Erechim é um município do estado do Rio Grande do Sul, na Região Sul do Brasil. Considerada um centro sub-regional no país, é a cidade polo da região do Alto Uruguai gaúcho e a segunda cidade mais populosa do norte do estado, com estimativa de habitantes (IBGE/2022). É considerada pelo Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (IDESE) como a segunda cidade mais desenvolvida do Rio Grande do Sul entre os municípios com mais de cem mil habitantes, liderando no segmento de educação. Segundo o Atlas da Violência, é o segundo município mais seguro do estado. O município estava, em 2015, na 15ª posição do PIB no estado do Rio Grande do Sul.

É uma das primeiras cidades brasileiras modernas planejadas. Seu planejamento viário foi inspirado em conceitos urbanísticos usados nos traçados de Washington (1791), Paris (1850), Buenos Aires (1580) e Belo Horizonte (1897), porém, foi recentemente alterado para facilitar o fluxo viário, caracterizando-se por ruas muito largas, forte hierarquização e criação, através de ruas diagonais ao xadrez básico, de pontos de convergência. Elementos chaves do seu traçado incluem uma malha perpendicular de ruas cortadas por avenidas em diagonal, quarteirões de dimensões regulares e uma avenida em torno de seu perímetro.

Etimologia O município, quando emancipado em 30 de abril de 1918, recebeu o nome de "Erexim", termo de origem caingangue que significa "campo pequeno", através da junção dos termos rê, ou erê, ("campo") e xim ("pequeno"). Esse nome foi dado provavelmente por a cidade ser rodeada de florestas na época. Chegou a receber outras denominações, como Paiol Grande, Boa Vista, Boa Vista de Erechim e José Bonifácio, mas prevalece até os tempos atuais "Erechim".

Segundo as normas ortográficas vigentes da língua portuguesa, este topônimo deveria ser grafado Erexim, pois prescreve-se o uso da letra "x" para palavras de origem caingangue. Entretanto, o nome do município está registrado em documentos oficiais com "ch", que aparece em todas as placas de trânsito e de automóveis, bem como em documentos.

Em um dos shows realizados pelos festejos de cinquenta anos do município de Erechim, em 1968, Rubem Safro, popular e localmente conhecido como Buja, animava a festa e chamou a cidade de "Capital da Amizade". Logo a alcunha foi adotada pelo município, devido à diversidade das etnias que compunham a sua população e à harmonia de sua convivência.

História Origens De acordo com estudos realizados pela Eletrosul, o território que constitui, hoje, a região do Alto Uruguai já era habitada pelo homem há pelo menos 10 000 anos atrás. Nos últimos três séculos, a região foi habitada principalmente pelos indígenas da etnia caingangue. No entanto, muitos grupos guaranis também ocuparam as regiões de menor altitude.

É provável que os primeiros povoadores não indígenas da região do atual município de Erechim tenham sido paulistas descendentes de bandeirantes que, instalando-se dispersivamente no território, obtiveram a concessão de tratos de terra requeridos ao governo do estado. Inicialmente, a posse das terras por esses primeiros povoadores não foi de forma pacífica. Eles iniciaram e sustentaram por muito tempo um conflito violento para a tomada forçada das terras dos caingangues, os quais eram conhecidos pelos portugueses como "coroados".

Firmaram-se, porém, na terra, os poucos posseiros que povoaram o território encoberto pela floresta e sulcado pela abundante rede da bacia hidrográfica ocidental dos rios Pelotas-Uruguai. Por volta de 1887, Augusto de Oliveira Penteado, conhecido por Augusto César, tendo, como companheiros, João Placidino Machado e Antônio Ferreira de Albuquerque, empreenderam uma ousada exploração fluvial, da qual elaboraram circunstanciado relatório que foi enviado à Câmara Municipal de Passo Fundo, em fins de 1888, contendo as denominações dadas por eles a vários acidentes geográficos.

