thumb|O Hermannsdenkmal localizado no distrito de Lippe na Alemanha é um monumento dedicado ao líder germânico Armínio, que derrotou três legiões romanas na Batalha da Floresta de Teutoburgo.

Povos germânicos ou germanos são um grupo etnolinguístico indo-europeu originário do norte da Europa e identificado pelo uso das línguas indo-europeias germânicas que se diversificaram do proto-germânico durante a Idade do Ferro pré-românica.

Originados em cerca de a partir da cultura da cerâmica cordada na planície norte alemã, os povos germânicos expandiram-se para o sul da Escandinávia e para o rio Eurípedes durante a Idade do Bronze Nórdica, atingindo o baixo Danúbio em No , os teutões e cimbros entraram em confronto com Roma. Na época de Júlio César, um grupo de germânicos liderados pelo chefe suevo Ariovisto expandiu-se para a Gália, até ser detido por César nos Vosges em As tentativas subsequentes do imperador Augusto de anexar territórios a leste do rio Reno foram abandonadas, depois que o príncipe querusco Armínio aniquilou três legiões romanas na Batalha da Floresta de Teutoburgo no ano 9 d.C.

No leste, as tribos que haviam migrado da Escandinávia para a parte inferior do Vístula foram em direção ao sul, pressionando os marcomanos a invadir a Itália em 166. Enquanto isso, os germanos sofreram influência através do alfabeto etrusco, que acabou originando o seu próprio alfabeto rúnico. Por volta do , os godos governaram uma vasta área ao norte do mar Negro, de onde cruzaram o baixo Danúbio ou viajaram pelo mar, invadindo a península Balcânica e a Anatólia, na altura do Chipre. Enquanto isso, as crescentes confederações de francos e alamanos romperam as fronteiras e se estabeleceram ao longo da fronteira do rio Reno, de forma contínua infiltrando-se na Gália e na Itália, enquanto os piratas saxões devastaram as costas da Europa Ocidental.

Depois que os hunos, no , invadiram os territórios do rei godo Hermenerico que, em seu auge, estendiam-se entre o rio Danúbio e o Volga e do mar Negro ao mar Báltico, milhares de godos fugiram para os Bálcãs, onde infligiram uma grande derrota sobre os romanos na Batalha de Adrianópolis e saquearam Roma em 410 sob a liderança de Alarico I. Enquanto isso, várias tribos germânicas se converteram ao cristianismo ariano através do missionário Úlfilas, que inventou um alfabeto para traduzir a Bíblia para a língua gótica.

Tendo derrotado os hunos nos Campos Cataláunicos e em Nedau, tribos germânicas migrantes invadiram o Império Romano do Ocidente e transformaram-no na Europa Medieval. No entanto, foi somente com a ajuda germânica que o império foi capaz de sobreviver tanto tempo como o fez, sendo que o exército romano era quase inteiramente composto por germanos por volta do .

Por volta do ano 500, os anglo-saxões estavam na Grã-Bretanha e os burgúndios no vale do Ródano. Regidos por Teodorico, o Grande, os ostrogodos se estabeleceram na península Itálica, enquanto o líder vândalo Genserico saqueou Roma e fundou um reino na África.

Em 507, os visigodos foram expulsos pelos francos da maioria de suas posses na Gália e depois governaram um estado na Hispânia. Em 568, o líder lombardo Alboíno invadiu a Itália e fundou um reino independente que em 774 foi derrubado por Carlos Magno, que foi coroado imperador dos romanos em 800.

No , marinheiros germânicos escandinavos (comumente referidos como vikings) iniciaram uma forte expansão, fundando importantes Estados na Europa Oriental e na França, enquanto colonizaram o Atlântico até a América do Norte. Posteriormente, as línguas germânicas se tornaram dominantes em vários países europeus, mas na Europa Meridional e na Europa Oriental, a elite germânica acabou por adotar os dialetos nativos eslavos ou latinos. Todos os povos germânicos acabaram sendo convertidos do paganismo para o cristianismo. Os povos germânicos modernos são os daneses, escandinavos, islandeses, finlandeses de língua sueca, luxemburgueses, belgas de língua alemã e holandesa (flamenga), suíços de língua alemã, alemães, holandeses, escoceses das terras baixas, ingleses e outros, que ainda falam línguas derivadas dos dialetos ancestrais germânicos.

