"Across the Universe" é uma canção da banda britânica The Beatles. Foi composta por John Lennon e creditada a Lennon–McCartney. A canção apareceu pela primeira vez no álbum beneficente No One's Gonna Change Our World, de 1969, e mais tarde, em uma forma diferente, em Let It Be, o último álbum de estúdio lançado pelo grupo. A versão original foi incluída em dois álbuns diferentes, ambos intitulados Rarities: um lançamento britânico de 1978 e um lançamento estadunidense de 1980. Também foi incluída na coletânea Past Masters, Volume Two. Foi regravada por vários artistas, incluindo David Bowie no álbum Young Americans, que contou com contribuições de Lennon.
Composição Certa noite, em 1967, a frase "words are flowing out like endless rain into a paper cup" veio a Lennon depois de ouvir a voz de sua então esposa Cynthia:
O conteúdo da canção foi fortemente influenciado pelo interesse de Lennon e dos Beatles na Meditação Transcendental no final de 1967 – início de 1968, quando a canção foi composta. Com base nisso, ele adicionou o mantra "Jai guru deva om" (sânscrito: ) à peça, que se tornou a ligação para o refrão. A frase em sânscrito é uma homenagem ao mestre espiritual de Maharishi Mahesh Yogi, "Toda glória a Guru Dev".
Em sua entrevista de 1970 com a Rolling Stone, Lennon referiu-se à canção como talvez a melhor, mais poética letra que ele já escreveu: "É uma das melhores letras que escrevi. Na verdade, poderia ser a melhor. É boa poesia, ou como quer que se chame, sem mastigá-la. Veja, as que eu gosto são as que se sustentam como palavras, sem melodia. Não precisam ter nenhuma melodia, como um poema, você pode lê-las".
Gravação e histórico de versões +Histórico completo de gravação e mixagem Data Atividade 4 de fevereiro de 1968 Takes um–dois e quatro–sete gravados. Overdub no take sete. Redução para o take oito. Overdub no take oito. Efeitos sonoros nas faixas um–três. 8 de fevereiro de 1968 Overdub no take oito. Mixagem mono do take oito. Janeiro de 1969 Overdubs no take oito. Mixagem mono do take oito. Versão planejada para o álbum No One's Gonna Change Our World. 2 de outubro de 1969 Sons de pássaros em overdubs no take oito. Mixagem estéreo do take oito. Versão lançada no álbum No One's Gonna Change Our World e posteriormente em Past Masters. 5 de janeiro de 1970 Mixagem estéreo do take oito. Versão que seria lançada em 5 de janeiro no álbum Get Back. 23 de março de 1970 Mixagem estéreo do take oito. 1 de abril de 1970 Redução para o take nove. Overdubs orquestrais e corais no take nove. 2 de abril de 1970 Mixagem estéreo do take nove. Versão lançada no álbum Let It Be.
Gravações de fevereiro de 1968 A faixa básica foi gravada em 4 de fevereiro. Junto de violão, percussão e tambura, apresentava uma introdução de sitar em overdub por Harrison. Decidindo que a canção precisava de uma voz aguda para cantar o refrão "Nothing's gonna change my world", McCartney abordou fãs que esperavam do lado de fora do estúdio e perguntou se alguém conseguia sustentar uma nota alta. Lizzie Bravo e Gayleen Pease responderam que sim. Pouco depois, o gerente de estrada da banda, Mal Evans, saiu e conduziu as duas garotas para dentro do estúdio de gravação para gravar os vocais de apoio. Embora as vozes das garotas não sejam ouvidas na versão de "Across the Universe" no álbum Let It Be, seus vocais de fundo são ouvidos nos álbuns No One's Gonna Change Our World, Rarities e Past Masters. Assim, Lizzie Bravo tornou-se a única brasileira a gravar com os Beatles. De volta ao Brasil, virou uma cantora de estúdio requisitada por diversos músicos, além de ter sido casada com Zé Rodrix. Ela é citada na canção "Casa no Campo", composta pelo marido em parceria com Tavito.
Lennon ainda não estava satisfeito com a faixa, e vários efeitos sonoros foram gravados, incluindo 15 segundos de zumbido e um som de guitarra e harpa, ambos para serem tocados de trás para frente; no entanto, nenhum deles foi usado na versão lançada. A faixa foi mixada para mono e deixada de lado, pois o grupo havia decidido lançar "Lady Madonna" e "The Inner Light" como o single. Ao retornarem da Índia, o grupo começou a gravar as muitas canções que haviam escrito lá, e "Across the Universe" permaneceu na prateleira. No outono de 1968, os Beatles consideraram seriamente lançar um EP incluindo a maioria das canções para o álbum Yellow Submarine e "Across the Universe", e chegaram a masterizar o EP.
