O Centro Sportivo Alagoano, popularmente designado pela sigla CSA, constitui um clube esportivo brasileiro sediado em Maceió, capital do estado de Alagoas. Fundado em 7 de setembro de 1913, o clube foi inicialmente denominado Centro Sportivo Sete de Setembro, posteriormente rebatizado como Centro Sportivo Floriano Peixoto, até adotar sua denominação atual em 1918. É considerado um dos clubes mais expressivos e de maior tradição do Nordeste brasileiro, bem como de todo o país.

Foi o primeiro time nordestino a chegar em uma final de torneio internacional, ficando com o vice campeonato da Copa Conmebol de 1999, além de ser o único clube alagoano a conquistar um título de um torneio de acesso nacional, a Série C de 2017. Foi vice-campeão da Série B em 1980, 82, 83 e 2018, além de conquistar o vice campeonato da Série D de 2016. Conseguiu a façanha histórica de ser o primeiro e único clube de futebol a conquistar três acessos consecutivos no Campeonato Brasileiro de Futebol, deixando a Série D do futebol nacional para disputa da divisão de elite entre 2016 e 2019.

Com 40 títulos estaduais, o CSA ostenta o posto de segundo maior vencedor na história do Campeonato Alagoano.«CBF reconhece nove títulos estaduais do CRB conquistados entre 1918 e 1926» GloboEsporte.com. 4 de agosto de 2026. Consultado em 4 de agosto de 2026 Em âmbito local, o clube mantém uma rivalidade histórica com o CRB, protagonizando o tradicional Clássico das Multidões. Ademais, existe uma rivalidade com o ASA, equipe sediada no interior alagoano.

História A fundação thumb|right|200px|Jonas de Oliveira, um dos principais articuladores da fundação do CSA. O Centro Sportivo Alagoano foi fundado em 7 de setembro de 1913 na Sociedade Perseverança e Auxiliar dos Empregados no Comércio, quando um grupo de desportistas liderado por Jonas Oliveira se reuniu com o propósito de fundar uma agremiação esportiva. Os fundadores do clube foram: Jonas de Oliveira, Osório Gatto, Entiquio Gomes Filho, Antenor Barbosa Reis, Francisco Rocha Cavalcante, Arestides Ataíde de Oliveira, Antônio Miguel de Oliveira e Vicente Grossi.

Inicialmente, o clube foi denominado "Centro Sportivo Sete de Setembro" em referência à sua data de fundação, e iniciou suas atividades na sede da Sociedade Perseverança, onde eram guardados seus primeiros barcos. Nesse local, uma academia de atletas se formou, pois o clube contava com uma equipe de lutadores de boxe, luta greco-romana, além de praticantes de levantamento de peso, lançamento de dardo, disco e esgrima. Os esportes náuticos foram introduzidos na história do clube somente em 1917, e por muitos anos, os membros do clube utilizavam a Lagoa Mundaú para passeios e competições náuticas.

Mudanças de sede e nome Não demorou muito tempo e a sede do clube foi transferida para uma das dependências do Palácio Velho, antigo Palácio do Governo. Em seguida, no ano de 1915, mais uma mudança ocorreu e a sede azulina passou a funcionar em um prédio na Praça da Independência, antiga Praça da Cadeia, pertencente ao Tiro de Guerra. Foi aí, inclusive, que o time realizou seus treinos e jogos.

Dois anos após a fundação, aconteceu a primeira modificação do nome do CSA que, de Centro Sportivo Sete de Setembro passou a se chamar Centro Sportivo Floriano Peixoto, em 1915, numa homenagem a José Floriano Peixoto, atleta alagoano de destaque nacional. Torcedores azulinos propuseram, em assembleia geral, a mudança do nome do clube e a proposta do grupo foi aceita.

Definitivamente, no dia 13 de abril de 1918, o time mudou mais uma vez a sua razão social e foi batizado, em assembleia geral, com o nome atual, que de imediato passou a se identificar com o povo alagoano.

O início O primeiro jogo dos azulinos foi contra uma equipe formada por alagoanos que estudavam em Recife e os azulinos venceram por 3 a 0.