Etimologia thumb|180px|Mapa da cultura da Idade do Bronze Nórdica, cerca de thumb|180px|Mapa das culturas da Idade do Ferro pré-romana relacionadas com a língua proto-germânica, c.

Várias etimologias para a designação latina GERMANI são possíveis. Como adjetivo, GERMANI é simplesmente o plural do adjetivo GERMANVS (a partir de germen, "semear, disseminar", "desdobramento, enfiar"), que tem o sentido de "parente" ou "aparentado".de onde deriva o catalão germà, o espanhol hermano e o português irmão Como um etnônimo, a palavra é comprovada pela primeira vez em na inscrição de Fasti Capotolini, DE GALLEIS INSVBRIBVS ET GERM, onde ela simplesmente se refere a povos "próximos" ou relacionados aos gauleses. Se o nome próprio posterior GERMANI deriva desta palavra, a referência a este uso deve ser baseada na experiência romana de ver as tribos germânicas como aliadas dos celtas.

O nome aparece sendo usado pela primeira vez com o sentido de "povos da Germania, distintos dos gauleses" por Júlio César. Neste sentido, o nome deve ser um empréstimo do exônimo celta aplicado às tribos germânicas, baseado em uma palavra para "vizinho". Uma terceira sugestão deriva a palavra diretamente do nome da tribo dos Hermunduri, que Tácito sugere possa ter sido o nome de uma tribo que mudou de nome após o domínio romano, mas não há indícios para isto.

A sugestão que deriva o nome do termo gaulês para "vizinho" leva ao irlandês antigo gair e ao galês ger, "próximo",Oxford Dictionary of English Etymology 1966) ao irlandês gearr, "uma distância curta", a partir do radical proto-celta *gerso-s, também relacionado ao grego antigo chereion, "inferior" e ao inglês gash, "corte, arranhão".McBain's An Etymological Dictionary of the Gaelic Language O radical proto-indo-europeu deveria ser da forma khar-, *kher-, *ghar-, *gher-, "corte, machucado", do qual também deriva o hitita kar-, "corte, machucado", de onde também o grego character.

Aparentemente, as tribos germânicas possuíam uma autodenominação (endônimo) que incluía todos os povos germano-falantes e que excluía todos os povos não germânicos. Os povos não-germânicos (principalmente celtas, romanos e gregos, os cidadãos do Império Romano), por outro lado, eram chamados *walha- (esta palavra sobreviveu em nomes como Wales (Gales), Welsh (galês), Cornwall (Cornualha), Wallons (valões), Vlachs (valáquios), etc.).

O termo genérico *þiuda- ("povo") ocorre em muitos nomes pessoais tais como Thiud-reks (Teodorico e também no etinônimo dos suecos a partir do cognato do inglês antigo Sweo-ðēod) não é uma auto-designação. No entanto, o adjetivo derivado deste nome, *þiudiskaz ("popular"), foi usado em referência à língua do povo em oposição à língua latina (mais antigo exemplo registrado em 786). A palavra persiste no alemão Deutsch ("alemão"), no inglês Dutch ("neerlandês"), no neerlandês Duits ("alemão") e Diets (neerlandês medieval) e no dinamarquês tysk ("alemão"). A partir de c. 875, os escritores latinos referem-se à(s) língua(s) germânica(s) como teutonicus ("teutônico"). Daí o uso inglês da palavra Teutons ("teutões") em referência aos povos germânicos em geral, além da tribo específica dos teutões, derrotada na batalha de Águas Sêxtias em .

