolidação de sua autoridade no Hejaz. Dele descendem os zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas que exerceu repetidamente o emirado de Meca nas décadas seguintes.
Vida
Origens e primeiro reinado
Zaíde nasceu na manhã de segunda-feira, 27 de Xabã de 1016 A.H. (17 de dezembro de 1607), nas proximidades de . Era filho de e de uma escrava chamada . Pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Em 1628, quando seu pai foi obrigado a entregar o emirado a Amade ibne Abede Almotalibe, Zaíde acompanhou-o ao Iêmem. Mucine morreu em Saná no ano seguinte, e Zaíde permaneceu no Iêmem até ser chamado de volta a Meca em 1631. Em 1.º de Sáfar de 1041 A.H. (29 de agosto de 1631), Abedalá ibne Alhaçane abdicou do emirado em favor de seu filho Maomé ibne Abedalá e mandou chamar Zaíde do Iêmem para associá-lo ao novo governante. Zaíde chegou a Meca na segunda metade de Safar e assumiu sua posição no governo. Abedalá continuou a ser mencionado juntamente com os dois emires nas orações públicas até morrer em Jumada II daquele ano. Em Jumada I ou Jumada II, chegou por mar para substituir no governo de Gidá. Trouxe também diplomas e vestes de honra destinados aos novos emires. Maomé e Zaíde receberam cada um duas vestes, uma enviada pelo sultão e outra pelo governador do Egito.
No início de Xabã de 1041 A.H. (fevereiro/março de 1632), chegaram notícias de que soldados otomanos amotinados haviam deixado o Iêmem e avançavam em direção a Meca. Seus comandantes, e , solicitaram permissão para atravessar a cidade a caminho do Egito. Temendo os distúrbios que sua entrada poderia provocar, Maomé e Zaíde recusaram a passagem e mandaram inutilizar os poços existentes no caminho dos soldados. Os rebeldes aliaram-se então a Nami, que reivindicava o emirado. Em 20 de Xabã, Maomé e Zaíde saíram de Meca com suas forças para interceptar os invasores. Depois de passarem por e , encontraram o exército adversário nas proximidades de . Na manhã de 25 de Xabã de 1041 A.H. (17 de março de 1632), travou-se a batalha nas proximidades de Uádi Albiar. As forças dos emires foram derrotadas e Maomé morreu juntamente com vários xarifes e cerca de duzentos de seus combatentes. Zaíde conseguiu retirar-se com os sobreviventes em direção a Marre Azarã, enquanto os rebeldes entraram em Meca e proclamaram Nami emir, em corregência com Abedalazize ibne Idris.
Segundo reinado
Depois da derrota, Zaíde seguiu para Medina, de onde comunicou a tomada de Meca ao governador otomano do Egito. Em Xaual de 1041 A.H., o governador enviou ao Hejaz cerca de 3 500 soldados por terra e por mar e remeteu antecipadamente a Zaíde vestes de investidura, instruindo-o a dirigir-se a Iambo para receber o exército. Diante da aproximação das forças egípcias, Nami e seus aliados abandonaram Meca em 4 de Dulrija de 1041 A.H. (22 de junho de 1632) e retiraram-se para . Zaíde e o exército egípcio entraram em Meca sem resistência ao nascer do sol de 6 de Dulrija (24 de junho), restaurando-o no emirado. Após o haje, Zaíde e os comandantes otomanos marcharam contra Turba e sitiaram sua fortaleza por cerca de vinte dias. Na noite de 11 de Moarrão de 1042 A.H. (29 de julho de 1632), as forças atacantes entraram na fortificação e mataram grande parte dos rebeldes. Cor Mamude, Nami e o irmão deste, Saíde ibne Abede Almotalibe, foram capturados e levados a Meca, onde Nami e Saíde foram executados em . A partir de sua restauração, Zaíde permaneceu ininterruptamente à frente do emirado durante mais de três décadas. Seu longo governo marcou uma recuperação da autoridade dos emires de Meca sobre diferentes regiões e tribos do Hejaz. As fontes atribuem-lhe campanhas destinadas a submeter fortalezas, localidades e grupos tribais que haviam adquirido maior autonomia durante as décadas anteriores.
Já no início de 1043 A.H. (1633), Zaíde realizou uma campanha contra os , ramo dos , estabelecido numa região montanhosa ao sul de Badre. Suas forças penetraram no território do grupo e derrotaram a resistência local, após o que os habitantes das áreas mais acessíveis aceitaram um acordo e entregaram armas e dinheiro. Durante as décadas seguintes, Zaíde manteve relações políticas com os imames zaiditas que governavam o Iêmem, sobretudo e . Almuaide havia apoiado Zaíde ainda antes de sua ascensão ao emirado, e ambos mantiveram relações depois de sua restauração em 1042 A.H. (1632), embora de maneira discreta diante da presença e da influência otomanas no Hejaz. Posteriormente, as relações com Almutauaquil envolveram a troca de correspondência e a recepção, por Zaíde, de representantes da autoridade zaidita que se dirigiam a Meca para o haje. A intensidade dessas relações variou ao longo do período, em parte de acordo com as relações do emir com os representantes do governo otomano no Hejaz. Zaíde morreu em Meca na terça-feira, 3 de Moarrão de 1077 A.H. (6 de julho de 1666), depois de governar ininterruptamente desde sua restauração em 1632. Foi sepultado no Cemitério de Almuala, no mausoléu de Abu Talibe ibne Alhaçane.
Zaíde deixou cinco filhos conhecidos: Sade, Haçane, Amade, Maomé Iáia e Huceine, este último falecido antes do pai. Sade e Amade nasceram em 1052 A.H. (1642/1643), enquanto Maomé Iáia nasceu em 1049 A.H. (1639/1640). De Zaíde originou-se o ramo dos zaídidas (Du Zaíde), cujos membros exerceriam repetidamente o emirado de Meca. Entre os integrantes de sua casa estavam ainda o escravo abissínio , que ocupava posição elevada em sua corte, e , mameluco de origem turca que servira Zaíde durante muitos anos e foi nomeado comandante de suas forças. Após sua morte, abriu-se uma disputa pela sucessão. A maioria dos xarifes apoiou seu primo Hamude ibne Abedalá, filho do antigo emir Abedalá ibne Alhaçane, enquanto um grupo menor defendeu a candidatura de Sade. Os partidários de Hamude alegavam, entre outros argumentos, que fora seu pai quem havia chamado Zaíde do Iêmem em 1041 A.H. (1631) para associá-lo ao governo de Meca. Ambos os pretendentes recorreram a Imade Agá, sanjaco-bei de Gidá e xeique do Harame, que representava a autoridade otomana na região. Imade decidiu em favor de Sade e enviou-lhe a veste de investidura, após o que este assumiu o emirado.
Bibliografia
Categoria:Zaídidas Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Almuala