O Esporte Clube Vitória (acrônimo: ECV) é um clube de futebol sediado em Salvador, capital do estado da Bahia. Fundado em 13 de maio de 1899, sob a denominação Club de Cricket Victoria, constitui-se como o clube mais antigo da região Nordeste e figura entre os mais longevos do país. Destaca-se, ainda, por ter sido o primeiro clube social brasileiro constituído integralmente por nacionais, além de integrar o grupo de fundadores da Liga Baiana de Sports Terrestres, entidade responsável pela organização da primeira edição do Campeonato Baiano de Futebol.
O clube conquistou o primeiro título, correspondente à primeira edição do campeonato estadual, em 1908. Desde então, acumula 30 conquistas dessa competição, posicionando-se como o segundo com o maior número de títulos na história do torneio. No âmbito regional, obteve cinco títulos da Copa do Nordeste, quantidade que lhe confere o status de maior campeão da competição junto a seu principal rival, o Bahia. Em 2023, o clube conquistou seu primeiro título nacional ao vencer a segunda divisão, o que lhe conferiu o status de 72.ª equipe na história do futebol brasileiro a alcançar a conquista de um título nacional.
Em contraste, o Vitória figura entre os clubes brasileiros com o maior número de rebaixamentos, totalizando seis quedas: quatro para a segunda divisão e duas para a terceira. Esse número posiciona o clube na segunda colocação do ranking, ao lado de outras agremiações, ficando atrás apenas do ABC, do Rio Grande do Norte.
História 1899–1908: Fundação thumb|direita|200px|O fundador e idealizador do clube, Artêmio Valente, também ocupou o cargo de primeiro presidente.
Fundado em 13 de maio de 1899 como agremiação dedicada ao críquete, o Esporte Clube Vitória teve origem na iniciativa de dezenove jovens residentes no bairro homônimo, em Salvador, com a finalidade de praticar uma modalidade até então restrita à comunidade inglesa. A reunião inaugural, inicialmente agendada para seis dias antes, foi adiada em razão das condições climáticas adversas, sendo posteriormente realizada na residência dos irmãos Arthêmio e Arthur Valente. Na ocasião, estabeleceu-se a primeira denominação da agremiação: Club de Cricket Victoria.
Em outubro de 1901, José Ferreira Júnior, conhecido como Zuza, regressou da Inglaterra trazendo consigo uma bola de futebol e um compêndio de regras, o que possibilitou a realização da primeira partida informal registrada em Salvador. No ano subsequente, houve ampliação das atividades, com a inclusão de modalidades como futebol, atletismo, natação e remo. Em decorrência dessa diversificação, adotou-se a designação Sport Club Victoria, bem como as cores preta e vermelha como oficiais. Ainda nesse período, os remadores ganharam notoriedade ao realizarem a travessia entre os portos da Barra e dos Tainheiros, em Itapagipe, fato que deu origem ao epíteto Leão da Barra.
O primeiro confronto futebolístico diante do International Sport Club, composto por tripulantes ingleses, ocorreu em 22 de maio de 1901. Entretanto, o clube considera oficialmente como partida inaugural aquela disputada contra o São Paulo Bahia Football Club, em 13 de setembro de 1902. Em 1905, participou da fundação da Liga Baiana de Sports Terrestres, ao lado de São Paulo, Sport Club Bahiano e Clube Internacional de Críquete, entidade responsável pela organização da primeira edição do Campeonato Baiano de Futebol, na qual obteve sua primeira vitória oficial em 30 de abril. O primeiro título na modalidade foi conquistado em 1908, sendo reiterado no ano seguinte. Em 1946, adotou a denominação contemporânea.
1953–1966 Entre 1910 e 1940, manteve-se inserido no contexto do futebol amador, período marcado por interrupções nas atividades e reduzida obtenção de títulos. A profissionalização teve início em 1953, durante a presidência de Luiz Martins Catharino Gordilho, passando a atuar no estádio Octávio Mangabeira, conhecido como Fonte Nova. Em março de 1954, conquistou o campeonato estadual referente ao ano anterior ao derrotar o Botafogo Sport Club por 3–0, repetindo o feito em 1955 e 1957.