A marca da rivalidade Em determinado momento, aproximadamente nos anos 1930, o CSA enviou ao CRB um "Ofício-convite" propondo a realização de uma partida amistosa. O clube da Pajuçara aceitou o desafio, porém, em sua "Oficio-resposta", solicitou autorização para incluir jogadores de outros times em sua equipe, uma vez que se tratava de um jogo amistoso. O CSA não acatou essa proposta, originando um desentendimento entre os dois clubes. A partir desse ponto, as hostilidades aumentaram, tornando-se incontroláveis, principalmente devido à cobertura jornalística que divulgava declarações dos dois presidentes. O jornal "Correio da Tarde" publicava as declarações de Osório Gatto, presidente do CSA, enquanto o Jornal de Alagoas publicava as respostas de Ismael Acioli, presidente do CRB. Dessa forma, um simples "convite" para um jogo amistoso evoluiu para um conflito pessoal.

Após tomar conhecimento, por meio de uma das crônicas, de uma ofensa direta proferida pelo presidente do CSA, Ismael Acioli se sentiu ofendido e decidiu abordá-lo pessoalmente. Tendo sido alertado por amigos do "Correio da Tarde" sobre as intenções de Ismael Acioli, Osório Gatto se precaveu e portou um revólver. O encontro entre os dois presidentes ocorreu em plena Rua do Comércio, na capital. Antes mesmo de qualquer diálogo, o presidente do CSA sacou a arma e atirou no presidente do CRB. Um dos disparos atingiu a coxa de Ismael Acioli, que caiu e foi prontamente levado para o Pronto Socorro com a chegada de várias pessoas. O conflito não se encerrou nesse momento. Durante o período em que esteve hospitalizado, Ismael Acioli recebeu apoio irrestrito de todas as facções ligadas ao clube que ele dirigia. De fato, toda a diretoria do CRB prometeu publicamente, por unanimidade, que, caso Ismael Acioli viesse a falecer, nenhum membro da diretoria do CSA sobreviveria para contar a história. Ismael Acioli se recuperou gradualmente, superou o perigo e retomou sua vida normal, embora com uma limitação na perna e carregando consigo a bala que o atingiu. Somente anos mais tarde, os dois desportistas, em um encontro fortuito, finalmente se abraçaram com comoção. A partir desse momento, os dois clubes se tornaram rivais eternos.

1931 – A rivalidade no aniversário do CSA A crescente rivalidade entre CSA e CRB culminou em um fato ocorrido em 1931. Para participar da festa de seu aniversário, os azulinos convidaram o time do América de Recife para um jogo amistoso. Tininho, um jogador do CSA, era também um verdadeiro líder dentro do clube. Muitas vezes, se transformava em treinador do time. Por todas essas qualidades, Tininho era respeitado pelos dirigentes e querido pela torcida.

Com a intenção de reforçar a equipe, Tininho convidou dois jogadores do CRB para integrar o CSA no jogo contra o América. Zequito Porto e Fonseca eram os convidados. Eles aceitaram com muita alegria. No dia 7 de setembro, no Mutange, antes do jogo, compareceram aos vestiários do CSA, os jogadores Zequito e Fonseca que foram recebidos por Tininho. A diretoria azulina já se encontrava nas cadeiras que ficavam nas arquibancadas do Mutange. Ao saber da novidade, os dirigentes mandaram chamar Tininho para informar que não concordavam com a presença dos jogadores do CRB. Afirmavam, inclusive, que temiam a reação da torcida. Pressionado por todos os lados, Tininho mostrou porque era líder, e decidiu – "Ou aceitam Zequito e Fonseca ou eu também não jogarei". Esta decisão aumentou a confusão. Mas, pela personalidade do capitão azulino que assumiu toda responsabilidade, os dois atletas do CRB jogaram e ajudaram o CSA a vencer o América por 4x2. Dois dos gols foram assinalados por Fonseca. Zequito Porto nunca negou que se sentiu orgulhoso ao vestir a camisa do tradicional rival. A rivalidade na época não permitia que fatos como esse pudesse acontecer. Mas, ele conseguiu quebrar esse tabu.

1945 – 22 x 0: a grande goleada Uma das maiores goleadas do futebol brasileiro e, certamente, a maior do futebol alagoano, teve a participação do CSA. Aconteceu no campeonato alagoano de 1945 - 22 x 0 Esporte Clube Maceió.

