Alexandria é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, na Região Nordeste do país, distante 377 quilômetros da capital do estado, Natal. Ocupa uma área de aproximadamente 381 km² e sua população em 2022 era de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo então o 37º mais populoso do Rio Grande do Norte (em 167 municípios).
O município foi emancipado de Martins e Pau dos Ferros na década de 1930, com a denominação João Pessoa. O nome do município, vigente desde 1936, é uma referência a Alexandrina Barreto Ferreira Chaves, mulher de Joaquim Ferreira Chaves, que foi senador e governador do Rio Grande do Norte.
Desde a sua emancipação, desmembraram-se de seu território os atuais municípios de Tenente Ananias (1962), João Dias e Pilões (os dois últimos em 1963). Sua principal atração turística é a Serra Barriguda, a primeira das sete maravilhas do Rio Grande do Norte, cujo formato é semelhante ao de uma gestante.
História Segundo o documento Tombo de Demarcação, datado de 26 de setembro de 1759 e descoberto nos anos 1950 pelo historiador Antônio Fernandes Mousinho, a primeira denominação do município de Alexandria foi Barriguda, em referência à Serra Barriguda, onde se localizava a fazenda de mesmo nome. Conforme o mesmo documento, o senhor José da Costa, sua principal testemunha, com a mão direita em cima da Bíblia, jurou falar a verdade ao afirmar que tinha 63 anos de idade e era morador da fazenda. Outra versão, não oficial, refere-se a uma árvore, chamada "Pé de Barriguda", que existia na nascente de um curso de água perene no pé da Serra Barriguda, em que os viajantes paravam para descansar e usufruíam desta água.
thumb|esquerda|280px|Estação ferroviária de Alexandria, da antiga Estrada de Ferro Mossoró-Sousa, inaugurada em 1951. Apesar de preservada, o último trem circulou em 1991 e os trilhos não existem mais.
Em 1913, a Câmara Municipal de Martins mudou o nome povoado para "Alexandria" em homenagem à Alexandrina Barreto Ferreira Chaves, filha da terra e esposa de Joaquim Ferreira Chaves, ex-governador do Rio Grande do Norte e senador pelo mesmo estado. Em 1914 já existia agência postal em 1918 é instalado o telégrafo.
A lei estadual 572, de 3 de dezembro de 1923, elevou o povoado à categoria de vila. Em 7 de novembro de 1930, através do decreto estadual nº 10, sancionado por Irineu Joffily, o distrito passou à condição de novo município do Rio Grande do Norte, desmembrado de Martins e Pau dos Ferros, com a denominação João Pessoa, em referência a João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, líder político assassinado em Recife, por João Duarte Dantas, em 26 de julho daquele ano.
A instalação do novo município ocorreu no dia 15 de novembro de 1930, com a posse de Noé Arnaud Muniz como primeiro prefeito. Seis anos mais tarde, em 24 de outubro de 1936, a lei estadual nº 19, de autoria do deputado estadual João Marcelino de Oliveira e sancionada pelo governador Rafael Fernandes Gurjão, alterou o nome do município para Alexandria, como prevalece até hoje, para que se pudesse evitar alguma confusão com a capital do estado da Paraíba, também denominada de João Pessoa. Já nos anos de 1940 partes da cidade contavam com eletricidade. Nos anos 1950, chegou à cidade uma linha da Estrada de Ferro Mossoró-Sousa, cuja estação foi formalmente inaugurada em 29 de dezembro de 1951.
Nos anos 1960, a divisão administrativa do município chegou a ser constituída, além da sede, pelos distritos de João Dias, Pilões, Tenente Ananias Gomes, porém todos foram emancipados e elevados à categoria de município. Desde então o território de Alexandria mantém seus limites atuais.
Geografia Com uma de área, dos quais em área urbana, Alexandria ocupa 0,7218% da superfície estadual e está distante 377 de Natal, a capital estadual, e de Brasília, a capital federal. Limita-se com Pilões e Antônio Martins a norte; a sul com o estado da Paraíba (Bom Sucesso e Santa Cruz); João Dias e novamente a Paraíba (Brejo dos Santos) a leste e a oeste com Tenente Ananias e Marcelino Vieira. Na divisão territorial vigente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 2017, Alexandria pertence à região geográfica imediata de Pau dos Ferros, dentro da região geográfica intermediária de Mossoró. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Pau dos Ferros, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar.
O relevo do município, com altitudes variando entre 200 e 400 metros, está inserido em sua maior parte na Depressão Sertaneja-São Francisco, que abriga uma série de terrenos de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi, sendo também formado por várias serras: Baixas, Barriguda, Batalhão, Boa Vista, Boiada, Brejo, Cajueiro, Cafunga, Covas, Croatá, Cumbe, Frade, Mata Pasto, Prensa e Santana, além do Serrote da Ilha. Alexandria está situado em área de abrangência de rochas metamórficas que formam o embasamento cristalino, provenientes do período Pré-Cambriano médio, com idade entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos. O município abriga ainda dois sítios arqueológicos (Fidalgo e Santana) e a Lagoa de Lajes, com vários fósseis de mamíferos submersos.