No início da década de 1960, foram realizadas as primeiras excursões internacionais, com partidas disputadas na Alemanha e na Bulgária. Após o retorno, passou por um novo período de escassez de conquistas, interrompido apenas pelo bicampeonato baiano de 1965 e 1966, cujos resultados tiveram repercussão limitada em razão de divergências com a federação local e veículos de comunicação.
1972–1976 Em 1972, ocorreu a primeira participação do Vitória no Campeonato Brasileiro, encerrada na 20.ª posição, com campanha composta por seis vitórias, dez empates e nove derrotas, sem classificação à fase seguinte. Na competição, destacou-se o atacante Osni Lopes, agraciado com a Bola de Prata. Em 1976, conquistou o Torneio José Américo de Almeida Filho, o que motivou a solicitação de reconhecimento oficial da competição como equivalente à Copa do Nordeste, pleito que não obteve manifestação da Confederação Brasileira, embora registros documentais tenham mencionado tal equivalência em autodeclarações.
Década de 1980 A década de 1980 foi marcada por acontecimentos institucionais relevantes. Em 1.º de agosto de 1985, lançou-se o novo hino oficial, de autoria de Walter Queiroz Júnior, encerrando a campanha "Este hino vai levantar o Estádio", destinada à arrecadação de recursos para a conclusão do Estádio Manoel Barradas. A inauguração oficial ocorreu em 11 de novembro de 1986, durante amistoso contra o Santos, finalizado em empate por 1–1, sendo o primeiro gol marcado por Dino, atleta da equipe visitante. Nos anos iniciais, entretanto, a utilização da praça esportiva foi limitada em virtude de obras, consolidando-se apenas com a instalação do sistema de iluminação em 1994.
Década de 1990 Em 1991, sob a presidência de Paulo Carneiro, promoveu-se o fortalecimento das categorias de base, medida considerada essencial para a projeção no cenário nacional. Como resultado, em 1993, alcançou-se a final do Campeonato Brasileiro, com significativa participação de atletas formados internamente, embora o título tenha sido conquistado pelo Palmeiras. Ainda assim, obteve-se expressivo desempenho em competições estaduais, com cinco títulos baianos, incluindo um tricampeonato consecutivo entre 1995 e 1997, além de duas conquistas da Copa do Nordeste.
Década de 2000 A década de 2000 iniciou-se com a manutenção de resultados positivos, incluindo títulos estaduais e uma conquista da Copa do Nordeste. Contudo, em 2004, apesar do bom desempenho estadual, a campanha no Campeonato Brasileiro resultou em rebaixamento à segunda divisão. No ano seguinte, ocorreu novo descenso, desta vez para a terceira divisão nacional. Não obstante, a permanência nas divisões inferiores foi breve, com a obtenção de dois acessos consecutivos, culminando no retorno à elite em 2008. Campanhas intermediárias na principal competição nacional garantiram participação na Copa Sul-Americana em 2009 e 2010.
Década de 2010 Em 2010, alcançou-se a final da Copa do Brasil, sendo superado pelo Santos, além da conquista da Copa do Nordeste com equipe alternativa, decisão influenciada pela proximidade de confronto decisivo pelo Campeonato Brasileiro. Ainda assim, o desfecho da competição nacional resultou em rebaixamento à Série B. A permanência na segunda divisão estendeu-se por duas temporadas, com retorno à elite em 2012, após alcançar a quarta colocação. No ano seguinte, conquistou-se o título estadual com vitórias expressivas sobre o Bahia, incluindo uma goleada por 5–1 na inauguração da Arena Fonte Nova e triunfo por 7–3 na partida de ida. Ainda em 2013, obteve-se a quinta colocação no Campeonato Brasileiro, com 59 pontos, desempenho que, à época, representou a melhor campanha de um clube nordestino na competição.