Em 1908 foi fundada a Colônia Erechim, planejada pelo diretor de Terras e Colonização Carlos Torres Gonçalves, atendendo aos princípios positivistas para tornar-se modelo de colonização. O empreendimento teve rápido progresso econômico, facilitado não só pela presença de uma ferrovia, mas também pelas estradas planejadas durante a concepção da colônia e que foram construídas de acordo com os traçados previstos. A colônia foi instalada em 1910, com a chegada dos primeiros 36 colonos: 4 família com 28 pessoas e 4 solteiros.

Pioneirismo e imigração miniatura|esquerda|A estação ferroviária de Erechim em 1910 miniatura|esquerda|Avenida Maurício Cardoso A região foi colonizada basicamente por imigrantes de origem polonesa (1918), alemã (1912), judaica (1911) e, principalmente, italiana. As primeiras famílias italianas chegaram na cidade por volta de 1910 através da ferrovia. Os imigrantes italianos, ao longo de vários anos, modificaram a fisionomia social da região com seus valores espirituais, culturais e materiais. Grande parte dos imigrantes, não só os italianos, vinham em busca de uma vida melhor para si e para suas gerações. Ainda hoje é possível perceber interferências dos imigrantes oriundos desses países, especialmente na arquitetura e na culinária da cidade.

Já sobre influência da chegada dos primeiros imigrantes, em 1910 a sede da colônia já possuía um aspecto urbano com abertura de ruas e edificação de cerca de cinquenta casas e outras 22 em construção, todas de madeira, inclusive o chalé do escritório da comissão. Incluía ainda dois barracões para hospedagem dos imigrantes, enfermaria e depósito de materiais, nove casas comerciais, uma barbearia, uma alfaiataria, três sapatarias e um açougue. Também foi rápido o desenvolvimento da zona rural. Até 1914, a sede inicial da colônia Erechim foi o povoado que mais prosperou em toda a região. Em 20 de abril de 1916, o escritório da Comissão de Terras e Colonização foi transferido do Povoado Erechim para o de Paiol Grande, sede geral da colônia anteriormente escolhida.

Formação administrativa Com o crescimento do povoado e de sua economia - agricultura, pecuária, comércio e serviços - o município de Erechim foi elevado à categoria de município com a denominação de Erechim, pelo decreto estadual nº 2342, de 30 de abril de 1918, assinado por Borges de Medeiros, desmembrado do município de Passo Fundo. Sede na antiga povoação de Boa Vista do Erechim, instalada em 18 de junho de 1918. Ao longo dos anos o município foi ganhando novos distritos. Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1 de setembro de 1920, o município estava constituído de cinco distritos: Boa Vista do Erechim (sede), Erechim, Barro, Erebango e Marcelino Ramos. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1937, o município apareceu constituído de onze distritos: Erechim, Barro, Marcelino Ramos, Nova Itália, Nova Polônia, Paulo Bento, Quatro Irmãos, Rio Novo, São Valentim, Treze de Maio e Viadutos. No quadro fixado em 1943, o município era constituído de doze distritos: José Bonifácio (ex-Erechim), Barro, Carlos Gomes (ex-Ribeirão do Torto ex-Nova Polônia), Cotegipe, Marcelino Ramos, Nova Itália, Paulo Bento, Princesa Isabel (ex-Treze de Maio), Quatro Irmãos, Rio Novo, São Valentim, Severiano Almeida (ex-Nova Itália) e Viadutos. Em divisão datada de 1 de dezembro de 1960, o município era constituído de nove distritos: Erechim, Barão de Cotegipe, Capo-Erê, Itatiba, Mariano Moro, Nova Itália (ex-Severiano de Almeida), Paulo Bento, Quatro Irmãos e Três Arroios; em última modificação feita, em lei estadual nº 10762, de 16 de abril de 1996, desmembraram-se de Erechim os distritos de Paulo Bento e Quatro irmãos, elevados a categoria de municípios. Erechim passou a constituir-se de três distritos: Capo-Êre, Jaguaretê e a Sede.