Classificação thumb|180px|esquerda|Odin cavalgando em Sleipnir (Estela de Tängvide, ). O conceito de "germânico" como uma identidade étnica distinta foi indicado primeiramente pelo geógrafo grego Estrabão , que diferenciou um grupo bárbaro no norte da Europa, que não era celta. No entanto, foi Posidônio o primeiro a usar o nome, por volta de em seu desaparecido 30º livro. O nosso conhecimento disto é baseado no 4º livro de Ateneu, que em cerca de 190 citou Posidônio: "Os GERMANI à tarde servem à mesa carne assada com leite, e bebem seu vinho não diluído".

No , as obras de Júlio César, Tácito e de outros escritores da época indicam uma divisão dos povos germano-falantes em grupos tribais centralizados em: Nos rios Oder e Vístula (Polônia) (tribos germânicas orientais); No baixo Reno (istevões); No rio Elba (hermiões); Na Jutlândia e nas ilhas dinamarquesas (ingevões).

Origens A principal teoria para a origem das línguas germânicas, sugerida por evidências arqueológicas, linguísticas e genéticas, postula uma difusão das línguas indo-européias da estepe pôntico-cáspia em direção ao norte da Europa durante o terceiro milênio a.C, por meio de contatos linguísticos e migrações da cultura da cerâmica cordada para a Dinamarca moderna, resultando em mistura cultural com a cultura Funnelbeaker anterior.

Com respeito às origens étnicas, evidências desenvolvidas por arqueólogos e linguistas sugerem que um povo ou grupo de povos partilhando uma cultura material comum residia no norte da atual Alemanha e sul da Escandinávia durante o final da Idade do Bronze (). Essa cultura é chamada de Idade do Bronze Nórdica e abrange o sul da Escandinávia e o norte da Alemanha. A longa presença de tribos germânicas no sul da Escandinávia (uma língua indo-europeia chegou provavelmente por volta de ) e é também evidenciada pelo fato de que não tem sido encontrados nomes de lugares pré-germânicos na região.

Os linguistas, trabalhando a partir das historicamente conhecidas línguas germânicas, sugerem que este grupo falava o idioma proto-germânico, um ramo distinto da família de línguas indo-europeias. As características culturais da época incluem povoações pequenas e independentes e uma economia fortemente baseada na pecuária.

O deslocamento para o sul foi provavelmente influenciado por uma piora no clima da Escandinávia entre . O clima quente e seco do sul da Escandinávia (2 a 3 graus mais quente que hoje), piorou consideravelmente, o que não apenas modificou dramaticamente a flora, mas também forçou as pessoas a mudar seu modo de vida e abandonar suas povoações.

Por volta dessa época, essa cultura descobriu como extrair ferro das jazidas nos pântanos de turfas. Sua tecnologia para obter minério de ferro deve tê-los ajudado na expansão para novos territórios.

A cultura germânica cresceu para sudeste e para sudoeste, sem paradas repentinas, e pode ser diferenciada da cultura dos celtas que habitavam mais ao sul nas regiões do Danúbio e dos Alpes no mesmo período.

Período histórico Primeiros contatos thumb|180px|Estátua de Pier Gerlofs Donia, autointitulado "Rei de todos os frísios". Famoso rebelde e combatente da liberdade de tamanho e força lendários. Os primeiros contatos dos germanos com os romanos ocorreram no ano , com derrotas para os romanos. Pouco depois, o general Mário mudou muito o exército e conseguiu algumas importantes vitórias sobre os germanos, de estatura muito superior aos romanos. Júlio César () escreveu alguma coisa sobre os germanos. Nesse período, as tribos germânicas viviam em aldeias rudimentares, praticando uma economia comunal baseada na agricultura, na pecuária e nas pilhagens. Quando as terras se esgotavam, partiam à procura de outras. As áreas cultiváveis e os bosques eram de uso comum aos habitantes das aldeias. Apenas os rebanhos permaneciam como propriedade particular, constituindo a principal riqueza dos guerreiros.

A penetração germânica no Império Romano

Pode-se distinguir duas grandes fases da penetração dos povos germânicos no Império Romano: