Os iorubás,Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: iorubá (variantes: ioruba, iorubano): povo africano do sudoeste da Nigéria, República do Benim e República do Togo [Trazido em grandes levas para o Brasil, onde recebeu a denominação de nagô, esse povo exerceu na Bahia forte domínio social e religioso sobre outros grupos também escravizados, exceto sobre os grupos islamizados.]As quatro formas (iorubá, ioruba, iorubano e nagô) encontram-se registradas e atestadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras. iorubas, iorubanos, ou nagôsFERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 966. () constituem um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental, com mais de 30 milhões de pessoas em toda a região.Joshua Project. Yoruba. O ioruba/nagô é o segundo maior grupo étnico na Nigéria, correspondendo a aproximadamente 21% da sua população total.

Etimologia Como uma descrição étnica, a palavra "iorubá" foi registrada pela primeira vez, em referência ao Império de Oió, em um tratado escrito por volta do pelo estudioso songai Ahmed Baba. Foi popularizada pelo uso hauçá e pela etnografia escrita em árabe e Ajami durante o , originalmente referindo-se ao Oió exclusivamente.

A extensão do termo para todos os falantes de dialetos relacionados com a língua de Ohikió (na terminologia moderna, Noroeste Iorubá) data da segunda metade do . É devido à influência de Samuel Ajayi Crowther, o primeiro bispo anglicano na Nigéria. Crowther foi ele próprio um iorubá e compilou o primeiro dicionário iorubá, bem como introduziu um padrão para a ortografia iorubá.

O nome alternativo Akú, aparentemente um exônimo derivado das primeiras palavras de saudações iorubanas (como Ẹ kú àárọ?, "bom dia"; Ẹ kú alẹ?, "boa noite"), tem sobrevivido em certas partes da sua diáspora como autodescritivo, e em Serra Leoa. Nagôs "Nagôs" ou Anagôs era a designação dada aos negros escravizados e vendidos na antiga Costa dos Escravos e que falavam o iorubá.Dicionário Houaiss: "nagô" Os iorubás são um povo do sudoeste da Nigéria, no Benim (antiga República do Daomé) e no Togo.

Historicamente, habitavam o Reino de Queto (atual Benim) e o Império de Oió, na África Ocidental. Do e até 1815, foram escravizados e trazidos em massa para o Brasil durante o chamado "Ciclo da Costa da Mina", ou "Ciclo de Benim e Daomé".BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 115.

thumb|180px|left|Mulher iorubá com criança.

'Nagô' é o nome pelo qual se tornaram conhecidos, no Brasil, os africanos provenientes da Iorubalândia. Segundo R. C. Abraham (1890-1963), a palavra ànàgó designa os Iorubás de Ipó Quiá (Ìpo kìyà), localidade situada na província de Abeocutá. Segundo a tradição, eram provenientes de Ifè. Entre eles viviam também alguns representantes do povo popo, do antigo Daomé."ànàgó", in Dictionary of modern Yoruba. London: University of London Press, 1958, p.55. Segundo Vivaldo da Costa Lima, citando o antropólogo Alemão Paul Mercier (1922-1976),o termo proviria do fon anagô e teria, originalmente, o significado pejorativo de "piolhento". Isso porque os iorubás, ao chegarem à fronteira do antigo Daomé, fugindo de conflitos interétnicos, estariam famintos, esfarrapados e cheios de piolhos. Todavia, o próprio Costa Lima levanta dúvidas sobre essa hipótese, considerando que os iorubás "que se autodenominam Anago e só conhecem este nome" não insultariam a si próprios. Lança então dúvida de que o vocábulo fosse uma criação fon. Posteriormente, João José Reis viria a concluir que, de fato, anagô é um empréstimo do iorubá ao fon, sendo que "a omissão da sílaba inicial, abreviando 'anagô' para 'nagô', é característica nos empréstimos de palavras iorubás pelo fon." Lima, Vivaldo da Costa. A família do Santo, pp.23-24, apud João José Reis, Sobre o significado de nagô, in A Tarde, 11 de fevereiro de 2015. Segundo William Bascom, o nome nàgó ou nago se refere ao subgrupo iorubá Ifo-nyin. Na Jamaica, o nome nago designa o culto de origem iorubá. 'nagô' in Lopes, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. Selo Negro, 2004.