O CSA tentou transferir o jogo para aceitar um convite e jogar em Garanhuns. O EC Maceió não aceitou. O mando de campo era do time de Zé Rodrigues que levou o jogo para o campo da Pajuçara. O CSA tentou levar a partida para o Mutange, chegando a oferecer toda a renda para o Esporte. O clube rubro também não aceitou. Comentou-se, na época, que dirigentes e jogadores do clube azulino fizeram um pacto para fazer o maior número de gols possíveis dentro da partida. Na semana do jogo, o Tribunal de Penas da Federação suspendeu quatro jogadores do Maceió. Eles haviam se envolvido no jogo violento da partida contra o Olavo Bilac no domingo anterior. Dirigentes do clube de Zé Rodrigues chegaram a pensar em entregar os pontos. Terminaram desistindo.

No dia 28 de janeiro de 1945, no Estádio Severiano Gomes Filho, jogaram Esporte Clube Maceió e CSA. Zé Rodrigues que tinha problemas na escalação do seu time, foi obrigado a colocar em campo quatro atletas que haviam jogado na partida preliminar: Orlando, Pé de Samba, Mudico e Laurinho. Mesmo assim, os jogadores do CSA não perdoaram. Fizeram 7 gols no primeiro tempo e 15 no segundo.

Campeonato Alagoano

1952 – O Jogo do Xaxado O clássico contra o CRB da tarde do dia 16 de setembro de 1952 entrou para a história do futebol alagoano e ficou conhecido como o "Jogo do Xaxado". Xaxado é um ritmo musical do nordeste brasileiro e, na época, era a música do momento das paradas de sucesso. Todo o Brasil dançava o xaxado com Luiz Gonzaga.

O CSA venceu seu mais tradicional adversário pelo placar de 4 a 0. A grande atuação da equipe fez a torcida azulina bater palmas e gritar, ritmicamente, a palavra "xaxado". Curiosamente, o CSA aplicou a goleada justamente no dia do aniversário do rival.

Campeonato Alagoano 1952

CRB: - Levino (Luiz), Helio Ramires (Ferrari) e Miguel Rosas, Netinho, Castanha e Moura, Sansão, Arroxelas (Santa Rita), Dario, Mourão (Zé Cicero) e Zeca. CSA: - Almir, Bem e Arestides, Oscarzinho, Zanélio e Neu, Napoleão (Ié), Biu Cabecinha, Dida, Dengoso e Edgar (Bemvindo).

1973 – Mané Garrincha e o CSA Garrincha, renomado jogador de futebol, teve uma breve passagem pelo CSA. Essa participação ocorreu durante um único jogo amistoso, realizado em 19 de setembro de 1973, contra o ASA de Arapiraca, no estádio Trapichão. Durante a partida, Garrincha e Dida compartilharam o campo vestindo a camisa azul do clube. Quatro dias depois, o jogador também atuou em outra partida por um clube alagoano, mas desta vez pelo ASA de Arapiraca, contra o próprio CSA.

Naquela época, conhecida como a despedida de "Seu Mané" para a torcida brasileira, o futebol de Garrincha estava em declínio, suas características físicas já não permitiam o mesmo desempenho. Mesmo assim, Garrincha honrou sua presença em campo e a torcida alagoana compreendeu o momento delicado que o jogador enfrentava. Em sua noite de despedida, recebeu calorosos aplausos.

Anos 1980 thumb|right|250px|CSA, em 1980. Em pé: Joca, Luizinho, Paulinho, Dick, Ronaldo Alves e Zé Luiz; agachados: Jorginho, Alberto, Peu, Leguelê, Gilmar e Castanha (massagista). A década de 1980 é considerada como a mais gloriosa da história do CSA que nessa época contou com as atuações notórias do atacante e meia Jacozinho, que permanece até hoje como o grande ídolo da nação azulina. O clube obteve amplo domínio no certame local, conquistando 6 títulos estaduais. Além disso, o CSA também se destacou nacionalmente alcançando por três anos quase consecutivos a grande decisão da Taça de Prata (competição que corresponde à Série B do Campeonato Brasileiro).

1980 Era a semifinal da Taça de Prata de 1980. O jogo foi no Estádio Fonte Luminosa contra a Ferroviária e o resultado de 1x0, deu ao time alagoano o direito de disputar o título de campeão da Taça de Prata contra o Londrina e, a sua inclusão, no próximo ano, na divisão de elite do futebol brasileiro.