Todavia, tal desempenho não se repetiu em 2014, culminando em novo rebaixamento. A recuperação ocorreu em 2015, com o acesso assegurado antes do término da competição. Entretanto, em 2018, voltou a ser rebaixado, após ter evitado a queda na temporada anterior.
Década de 2020 Em 2021, após três anos consecutivos na segunda divisão, o Vitória foi rebaixado para a terceira divisão, fato consumado com a derrota por 1–0 para o Vila Nova, de Goiás, na última rodada. Esse revés também marcou o fim de uma temporada em que a equipe anotou 66 gols em 66 partidas, o que resultou no segundo pior desempenho ofensivo da história do clube no século XXI. No ano seguinte, a equipe assegurou novamente o acesso, encerrando a competição na quarta colocação da classificação geral da terceira divisão. Em 2023, a instituição conquistou seu primeiro título nacional, ao sagrar-se campeã da segunda divisão, somando 72 pontos, fruto de 22 vitórias, 6 empates e 10 derrotas.
Estrutura thumb|esquerda|260px|Vista do Estádio Manoel Barradas, inaugurado em 11 de novembro de 1986.
Fundado em 13 de maio de 1899, o Vitória teve origem como clube de críquete, alcançando a profissionalização apenas em 1953. À época, as partidas eram disputadas no estádio Octávio Mangabeira, a antiga Fonte Nova, enquanto os treinamentos ocorriam no Campo da Graça, com sede social estabelecida na orla de Salvador.
Em 11 de novembro de 1986, procedeu-se à inauguração do Estádio Manoel Barradas, erguido em terreno doado por Clériston Andrade, então prefeito do município, situado no bairro de Canabrava. A solenidade ocorreu durante a gestão do presidente José Rocha, tendo sido o equipamento posteriormente ampliado na administração de Paulo Carneiro, ocasião em que se implantou o sistema de iluminação. Em 2024, foi expedido pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar laudo autorizando a ampliação da capacidade do estádio para pessoas.
Uma década antes, em 1970, o clube construiu o Complexo Esportivo Benedito Dourado da Luz, conhecido como Toca do Leão, em terreno pertencente à família Paiva Lima, também localizado no bairro de Canabrava. O complexo é composto pelo Estádio Manoel Barradas, pelo Centro de Treinamento Manoel Pontes Tanajura e pelas concentrações Vidigal Guimarães e Raimundo Rocha Pires.
Símbolos Escudos thumb|esquerda|250px|Estudantes da Escola de Comércio da Bahia, em 30 de março de 1907. thumb|direita|225px|Escudo náutico do Vitória, reformulado em 1999.
O primeiro registro do escudo do Vitória remonta a 1905, tendo sido identificado em uma medalha de remo. De caráter náutico, incorporavam-se a ele elementos oriundos do críquete, como a raquete e a bola, além da data de fundação da agremiação. O modelo então utilizado apresentava semelhanças com o escudo contemporâneo do Corinthians, bem como com o primeiro distintivo do Sport, o que suscitou debates acerca da primazia histórica entre tais símbolos. Ainda assim, tais referências podem ser associadas a marcas de empresas de comércio marítimo e a instituições de ensino comercial então existentes no estado da Bahia.
Em 1906, o programa de regatas da Taça Olga, elaborado pela própria instituição, passou a apresentar um escudo de natureza náutica em formato circular, no qual constavam o nome do clube à época e diversos elementos adicionais, incluindo a inscrição "Bahia" na parte inferior. Tal referência possivelmente decorre da intenção, manifestada em 1899, de que a agremiação fosse fundada sob a denominação de "Club de Cricket Bahiano". No mesmo documento, registra-se ainda outro distintivo: um brasão nas cores vermelha e preta, em formato heráldico, contendo ao centro um monograma formado pelas iniciais da entidade.