Termos como "nagôs", "jejes", "angolas", "congos" e "fulas" representavam identidades étnicas criadas pelo tráfico de escravos, onde cada termo continha um leque de tribos escravizadas de cada região. "Nagô" era o nome que se dava ao iorubano ou a todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o iorubá. Migeod assinala que "nagô" é nome dado, no antigo Daomé, pelos franceses ao iorubano: do efé anagó.MIGEOD, Frederick William Hugh. The Languages of West Africa. The Languages of West Africa. II, p. 360. K. Paul, Trench, Trubner & Co. in London, 1911. Acredita-se que 'nagô' seja uma corruptela do efé anago, um termo que designa os povos de língua iorubá da costa da África Ocidental.PRAHLAD, Anand. The Greenwood Encyclopedia of African American Folklore: A-F. Greenwood Press, 2006

Os portugueses construíram, em 1498, o forte São Jorge da Mina, ou Feitoria da Mina, ou Mina, no Gana, um posto estratégico na rota dos europeus ao litoral da África Ocidental, onde os cativos eram mantidos à espera de transporte para o Novo Mundo.

O tratado de paz de 1657, assinado entre a rainha Jinga Ambande e a Coroa Portuguesa, com mediação do papa Alexandre VII, encerrou a guerra no Reino do Congo e o tráfico escravista europeu na região.

No que se refere ao Brasil, o tráfico irá paulatinamente se deslocar em direção à chamada Costa da Mina, onde se localizava o Reino do Daomé e o reino de Ardra,Les côtes d'Afrique occidentale entre «Rio Volta » « et Rio Lagos » (1535-1773). Por Pierre Verger. Journal de la Société des Africanistes. 1968, vol. 38 n° 38-1, pp. 35-58 vinculados ao Império de Oió - Ioruba ou Nagô, segundo Verger,Os Orixás , por Pierre Verger. no final do e início do XVIII. Entre os anos de 1681 a 1710 um grande número de embarcações carregadas de fumo foram para Costa da Mina e Angola.

O fumo (tabaco) da Bahia era rejeitado pelos europeus, que o achavam de má qualidade, e era destinado aos traficantes de escravos, sendo muito apreciado pelos africanos. Graças ao fumo, Salvador tornar-se-ia a capital mundial do tráfico de escravos.

Introduzidas no Brasil com a escravidão, as culturas africanas imprimiram, cada uma com suas peculiaridades e em diferentes graus, marcas profundas em quase toda a extensão da alma e do território brasileiro. E na Bahia essa presença - que se recria hoje em importantes instituições como as comunidades de terreiro - é devida basicamente à cultura dos nagôs, que, vinda da África Ocidental, foi, entre o fim do e o fim do XIX, das últimas a serem escravizadas no Brasil.

Queto, ebás, ebadós e Sabé são alguns dos segmentos nagôs que vieram para a Bahia provenientes da grande área iorubá que compreende sul e centro da atual República de Benim, ex-Daomé; parte da República do Togo: e todo sudoeste da Nigéria. E todos eles - com destaque para os Queto - contribuíram decisivamente para a implantação da cultura nagô naquele Estado, reconstituindo suas instituições e procurando adaptá-las ao novo meio, com o máximo de fidelidade aos padrões básicos de origem, fidelidade essa em parte facilitada pelo intenso comércio que se desenvolveu entre a Bahia e a costa ocidental da África durante todo o até os primeiros anos que se seguirem à Abolição.

Para entender o predomínio da etnia iorubá-nagô na Bahia, é necessário recordar que, nas últimas décadas do tráfico negreiro, um enorme contingente de escravos dessa região foi trazido para Salvador. Nesse momento, os núcleos familiares também não foram tão desmembrados como no início da escravatura, permitindo uma maior manutenção da cultura e dos costumes.