Versão de World Wildlife Fund Durante as sessões de gravação de fevereiro de 1968, Spike Milligan apareceu no estúdio e, ao ouvir a canção, sugeriu que a faixa seria ideal para lançamento em um álbum beneficente que ele estava organizando para o World Wildlife Fund. Em algum momento de 1968, os Beatles concordaram com essa proposta. Em janeiro de 1969, a melhor mixagem mono foi remixada para o álbum beneficente. Mantendo o tema de "vida selvagem" do álbum, efeitos sonoros de pássaros foram adicionados ao início e ao fim. A mixagem original (mono) de fevereiro de 1968 tem 3:37 de duração. Após os efeitos serem adicionados, a faixa foi acelerada para que, mesmo com 20 segundos de efeitos, tivesse apenas 3:49. Acelerar a gravação também elevou o tom para Mi bemol.
Versão de Let It Be
Embora a canção tenha sido extensivamente ensaiada no palco de som dos Twickenham Studios, as únicas gravações foram transcrições mono para uso na trilha sonora do filme. Nenhuma gravação multicanal foi feita após a mudança do grupo para os Apple Studios. Assim, no início de janeiro de 1970, Glyn Johns remixou a gravação de fevereiro de 1968. A nova mixagem omitiu os vocais das garotas adolescentes e os efeitos sonoros de pássaros da versão do World Wildlife Fund. Como nenhum dos álbuns Get Back de Glyn Johns foi lançado oficialmente até 2021, a versão mais conhecida da canção veio de Phil Spector, que no final de março e início de abril de 1970 remixou a gravação de fevereiro de 1968 mais uma vez e adicionou overdubs orquestrais e corais. Spector também desacelerou a faixa para 3:47, próxima de sua duração original. Segundo Lennon, "Spector pegou a fita e fez um trabalho danado de bom com ela".
Outras versões Uma tomada alternativa inédita de fevereiro de 1968 da canção (gravada antes da master), sem produção pesada, apareceu em Anthology 2, de 1996.
Reflexões posteriores Lennon estava insatisfeito com a canção como foi gravada. Em sua entrevista à Playboy em 1980, Lennon disse que os Beatles "não fizeram um bom registro dela" e disse sobre a versão de Let It Be que "as guitarras estão desafinadas e eu estou cantando desafinado... e ninguém está me apoiando ou me ajudando com isso e a canção nunca foi feita adequadamente". Ele ainda acusou McCartney de arruinar a canção:
Créditos
No One's Gonna Change Our World (1969) De acordo com Ian MacDonald:
The Beatles John Lennonvocal principal e de apoio, guitarra principal e violão rítmico Paul McCartneyvocal de apoio, piano George Harrisonvocal de apoio, sitar, tambura Ringo Starrmaracas, tom-tom
Músicos adicionais e produção George Martinórgão Hammond; produtor Lizzie Bravovocal de apoio Gayleen Peasevocal de apoio
Let It Be (1970) De acordo com John C. Winn:
The Beatles John Lennonvocal principal, violão e guitarra elétrica Paul McCartneypiano George Harrisontambura Ringo Starrbateria, maracas
Músicos adicionais e produção Phil Spectorprodutor músicos de estúdio não creditadoscoro, violoncelos, violas, harpa, violinos, trompetes, trombones
Recepção crítica e legado O crítico musical Richie Unterberger, do AllMusic, disse que a canção era "uma das baladas mais delicadas e cósmicas do grupo" e "um dos destaques do álbum Let It Be". Neil Finn, do Crowded House e do Split Enz, citou a canção como possivelmente sua favorita de todos os tempos.
O crítico musical Ian MacDonald foi crítico da canção, chamando-a de "encantamento infantil e lamurioso" e dizendo que "suas vagas pretensões e melodia apática são, de forma bastante óbvia, produtos de grandiosidade ácida suavizada por pura exaustão".
Transmissão para o espaço
Em 4 de fevereiro de 2008, a NASA transmitiu "Across The Universe" em direção à estrela Polar, 431 ano-luz da Terra. A transmissão usou uma antena de rádio de 70 metros localizada em Madrid. Isso foi feito com um transmissor de "banda X", irradiando para a antena a 18 kW. Foi feito para celebrar o 40.º aniversário da gravação da canção, o 45.º aniversário da Deep Space Network (DSN) e o 50.º aniversário da NASA. A ideia foi concebida pelo historiador dos Beatles Martin Lewis, que incentivou todos os fãs da banda a tocar a faixa enquanto ela era transmitida para a estrela distante. O evento marcou a terceira vez que uma canção foi intencionalmente transmitida para o espaço sideral, e foi aprovado por McCartney, Yoko Ono e Apple Corps.
Certificações
Bibliografia
Leitura adicional
Categoria:Canções gravadas por The Beatles Categoria:Canções compostas por Lennon/McCartney Categoria:Canções de 1970 Categoria:Baladas de rock Categoria:Canções produzidas por Phil Spector Categoria:Canções gravadas por David Bowie Categoria:Canções produzidas por George Martin