O tipo de solo predominante é o podzólico vermelho amarelo equivalente eutrófico, caracterizado pelo seu alto nível de fertilidade e textura média, com drenagem acentuada. Há também o luvissolo (também chamado de "bruno não cálcico") e o litossolo (solos litólicos). Esses solos são cobertos por uma vegetação de pequeno porte, a caatinga hiperxerófila, que perde suas folhas na estação seca. Entre as espécies mais encontradas estão o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus). Cortado pelo Rio Alexandria, bem como pelos riachos da Mata e do Meio, todo o território municipal pertence à bacia hidrográfica do rio Apodi/Mossoró. Os principais reservatórios, com capacidade igual ou superior a cem mil metros cúbicos de água (m³), são: Pulgas (), do Meio () e Bananeira ().
Alexandria possui clima semiárido quente (Bsh segundo Köppen-Geiger), com chuvas concentradas no primeiro semestre do ano. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1936 o maior acumulado de chuva em 24 horas registrado em Alexandria atingiu 147 milímetros (mm) em 14 de dezembro de 1951 (fora do período chuvoso), seguido por em 4 de março de 1980 (maior acumulado dentro do período chuvoso). O recorde mensal é de em abril de 1985. Desde outubro de 2018, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática do mesmo órgão no município, a menor temperatura registrada em Alexandria foi de em 22 de julho de 2020 e a maior alcançou em 24 de novembro de 2019.
Demografia
Alexandria possuía uma população de habitantes (72,94% vivendo na cidade) no censo de 2022, estando na 37ª colocação a nível estadual e na ª a nível nacional. A razão de sexo era de 95,50 homens para cada 100 mulheres e a densidade demográfica de 35,78 .
Segundo o mesmo censo, 58,78% da população era parda, 36,3% branca, 4,74% preta, 0,14% amarela e 0,04% indígena. Ainda segundo o mesmo censo, da população igual ou superior a dez anos, 83,51% eram católicos, 12,88% evangélicos, 2,66% não tinham religião e 0,04% eram espíritas. Outras denominações, 0,9%.
thumb|esquerda|Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a sede da paróquia de Alexandria, subordinada à Diocese de Mossoró
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) de Alexandria é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,606, sendo o 87º maior do Rio Grande do Norte (PNUD) e o do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,779, o valor do índice de renda é 0,581 e o de educação 0,491.
De 2000 a 2010, o índice de Gini caiu de 0,56 para 0,53 e a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até R$ 140 passou de 60,3% para 39,6%, apresentando uma redução de 34,4%. Em 2010, 60,4% da população vivia acima da linha de pobreza, 21,6% abaixo da linha de indigência e 17,9% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 56,3% do rendimento total municipal, valor quase 26 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de apenas 2,2%.
Política
thumb|Prefeitura de Alexandria, sede do poder executivo municipal
A administração municipal se dá pelos poderes executivo, representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários, e legislativo, representado pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal, conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Existem também alguns conselhos municipais atualmente em atividade: alimentação escolar, da Criança e do Adolescente, FUNDEB, Meio ambiente e Saúde. Alexandria se rege por sua lei orgânica, promulgada em 3 de abril de 1990, e abriga uma comarca do poder judiciário estadual, de segunda entrância, cujos termos são João Dias e Pilões. O município pertence à 41ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte e possuía, em dezembro de 2024, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), representando 0,444% do eleitorado potiguar. centro|800px|thumb|Palácio Manoel Matias, onde funciona a Câmara Municipal de Alexandria
Economia thumb|esquerda|280px|Agência bancária do Banco do Brasil, no Centro, região mais movimentada da cidade
Segundo o IBGE, em 2012 o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Alexandria era de R$ , dos quais do setor terciário, R$ do setor secundário, R$ de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e R$ do setor primário. O PIB per capita era de R$ .
Considerando-se a população municipal com idade igual ou superior a dezoito anos (2010), 48,8% eram economicamente ativas ocupadas, 39,9% economicamente inativa e 11,3% economicamente ativa desocupada. Ainda no mesmo ano, levando-se em conta população ativa ocupada a mesma faixa etária, 41,84% trabalhavam no setor de serviços, 31,84% na agropecuária, 13,01% no comércio, 5,72% na construção civil, 4,1% em indústrias de transformação, 1,76% na utilidade pública e 0,23% em indústrias de extração.
Em 2013 o município possuía um rebanho de galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), bovinos, ovinos, caprinos, 925 suínos e 327 equinos. Na lavoura temporária de 2013 foram produzidos tomate () e feijão (), e na lavoura permanente apenas a castanha de caju (). Ainda no mesmo ano o município também produziu mil litros de leite de vacas ordenhadas; 20 mil dúzias de ovos de galinha e quilos de mel de abelha.
Infraestrutura O serviço de abastecimento de água de Alexandria é feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), enquanto a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN) fornece energia elétrica, atendendo em todos os municípios potiguares. A voltagem da rede é de 220 volts. O código de área (DDD) de Alexandria é 084 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) é 59965-000.
No transporte rodoviário, Alexandria é cortado por três rodovias, todas estaduais: RN-075 (liga Alexandria a Pilões), RN-079 (liga Alexandria a Marcelino Vieira e ao estado da Paraíba) e a RN-117 (atravessa vários municípios da região oeste potiguar). No transporte ferroviário, possui uma estação ferroviária da antiga Estrada de Ferro Mossoró-Sousa (desativada nos anos 1980), inaugurada em 1951 e ainda preservada.
Saúde