Nos dizeres de Edison Carneiro, no clássico Candomblés da Bahia: "Os nagôs logo se constituíram numa espécie de elite e não encontraram dificuldade de impor, à massa escrava, a sua religião". E complementa: "Quanto aos negros muçulmanos (malês), uma minoria entre as minorias, que poderiam ser êmulos (rivais) dos nagôs, pelo seu sectarismo, afastavam não só os escravos como toda a sociedade branca". A própria Mãe Aninha Obá Bii era filha de um casal de africanos da etnia grunci, os negros Anió e Azambió, mas fora iniciada no candomblé pelos nagôs da Casa Branca do Engenho Velho. A presença de Xangô, seu orixá, solidificou ainda mais as tradições iorubás em sua trajetória.

No candomblé Em Pernambuco, "nagô" é o nome de uma nação ligada a uma religião afro-brasileira denominada Xangô de Pernambuco ("nagô-egbá"). No Rio Grande do Sul, "nagô" sinaliza o nome de uma nação de orixá ligada ao ritual de batuque. Na Bahia, o candomblé de caboclo é chamado de "nagô" por ter semelhança com o xangô de Pernambuco, e cultuarem, na mesma casa, orixás, voduns e inquices.

Com relação ao termo "nagô", muito usado no Brasil, Yeda Pessoa de Castro fala em uma entrevista:

Idioma

A cultura iorubá foi originalmente de tradição oral, e a maioria do povo iorubá são falantes nativos da língua iorubá. O número de falantes é estimado em cerca de 30 milhões em 2010.O número de falantes da língua iorubá foi estimado em cerca de 20 milhões em 1990. Não há estimativa confiável de data mais recente conhecida. Metzler Lexikon Sprache (4ª ed. 2010) estima cerca de 30 milhões, com base em números do crescimento da população durante os anos 1990 e 2000. A população da Nigéria (onde a maioria dos iorubás vive) cresceu 44% entre 1995 e 2010, de modo que a estimativa Metzler para 2010 parece plausível.

O iorubá é classificado dentro das línguas edequiris, que, juntamente com a isolada igala, formam o grupo de línguas ioruboide no âmbito das Ramo volta-níger da família Níger-Congo. Igala e iorubá têm relações históricas, sociais e culturais importantes. As línguas dos dois grupos étnicos têm uma semelhança tão estreita que pesquisadores como Forde (1951) e Westermann e Bryan (1952) consideraram igala como um dialeto do iorubá.

Acredita-se que as línguas ioruboides se desenvolveram a partir de um grupo Volta-Níger indiferenciado no Há três áreas dialetais principais: Noroeste, Central e Sudeste Esta classificação amplamente seguida baseia-se em (1982) estudo dialectológico de Adetugbo - a classificação se originou em sua tese de PhD 1967 The Yoruba Language in Western Nigeria: Its Major Dialect Areas. Ver também Adetugbo 1973: 183-193. Como os dialetos Noroeste iorubá mostram mais inovação linguística, combinadas com o fato de que as áreas do Sudeste e Centro iorubá geralmente têm assentamentos mais antigos, sugere-se uma data posterior da imigração para Noroeste iorubá.Adetugbọ 1973:192-3. (Ver também a seção dialetos.)

A área onde Noroeste iorubá (NWY) é falado corresponde ao histórico Império de Oió. Sudeste iorubá (SEY) foi, provavelmente, associado à expansão do Império do Benin após c. 1450.Adetugbọ 1973:185. iorubá Central formam uma área de transição, em que o léxico tem muito em comum com NWY, ao passo que ele compartilha muitas características etnográficas com SEY.

Na literatura iorubá, a variedade padrão aprendida na escola e falada por locutores de notícias na rádio, tem sua origem na gramática iorubá compilada em 1850 pelo bispo Samuel Ajayi Crowther. Embora em grande parte baseada nos dialetos Oió e Ibadã, incorpora várias características de outros dialetos.

HistóriaCf. por exemplo, a seguinte observação por Adetugbo (1967, como citado em Fagborun 1994:25): "Enquanto a ortografia acordada pelos missionários representados em grande grau os fonemas do dialeto Abeocutá, a sintaxe-morfo refletiu os dialetos Oió-Ibadan".

A partir do os povos africanos que viviam em Iorubalândia, não foram inicialmente conhecidos como iorubá, embora eles compartilhassem um grupo de etnia e língua comum. O desenvolvimento do iorubá histórico in situ , fora de anteriores populações Mesolíticas Volta-Níger, por volta do