Crescimento urbano Depois de terminadas todas as diligências oficiais referentes ao ato de emancipação, o Secretário de Obras Públicas Carlos Torres Gonçalves ordenou a execução da divisão da cidade que serviria de sede ao novel município pelos engenheiros e agrimensores da comissão de terras, que funcionava no antigo povoado Erechim (hoje Getúlio Vargas). Tomaram, então, como ponto de partida a Estação Ferroviária, sem contudo ter feito, ao que tudo indica, o reconhecimento prévio do terreno. O planejamento repetiu a planta da cidade de Belo Horizont, capital do estado de Minas Gerais, também foi baseado em conceitos urbanísticos usados nos traçados de Washington D.C (1791) e Paris (1850). Aprovado o futuro traçado, iniciou-se a implantação da cidade com a venda de terrenos e respectivas construções de madeira, aparecendo tudo com rapidez, principalmente na Avenida José Bonifácio, hoje denominada Maurício Cardoso. E, assim, como que por encanto, surgiu a Vila Boa Vista, substituindo a antiga Paiol Grande.

Com o passar dos anos, também houve uma necessidade em obras e intervenções nas ruas da cidade. As principais foram o nivelamento da canhada existente na avenida Maurício Cardoso, canalização das sangas existentes nas primeiras quadras das ruas Itália e Nelson Ehlers, e o nivelamento de muitos outros buracos com madeira e terra. direita|miniatura|Centro executivo no centro da cidade, o Prédio do Relógio direita|miniatura|Uma das casas construídas na década de 1930 em Erechim que acabou sendo destruída por um incêndio em 2010.

Anos mais tarde, foram feitos grandes estudos que comprovaram que Erechim se desenvolvia sobre buracos - em trabalho executado pela antiga comissão de terras, um levantamento que durou muitos meses, capitaneado por Diumer Schneider, os Irmão Malinowski, os Irmãos Losina, Antônio Bergmann e Henrique Schwerin, fizeram um levantamento topográfico de dois em dois metros quadrados. Antes mesmo do término desse serviço, um prefeito da época mandou o agrimensor da prefeitura nivelar o calçamento e foram estendidos os cordões, com todos os defeitos da superfície. Muitas administrações tentaram em vão nivelar a cidade. Mais tarde desenhou-se o Plano Diretor, que dispunha sobre o desenvolvimento urbano. Com ele, concedeu-se o nivelamento de muitas construções antes de fazer o nivelamento das ruas, o que resultou em casas com muitos andares enterrados, depois de as ruas serem nivelada como deviam, para atenuar com as íngremes subidas. Houve uma grande celeuma na cidade sobre esse plano diretor, que acabou arquivado.

História recente Com o crescimento de Erechim e cidades próximas, foi criada a Microrregião de Erechim, reunindo além do município, outras trinta cidades. São as mais populosas: Getúlio Vargas, Aratiba, Barão de Cotegipe, Estação, Gaurama, Campinas do Sul, Erval Grande, Marcelino Ramos, Viadutos, Itatiba do Sul, Áurea e Severiano de Almeida. Em 2006 sua população foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em cerca de 211 228 habitantes em uma área total de 5 745 km². Seu índice de desenvolvimento humano (IDH) médio era de 0,791 e o PIB per capita médio de R$ 22.048,00 em 2003. Localiza-se na mesorregião do Noroeste Rio-grandense.

Um dos acidentes mais graves e que mais chocou a população da cidade de Erechim aconteceu em 22 de setembro de 2004, quando um ônibus fretado pela prefeitura de Erechim para transportar estudantes da zona rural para escolas da cidade levava 31 pessoas quando ele caiu em uma barragem da CORSAN. Equipes de resgate levaram mais de três horas para retirar o ônibus da água. Os pais dos adolescentes foram indenizados em R$ 190 mil reais e o motorista, que sofreu ferimentos leves, foi preso em 2005, acusado de dirigir em alta velocidade. Segundo dados de autópsia, 17 crianças e adolescentes faleceram. O estudante Lucas Verazzo saiu como herói, pois salvou três de seus colegas que estavam se afogando, e quando foi salvar o quarto acabou morrendo. Os três dias posteriores ao acidente foram utilizados como uma maneira de protesto e as aulas foram paralisadas em todas as escolas da cidade.

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